A campanha para as eleições de 2022 nem começou oficialmente, mas as especulações sobre a de 2026 já despontam.
Como a coluna lembrou, foi assim em 2006, quando Ricardo Ferraço (PSDB) foi anunciado vice na chapa do então governador Paulo Hartung (na época filiado ao PMDB) já com a perspectiva de disputar o pleito de 2010 como sucessor do aliado.
Agora,
Ricardo é o vice na chapa de Renato Casagrande (PSB) e é impossível não projetá-lo como possível candidato ao governo, uma vez que o socialista já estaria no segundo mandato consecutivo – se, é claro, for reeleito este ano – , como era o caso de Hartung em 2010.
Naquele ano, no entanto, houve o "abril sangrento", mês em que, por contrapartidas da política partidária nacional, Hartung rifou Ricardo da disputa e apoiou Casagrande ao governo.
O socialista e Hartung estão rompidos, oficialmente, desde 2014. Ricardo, por sua vez, é muito próximo ao governador.
Em 2006, Ricardo dizia não ter "pretensões pessoais" e considerava "impossível" pensar em planos para 2010 "no início de um processo" quatro anos antes.
O plano surgiu, antes ou depois. Mas morreu na praia.
Aos 58 anos, Ricardo ainda tem fôlego para ser vice-governador, se eleito na chapa com Casagrande, e postular, depois, o comando do Executivo estadual.
Resta saber se seria competitivo, eleitoralmente falando. Em 2018, ele não conseguiu se reeleger para a cadeira de senador.
Bom, para isso se confirmar é preciso que as urnas rechacem a chapa Casagrande-Ricardo em outubro.
Caso contrário, o ex-senador do PSDB, tendo sido vice de Hartung e de Casagrande (se a chapa for eleita) poderia ser a representação da perpetuação desse ciclo, como proposta a ser apresentada aos eleitores em 2026.
Dirigindo-se ao petista do Espírito Santo, afirmou que "logo logo" Contarato disputaria o governo do estado. Lula até ressaltou, no vídeo: "Logo logo".
Contarato ainda tem quatro anos de mandato no Senado. Em 31 de janeiro de 2027, a participação dele na Casa chega ao fim. No ano anterior ele vai ter dois caminhos prováveis: concorrer à reeleição ou ao Palácio Anchieta.
As duas siglas têm um histórico de proximidade. O vice no primeiro mandato de Casagrande (2011-2014), por exemplo, foi Givaldo Vieira, então filiado ao Partido dos Trabalhadores.
Por esse prisma, não soaria estranho se o governador apoiasse Contarato como seu sucessor. Se Casagrande for derrotado este ano, também nada impede que o senador alce voo próprio no futuro.
Uma das críticas, que partem até de aliados de Casagrande, é que ele não talhou um sucessor, ou uma sucessora, natural para ocupar a cadeira que vai deixar ou em 1º de janeiro de 2023 ou daqui a pouco mais de quatro anos.
Por mais contraditório que isso possa ser, uma vez que o ex-governador tem zero simpatia pelo atual ocupante do Palácio do Planalto. Nisso, ele e Casagrande concordam.