Arnaldinho e Euclério se movimentam de olho em 2026 e Casagrande diz que é "natural"
Corrida pelo Palácio
Arnaldinho e Euclério se movimentam de olho em 2026 e Casagrande diz que é "natural"
Governador apontou o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) como plano A do grupo, mas lembrou que o martelo não foi batido. Ricardo, por sua vez, acredita que "na hora certa, todos estaremos juntos"
Publicado em 01 de Abril de 2025 às 03:25
Públicado em
01 abr 2025 às 03:25
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Renato Casagrande discursa na assembleia da Amunes, em VitóriaCrédito: Letícia Gonçalves
O governador Renato Casagrande (PSB) voltou ao trabalho na segunda-feira (31), após dez dias férias, durante os quais o vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) ficou à frente do Executivo estadual. Ricardo é a principal aposta de Casagrande na corrida pelo Palácio Anchieta em 2026.
É cada vez mais evidente, entretanto, que os prefeitos de Vila Velha, Arnaldinho Borgo (sem partido), e de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), movimentam-se no mesmo sentido.
Isso não chega a surpreender, já que o próprio Casagrande colocou os dois, além do ex-prefeito da Serra Sérgio Vidigal (PDT) e os deputados federais Gilson Daniel (Podemos) e Da Vitória (PP), na lista de possíveis candidatos, caso Ricardo não se viabilize.
Mas como lidar com vários nomes de um mesmo grupo político que estão de olho numa cadeira só? O governador poderia pôr um freio nas ambições de Arnaldinho e Euclério, já que prioriza o projeto de Ricardo Ferraço?
A coluna questionou Casagrande se as movimentações dos dois prefeitos contam com o aval dele. E o governador respondeu que sim, mas não com essas palavras:
"Quando eu falo que tenho diversos nomes com condições de governar o estado, mas a prioridade é do Ricardo, porque é o vice-governador, está dado um sinal de que as pessoas podem se movimentar".
"Agora, a movimentação de hoje ainda é preliminar. Não estamos na época da eleição ainda, mesmo que o processo tenha se antecipado. Em toda eleição a gente fica discutindo se está na hora, se não está na hora, mas mas isso acontece, inevitavelmente. Então é normal", completou.
"Consideramos natural o movimento do Euclério, do Arnaldinho e do Ricardo"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
"Todos sabem que o Ricardo tem credencial em termos de candidatura, pela posição que exerce, pela competência e por toda a sua experiência na vida pública. Isso não impede que outros líderes do nosso movimento façam qualquer articulação, até porque não estamos na época de decidir ainda a candidatura", frisou o governador.
Não é segredo para ninguém que Euclério tem se articulado com líderes religiosos, entidades de classe e, obviamente, outros atores políticos para deixar claro que está no jogo pelo Palácio Anchieta. Ele é do partido de Ricardo Ferraço e aliado do vice-governador, mas após ser reeleito com expressivos 88,41% dos votos, o prefeito marca posição.
O prefeito também teve que fazer uma breve pausa na agenda devido à nova cirurgia a que foi submetido, mas uma coisa que não parou, de acordo com aliados de Euclério, foi o entusiasmo dele para disputar o pleito de 2026. "Eu ouvi ele dizer que recebeu um sinal de Deus de que vai ser o próximo governador", confidenciou uma fonte da coluna.
Já um ator político que acompanha o prefeito de Cariacica há anos acredita que Euclério quer mesmo é valorizar o próprio passe, deixar claro para os integrantes do bloco casagrandista que vai ser alguém decisivo na eleição do ano que vem, se não como candidato, como condutor de votos.
E AS DE ARNALDINHO
O prefeito de Vila Velha é mais discreto que Euclério, mas, como a coluna mostrou, articula-se de olho na corrida pelo Palácio Anchieta. Um aliado de Arnaldinho Borgo saiu do gabinete do chefe do Executivo canela-verde recentemente convencido de que o prefeito "está muito determinado a disputar o governo".
"Ele está fazendo pesquisas qualitativas e conversando com lideranças políticas do interior. Ele vê Euclério, e até Vidigal, se movimentando, então também está se mexendo", contou uma liderança política de Vila Velha.
Arnaldinho até saiu do Podemos, legenda em que não tinha trânsito com o presidente estadual, Gilson Daniel, para se fortalecer, uma preparação para 2026. "Ele precisa de um partido que possa comandar, sem risco de ter a candidatura barrada pela direção estadual, por exemplo", avalia um arnaldista.
FOGO AMIGO
A questão é que os partidários de um possível candidato tendem a exaltar as qualidades daquele que preferem e a criticar quem veem como adversário interno.
Não é raro a coluna ouvir de aliados do prefeito de Vila Velha, por exemplo, que Arnaldinho tem o perfil ideal para concorrer com o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), virtual concorrente do grupo de Casagrande na corrida pelo governo.
E que Ricardo Ferraço não tem os atributos necessários para uma eleição que promete ser "geracional", com vantagem para políticos mais jovens. "Integrantes do próprio grupo que o apoia acham que o Ricardo não vai emplacar", diz um casagrandista, que, obviamente, trabalha, nos bastidores, para que outro nome seja o escolhido pelo grupo.
Ao mencionar seis possíveis candidatos, sendo que somente deve haver um, Casagrande mostrou que tem várias cartas na manga e afagou aliados publicamente. Como efeito colateral, entretanto, deu margem a esse tipo de "fogo amigo" entre os aliados.
Ricardo Ferraço, por sua vez, evitou polemizar: "Na hora certa, todos nós estaremos juntos". E repetiu algo que havia dito em fevereiro:
"Da mesma forma que estou determinado a ser candidato, também estou à disposição para apoiar qualquer dos candidatos que possam dar continuidade ao trabalho do nosso governador Renato Casagrande"
Ricardo Ferraço (MDB) - Vice-governador do Espírito Santo
Enquanto isso, entre os aliados do prefeito de Vitória a torcida é para que a ampla aliança governista não suporte a disputa interna e se desintegre. Alguns, aliás, apostam que isso é inevitável.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.