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Eleições

As encrencas que aguardam Renato Casagrande em 2022

Governador do ES não diz se vai disputar a reeleição, mas ninguém duvida que vai. No caminho, além dos adversários, há questões a serem consideradas. Veja aí

Publicado em 20 de Dezembro de 2021 às 09:07

Públicado em 

20 dez 2021 às 09:07
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande discursa durante entrega das obras do Portal do Príncipe, em Vitória
Governador Renato Casagrande discursa durante entrega das obras do Portal do Príncipe, em Vitória Crédito: Hélio Filho/Secom
O governador Renato Casagrande (PSB) ainda não diz se vai disputar a reeleição em 2022, mas ninguém duvida que o fará. Quase ao apagar das luzes deste ano pré-eleitoral, analisemos, pois, o cenário em que o socialista se encontra. 
A eleição ocorre apenas em outubro de 2022, há muita água a passar embaixo da ponte até lá. Neste texto tratamos das questões que se apresentam neste momento. 

HARTUNG

Sem o ex-governador Paulo Hartung (sem partido) no páreo, Casagrande fica mais confortável para concorrer. 
Hartung não tentou a reeleição em 2018, após o terceiro mandato, não consecutivo, à frente do Palácio Anchieta. A gestão dele foi marcada pelo equilíbrio fiscal e por turbulências na área social, como a greve da Polícia Militar, em 2017.
O ex-governador, que tampouco revela o rumo que vai tomar no ano que vem, é cotado para disputar uma vaga no Senado pelo PSD.
Logo, não deve encarar uma disputa direta contra Casagrande, o que não quer dizer que não vá participar da corrida pelo governo do estado de outras formas.

CONCORRÊNCIA

Pré-candidatos interessados em ocupar o gabinete que o socialista comanda já surgiram com antecedência. Alguns deles, inclusive, têm ligação histórica com Hartung.
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, é um deles. Está às voltas com o próprio partido, o MDB, para conseguir espaço para se candidatar. É bem avaliado no Norte do estado, mas precisaria ganhar terreno na Grande Vitória, que concentra a maior parte do eleitorado.
Esses dias, como a coluna mostrou, Guerino foi afagado, na Serra, por ninguém menos que Ciro Gomes (PDT), pré-candidato à Presidência da República que, em 2018, foi apoiado por Casagrande.

ASSEMBLEIA LEGISLATIVA

Erick, de acordo com ele mesmo, é desconhecido por 85% dos capixabas. Em matéria de intenção de votos não deve apresentar ameaça, ao menos por enquanto, ao governador.
O deputado, no entanto, ocupa uma posição estratégica. Erick comanda a pauta da Assembleia. É ele quem decide os projetos que vão ser votados e quando isso deve ocorrer. O presidente poderia, assim, complicar a vida de Casagrande adiando a votação de propostas em pleno ano eleitoral. 
Erick garantiu à coluna que isso não vai ocorrer. Normalmente, a Casa vota rapidamente e favoravelmente a tudo que chega do Palácio Anchieta, nem se dá ao trabalho de debater as propostas. 
Erick poderia usar esse argumento republicano para estender as discussões dos projetos, adiando as votações, por exemplo. Não estaria errado. A questão é que, até agora, não foi feito assim.
Um movimento curioso é a derrubada de vetos de Casagrande no Legislativo. É algo raro, mas tem ocorrido, nem sempre em acordo com o governo. "É raro, mas acontece muito", já diz o meme.

"O ESPÍRITO SANTO PODE MAIS"

A frase acima parece nome de coligação, mas são palavras frequentes na boca dos pré-candidatos que pretendem suceder o atual governador. O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede) fala muito isso, diz ter percorrido diversos municípios e que o governo tem capacidade de investir mais.
"Cuidar das contas, mas sem deixar de cuidar das pessoas", entoou Erick Musso, repetindo um bordão de Hartung. 
Até o presidente do TJES, desembargador Fabio Clem, avalia que, por ter uma gestão fiscal equilibrada, a administração estadual poderia aumentar o repasse para o Judiciário. Ressalte-se: o desembargador não é pré-candidato, até elogia Casagrande, apenas gostaria de um orçamento maior para o Poder.
Ou seja, o governador, na campanha, deve ser cobrado nesse sentido.

CONTARATO

O senador Fabiano Contarato saiu da Rede e anunciou que vai se filiar ao PT. Se o Partido dos Trabalhadores formalizar uma aliança nacional com o PSB de Casagrande, é improvável que Contarato dispute o governo do Espírito Santo, como uma das contrapartidas para o acordo.
Se a parceria desandar, no entanto, e o PT fizer questão de lançar o senador ao governo, para garantir um palanque local para o ex-presidente Lula, o cenário local fica embolado.
Contarato e Casagrande são do mesmo espectro político, da centro-esquerda. Se os dois disputarem o governo, o eleitorado vai se dividir, o que enfraquece esse campo.
O futuro petista tem mandato garantido no Senado até janeiro de 2027. Casagrande, se perder, fica na planície. 

SEGURANÇA PÚBLICA

No primeiro mandato como governador (2011-2014), Casagrande chamou para si a responsabilidade de comandar a área da segurança pública. Não quer dizer que ele tenha acumulado a gestão da pasta, mas dizia, frequentemente, que a questão era tratada "no gabinete do governador", lançou o programa Estado Presente, que foi uma boa vitrine até para fora do Espírito Santo.
É na segurança pública, agora, que está um dos principais calos do socialista. Os homicídios, dependendo do recorte temporal, podem ter aumentado ou diminuído. 
Mas os assassinatos de mulheres, apenas por serem mulheres e quererem terminar uma relação, por exemplo, saltam aos olhos. Os roubos a pessoas em via pública diminuíram em 2020, em meio à pandemia de Covid-19, quando, ao menos durante alguns meses, houve menos circulação nas ruas. 
As ocorrências de 2021, principalmente com os registros das imagens dos crimes, captadas por câmeras de videomonitoramento, chamam a atenção.
O principal problema eleitoral, no entanto, é corporativo. Integrantes das forças policiais também acham que "o Espírito Santo pode mais", no sentido de poder dar aumento salarial. 
Policiais militares, perdoados por Casagrande em 2019 após a greve de 2017, são, majoritariamente, bolsonaristas. Inflamados pelo discurso do presidente Jair Bolsonaro (PL), já não têm boa vontade com um governo que não é de extrema-direita. Isso somado à insatisfação salarial torna a coisa mais complicada.
Até coronéis, ou seja, militares da mais alta patente na PM e dos mais altos salários, já manifestaram publicamente descontentamento devido aos valores no contracheque.

BOLSONARISMO

O que nos leva a outro fator que pode complicar a vida de Casagrande: o bolsonarismo, que existe não apenas entre os policiais.
O governo Bolsonaro amarga altos índices de reprovação no país e, nas pesquisas de intenção de voto, aparece derrotado, se a eleição fosse hoje. 
O próprio presidente e seus apoiadores dizem não acreditar em pesquisas. Mas saiba, leitor, que os partidos também contratam pesquisas, por vezes dos mesmos institutos que você vê estampados nas manchetes. Eles sabem que é verdade.
Não contratei uma pesquisa para saber a quantas anda o apoio ao presidente no Espírito Santo, mas o fato é que o estado é tradicionalmente conservador. Em 2018, o presidente teve mais votos aqui, proporcionalmente, que no país como um todo.
O pré-candidato ao Palácio Anchieta que, até agora, mais repete a cartilha bolsonarista é o ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido). Ele procura uma sigla que possa lançá-lo ao governo, mas também quer viabilizar a reeleição da esposa, a deputada federal Soraya Manato (PSL).  

PANDEMIA DE COVID-19

pandemia de Covid-19 trouxe diversos prejuízos à sociedade, sendo o mais grave as mortes provocadas pela doença que, felizmente, foram reduzidas após a vacinação em massa. 
Houve também as consequências econômicas e, por ser esta uma coluna que fala sobre política, devemos também ressaltar a sinuca de bico em que a pandemia colocou o governador.
Pressionado por diversos setores, Casagrande, acertadamente, definiu medidas para restringir a circulação de pessoas, incentivou o uso de máscaras e a aplicação de vacinas, ao contrário de Bolsonaro. 
Isso agrada a parte do eleitorado, mas desagrada outra parte, os bolsonaristas-raiz que, alimentados por uma rede de desinformação e teorias da conspiração, que lhes dão a sensação de pertencimento a uma causa, até recusam a vacinação e outras medidas de prevenção à doença. 
O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, traduziu bem a mentalidade (ou a falta de mentalidade) desse segmento: "Melhor perder a vida do que perder a liberdade". É fascinante o conceito de liberdade de colocar não apenas a sua, mas a vida de outras pessoas em risco. 

"PRESENTÃO DE NATAL"

Por enquanto, Casagrande tem percorrido o estado inaugurando obras, inaugurando ordem de serviço de obras, inaugurando o primeiro tijolo da obra (às vezes vai várias vezes à mesma obra). Quer mostrar o que fez.
No domingo (19), esteve no Portal do Príncipe, em Vitória. Vídeo publicado no canal do governador no YouTube apresenta "a obra mais aguardada de 2021". Tem praça, pista de skate/patins/bicicleta e ponto de ônibus monitorado por câmeras.
"Um presentão de Natal para o estado do Espírito Santo", definiu Casagrande.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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