Arnaldinho dá a largada para 2026: o que está em jogo para o prefeito de Vila Velha
"Jornada"
Arnaldinho dá a largada para 2026: o que está em jogo para o prefeito de Vila Velha
Político canela verde começou a percorrer municípios do ES para viabilizar candidatura ao Palácio Anchieta. Veja a análise da coluna, a estratégia do prefeito e como os adversários dele reagiram
Publicado em 12 de Junho de 2025 às 12:54
Públicado em
12 jun 2025 às 12:54
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Arnaldinho Borgo em Muqui, no último dia 7Crédito: Instagram/@arnaldinhoborgo
O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), já havia deixado claro, em entrevista à coluna no mês passado, que está determinado a disputar o governo do Espírito Santo em 2026. Em artigo publicado em A Gazeta na quarta-feira (11), ele foi além: avisou que começou a percorrer os municípios do estado para "dialogar com lideranças".
Na prática, foi o anúncio da pré-campanha do prefeito, de olho no Palácio Anchieta. No último dia 6, ele esteve em Guaçuí, para receber uma homenagem na Câmara Municipal e, em seguida, foi a Muqui, outra cidade do Sul. No próximo final de semana, Arnaldinho deve ir a Santa Teresa.
A ideia é realizar visitas desse tipo "nos finais de semana, sem comprometer a agenda administrativa", como escreveu, no artigo.
Pode parecer uma movimentação antecipada, considerando que as eleições vão ser realizadas daqui a um ano e três meses. Mas, na verdade, o político canela verde está até atrasado, correndo contra o tempo e desviando de obstáculos.
Para se ter uma ideia, o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), outro que tenta viabilizar a candidatura ao governo estadual, colocou o bloco na rua ainda em janeiro, quando começou a percorrer municípios do interior.
Pazolini integra um grupo político adversário ao do governador Renato Casagrande (PSB). Arnaldinho, por sua vez, é aliado de primeira hora do chefe do Executivo estadual.
Só que, no bloco casagrandista, quem tem a preferência para ser lançado candidato ao Palácio é o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB). Este está aceleradíssimo na agenda eleitoral, apesar de afirmar publicamente estar mais focado na gestão.
Até pelo cargo que ocupa, Ricardo está frequentemente presente nos municípios do interior. E isso fica mais evidente quanto mais o calendário eleitoral se aproxima. Recentemente, de acordo com o que a coluna apurou, o vice passou por 12 municípios em cerca de dez dias.
"O grupo do Palácio (apoiadores de Ricardo) se antecipou e Arnaldinho entendeu que também precisa se movimentar", contou um aliado do prefeito.
Devido à força da máquina estadual, porém, Ricardo exerce forte influência sobre prefeitos e lideranças políticas locais. Isso é um entrave para os outros "candidatos a candidato", como Pazolini e Arnaldinho.
O "climão" que ocorreu em Muqui é um exemplo disso. Um dia após receber Arnaldinho e posar para foto ao lado do político de Vila Velha, o prefeito da pequena cidade do interior, Sérgio Luiz Anequim (PL), o Camarão, fez uma publicação de apoio nas redes sociais.
Apoio a... Ricardo Ferraço. "Tenho compromisso claro com Ricardo Ferraço e não abro mão de caminhar ao lado dele", escreveu Camarão, que também exibiu fotos ao lado do vice-governador.
E olha que o prefeito de Muqui é filiado ao PL, partido que faz oposição ao governo Casagrande/Ricardo.
Pessoas próximas a Arnaldinho afirmam que Camarão foi "pressionado" e "ameaçado" pelo Palácio para fazer o post a favor do vice-governador, sob pena de a Prefeitura de Muqui ficar sem verbas a serem repassadas pelo governo estadual via convênio.
Já Ricardistas alegam que a manifestação do prefeito da cidade do Sul foi espontânea, "pela força da liderança de Ricardo". A coluna tentou contato com Camarão, para ouvir dele como foi a história, mas não houve retorno até a publicação deste texto.
O fato é que, sim, boa parte dos prefeitos, inclusive alguns que são ou eram do partido de Pazolini, têm declarado apoio eleitoral ao vice-governador. Adversários do emedebista veem isso como resultado de "pressão palaciana". Aliados, como consequência natural.
Integrantes do time do vice-governador avaliam que Pazolini e Arnaldinho "não têm tração" no interior e atraem poucos olhares.
Os políticos de lá é que ficam numa saia justa.
Casagrande listou Arnaldinho como um dos nomes que pode ser apoiado pelo grupo governista para disputar o comando do Executivo estadual, mas, claramente, a estrutura governamental trabalha a favor de Ricardo.
"A estratégia de Arnaldinho agora vai ser como a do próprio Casagrande em 2018. Naquele ano, Paulo Hartung estava no governo e os prefeitos não podiam receber Casagrande ou declarar apoio a ele", revelou um aliado do prefeito de Vila Velha.
"Nem todas as conversas e apoios vão ser divulgados, publicados nas redes sociais, mas estão acontecendo. Arnaldinho tem aliados no interior do estado", completou.
É um tom parecido com o adotado por pazolinistas. Os defensores da candidatura do prefeito de Vitória ao governo apostam que o apoio de lideranças do interior a Ricardo "não é orgânico" e que as declarações simpáticas ao emedebista são feitas apenas devido ao medo dos prefeitos de perderem verbas de convênios.
Já ricardistas dizem-se tranquilos, acreditam que as investidas recém-anunciadas por Arnaldinho "não vão ter efeito algum" e lembram que o prefeito "nem partido tem".
Entre os aliados de Pazolini, as movimentações do prefeito de Vila Velha, por incrível que pareça, são bem-vindas, nos bastidores.
É que Arnaldinho, assim como o prefeito de Vitória, são apresentados como "renovação", "sangue novo", representantes de um "choque geracional", o que, em tese, pode enfraquecer o vice-governador, tradicional nome da política capixaba.
Além disso, alguns pazolinistas acreditam que seria possível unir o prefeito de Vila Velha e o da Capital no mesmo palanque, a depender das circunstâncias partidárias e eleitorais dos próximos meses.
"Os capixabas desejam um governador que represente uma nova geração de políticos"
Arnaldinho Borgo (sem partido) - Prefeito de Vila Velha, em artigo publicado em A Gazeta
Seja como for, cidades do Espírito Santo vão ser, aliás, já são, cenário de pré-campanha eleitoral e não apenas no interior. Pazolini, na quarta-feira, percorreu ruas de Marcílio de Noronha, em Viana. Nesta quinta (12), foi a uma feira em Cariacica Sede.
Há chances até de os "candidatos a candidato" se esbarrarem.
Em janeiro, Pazolini e Ricardo marcaram presença, por exemplo, na Festa do Tomate, em Venda Nova do Imigrante. Dias atrás, o prefeito de Vitória e o vice-governador também estiveram em um leilão beneficente realizado em Aracruz.
O Santa Jazz, em Santa Teresa, de sexta (13) a domingo (15), promete. Ao menos Arnaldinho e Ricardo devem passar por lá, não necessariamente ao mesmo tempo.
O RISCO E A OPORTUNIDADE DE ARNALDINHO
Como analisei aqui, no último dia 21, o prefeito de Vila Velha está diante de um risco e de uma oportunidade. Se conseguir viabilizar a candidatura ao governo estadual, ele vai ter que renunciar ao mandato à frente da Prefeitura de Vila Velha no início de abril do ano que vem e encarar uma disputa com desfecho incerto.
Se não for candidato, entretanto, pode perder uma chance de ouro. Por enquanto, Arnaldinho está "no hype", por ter sido reeleito com 79,04% em 2024, mas a popularidade tende a desvanecer com o tempo, se ele ficar sem cargo público por muito tempo.
Se Ricardo for vitorioso em 2026, vai ser reeleito, pois o vice, a partir de abril de 2026, vai ser o governador de fato, considerando que Casagrande deve renunciar ao cargo para disputar o Senado.
Isso quer dizer que, em 2030, o emedebista não poderia disputar mais um mandato consecutivo. Abriria-se aí uma avenida para outro integrante do atual grupo casagrandista, talvez Arnaldinho, concorrer ao Palácio.
Mas e se um adversário de Casagrande for eleito no ano que vem? Digamos Pazolini, hipoteticamente. Este poderia tentar a reeleição em 2030 e ficar no poder por oito anos, o que representaria, potencialmente, o fim das pretensões do prefeito de Vila Velha.
É levando tudo isso em conta que Arnaldinho, como escreveu no artigo publicado em A Gazeta, inicia "uma jornada por todos os municípios do estado".
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.