Arnaldinho sobre ser vice de Ricardo: "Na política, temos planos A, B e C"
Eleições 2026
Arnaldinho sobre ser vice de Ricardo: "Na política, temos planos A, B e C"
Essa possibilidade é uma especulação que corre à boca miúda. Confira a declaração do prefeito de Vila Velha e a análise da coluna
Publicado em 17 de Novembro de 2025 às 07:43
Públicado em
17 nov 2025 às 07:43
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Ricardo Ferraço, Arnaldinho Borgo e Renato Casagrande, em maioCrédito: Adessandro Reis/PMVV
O objetivo do prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, como se sabe, é disputar o governo do Espírito Santo em 2026. Mas, para isso, ele enfrenta diversos obstáculos. O fato de ainda não estar filiado a um partido é apenas um deles. A preferência do grupo do governador Renato Casagrande (PSB) pelo vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) é o principal entrave.
Assim, uma possibilidade começa a ser mencionada à boca miúda: e se Arnaldinho compusesse chapa com Ricardo como vice?
A coluna questionou o próprio prefeito a respeito, no último sábado (15), e ele não descartou a ideia: "Na política, temos planos A, B e C. Meu plano é ser governador, mas não a qualquer custo".
A resposta foi ligeiramente diferente da que ele emitiu no mês passado: "Político nenhum tem apenas uma opção. Tem uma, duas, três, quatro, tem cinco opções, mas a minha opção é ser candidato ao governo do estado, é o meu desejo. No momento, não passa pela minha cabeça nada diferente de governo".
Se eleito, Ricardo seria governador de apenas um mandato, não poderia tentar a reeleição em 2030. É que ele deve assumir o governo a partir de abril do ano que vem, já que Casagrande, para disputar o Senado, teria que renunciar ao atual cargo.
Então o emedebista, se vitorioso, seria tecnicamente reeleito em 2026 e uma segunda reeleição é proibida pela legislação.
O vice de Ricardo, nesse cenário, tornaria-se o candidato governista natural à sucessão em 2030. Aí reside a atratividade da vaga de vice na chapa.
Tal vantagem só vai existir, evidentemente, se o emedebista vencer o pleito do ano que vem.
O risco é alto. Para ser candidato a qualquer cargo no ano que vem, Arnaldinho tem que renunciar ao mandato de prefeito faltando dois anos para o fim da gestão.
Abrir mão disso para concorrer ao Palácio Anchieta é uma coisa, mas para ser o número dois, com o perigo de não ser eleito e ficar de mãos abanando, é outra história.
Um aliado do político canela-verde confidenciou à coluna que duvida que o prefeito aceitaria essa empreitada, apesar de o próprio Arnaldinho não ter dito "não", de pronto, ao ser questionado pela coluna.
Outra questão é que há certa tensão entre aliados de Arnaldinho e os de Ricardo. A coluna nunca ouve nada positivo de um dos grupos a respeito do outro. Não parece haver "clima" para uma parceria tão sensível e estratégica, embora o prefeito afirme que a relação com o vice-governador é "muito boa".
Além disso, os integrantes do time do prefeito ganharam fôlego para não desistir da corrida pelo Palácio.
A mais recente declaração do prefeito, ao não desdenhar da vaga de vice, pode ser interpretada também como o levantar de uma bandeira branca, para arrefecer os ânimos.
O presidente da Assembleia Legislativa e do União Brasil estadual, Marcelo Santos, por exemplo, criticou Arnaldinho, em outubro, por querer ser candidato (ao governo) "a qualquer custo".
"JOGANDO COM O TEMPO"
Pelo calendário eleitoral, o prefeito de Vila Velha tem tempo para decidir o que fazer — o prazo para filiação e para renunciar ao mandato de prefeito vence no início de abril do ano que vem —, mas o relógio da política tem uma contagem própria.
Embora não seja o cenário ideal para o prefeito, o mais provável, hoje, é que ele ingresse no PRD, partido federado com o Solidariedade.
Ainda no sábado, o prefeito disse à coluna que está "jogando com o tempo": "Vou esperar a água clarear, ver o que que me cabe, para onde eu vou, como vou agir. Estou sem pressa, esperando o momento certo".
O vice é, via de regra, algo que se decide aos 45 do segundo tempo. Logo, esse certamente é um tema que vai passar por diversas especulações até o registro oficial das candidaturas.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.