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Eleições 2022

As estratégias de Casagrande e Manato para o segundo turno no ES

Governador do PSB tenta a reeleição. Candidato do partido de Bolsonaro passou à próxima etapa com menos votos, mas fortalecido politicamente

Publicado em 04 de Outubro de 2022 às 11:37

Públicado em 

04 out 2022 às 11:37
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Debate CBN A Gazeta com os candidatos ao Governo de ES
Renato Casagrande (PSB) e Carlos Manato (PL) durante debate realizado por A Gazeta e CBN Vitória no primeiro turno das eleições para o governo do Espírito Santo Crédito: Fernando Madeira
A última vez que a eleição para o governo do Espírito Santo foi decidida em segundo turno ocorreu em 1994, entre Vitor Buaiz e Cabo Camata. Renato Casagrande (PSB) era o vice na chapa de Buaiz. A dupla sagrou-se vencedora.
O socialista está, mais uma vez, na disputa em uma segunda etapa de votação, desta vez como candidato à reeleição no comando do Palácio Anchieta.
A pesquisa Ipec divulgada na noite de sábado, na véspera do primeiro turno, indicava que a vitória do governador viria já no domingo. Casagrande foi o mais votado, mas com 46,94% dos votos válidos. Para vencer, precisava de 50% e mais um voto.
O ex-deputado federal Carlos Manato (PL) alcançou 38,48%. O confronto direto entre os dois está posto.
O tempo no horário eleitoral de TV e rádio vai ser dividido igualmente entre eles. No primeiro turno, Casagrande dominava a telinha. Agora, cada um vai ter cinco minutos para se dirigir aos eleitores.
É uma nova eleição.
MANATO: SAÚDE E SEGURANÇA
Como a coluna já analisou, Manato chega com mais gás à corrida, apesar do segundo lugar no placar de votação. Ter passado à próxima fase foi uma vitória política do ex-deputado federal em um cenário em que isso não era esperado.
O candidato do PL já disse, em entrevista à Rádio CBN Vitória, que vai focar nos temas saúde, segurança e combate à corrupção. Obviamente, pretende criticar a atual gestão estadual e dizer que pode fazer melhor nessas áreas.
“Nós temos uma estratégia muito interessante agora. Nós vamos mostrar para o Espírito Santo o seguinte: vocês querem o que está aí na área de segurança, ou vocês querem que comecemos a combater lá na divisa? Vocês querem a fila da saúde que tem aí, com milhares de cirurgias para serem feitas, milhares de ressonâncias, milhares de exames complementares? Vocês querem a corrupção ou combater a corrupção?", argumentou
"O povo capixaba tem que decidir, mas agora estamos em igualdade de condições, igualdade de tempo para poder ver isso", ressaltou Manato.
Ele já conta com o apoio declarado de dois nomes que ficaram pelo caminho no primeiro turno: o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que recebeu 7,03% dos votos, e o ex-secretário da Fazenda da Prefeitura de Vitória Aridelmo Teixeira (Novo), que contou com 0,76%.
O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos (Rede), que ficou em quarto lugar na corrida pelo governo, com 6,51% dos votos, ainda não se manifestou.
No primeiro turno, ele seguiu um script em conjunto com os adversários de Casagrande, como se viu nos debates realizados pela TV Gazeta e por A Gazeta e CBN Vitória. Embora negue que tenha sido tudo combinado.
Rede e PSol, partidos que estão federados, são de esquerda, não apoiariam Manato de forma alguma, nem o candidato do PL quer o apoio das siglas, disse desejar apenas "o CPF" de Audifax, ou seja, a manifestação pessoal, e não partidária, do ex-prefeito. Audifax é coordenador da Rede no Espírito Santo.
O candidato do PL pode contar, possivelmente, com outros cabos eleitorais de peso, como o senador eleito Magno Malta, que é correligionário dele, e com o deputado federal eleito Gilvan, que também é do PL e foi o segundo parlamentar mais votado do estado para a Câmara.
No primeiro turno, Manato teve poucos recursos para fazer campanha. A direção nacional do PL repassou apenas R$ 100 mil a ele, o menor valor entre os candidatos do partido a governador no país. Pode ser que isso mude. A ver.
O PL tem, ao todo, quatro candidatos disputando segundo turno nos estados.
CASAGRANDE: CONTRA O RETROCESSO
Audifax já disse à coluna, ainda durante a campanha no primeiro turno que, num eventual segundo turno, não declararia apoio a Casagrande.
O governador disse, em entrevistas concedidas à imprensa, que vai buscar o apoio de lideranças políticas que não estavam com ele até agora. Não disse que vai atrás dos que foram candidatos ao Palácio Anchieta. Sabe que seria improvável obter aí um endosso.
O deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil), que não conseguiu se reeleger, apesar de ter obtido uma votação expressiva, por exemplo, pode ficar ao lado do socialista.
Rigoni chegou a ser pré-candidato ao governo, fez críticas à gestão estadual, mas também reconheceu avanços promovidos nos últimos 20 anos pelo ex-governador Paulo Hartung e por Casagrande.
Além disso, parlamentares eleitos vão estar na trincheira com o governador, como o ex-prefeito de Vitória João Coser (PT), que assume o mandato deputado estadual em 2023.
A senadora Rose de Freitas (MDB), que perdeu a reeleição para o ex-senador Magno Malta (PL), recebeu 747.104 votos. Tem um capital político considerável e já disse que vai trabalhar pela reeleição de Casagrande.
O governador já acenou com o discurso que prepara para o segundo turno. Afirmou, em entrevista à CBN Vitória, que não pode haver retrocesso no estado e que o segundo turno vai ser um confronto entre projetos, mas também entre pessoas. Pretende ressaltar suas características pessoais.
Normalmente, o socialista destaca ser um homem do diálogo, com capacidade de agregar. É o que denota a ampla aliança que ele formou, com 11 partidos, que vão do PT de Lula ao PP, da base de Jair Bolsonaro (PL).
“Eleição do segundo turno é uma eleição diferente do primeiro turno. É uma eleição de confronto. Confronto de currículo, confronto de história, de características pessoais, políticas, resultado de mandatos. Modéstia à parte, nós temos um governo hoje que faz parte uma construção, de um resgate desse estado, que já passou por momentos de sombra. Não podemos correr o risco de ter retrocessos", alertou Casagrande.
“Sou grato à população capixaba, que me deu 47% dos votos no primeiro turno, uma votação expressiva, importante, em uma eleição em que o componente nacional pesou fortemente. Mas as minhas características pessoais, a capacidade de diálogo que eu tenho, sustentaram uma posição boa aqui no estado", avaliou.
LULA X BOLSONARO
No primeiro turno, quem mais nacionalizou a campanha pelo governo local foi Manato, que atrelou a própria imagem à do presidente da República, embora Magno Malta, na corrida pelo Senado, o tenha superado nesse quesito.
Casagrande declarou voto em Lula, mas o apoio público dele ao petista foi tímido.
O ex-presidente e o atual também estão em embate direto no segundo turno. Isso deve impactar o pleito no Espírito Santo, fatalmente trazendo temas nacionais e, principalmente, ideológicos à baila.
Isso não interessa muito a Casagrande. Se dependesse apenas dos eleitores do Espírito Santo, o presidente da República teria sido reeleito no primeiro turno, com 52% dos votos.
DESAFIO
O fato de Guerino e Aridelmo apoiarem Manato não significa que os eleitores que optaram por eles no primeiro turno vão necessariamente migrar para o candidato do PL.
Transferência de votos é algo complicado, longe de ser ciência exata.
O destino dos votos de Audifax são ainda mais um mistério. Teoricamente, quem vota na Rede tem predileção pela centro-esquerda, mas o ex-prefeito da Serra é um ponto fora da curva, uma vez que ele mesmo não se enquadra nesse espectro político.
Outro fator a ser levado em conta é que a abstenção em 2022 no Espírito Santo foi recorde. De acordo com dados da Justiça Eleitoral, 20,7% dos eleitores aptos a votar não o fizeram. É o maior percentual em 20 anos em eleições gerais.
Não estamos falando de votos em branco ou nulos e sim de pessoas que não foram às urnas mesmo. Pode ser que nem sequer tenham saído de casa ou que tenham desistido de enfrentar as longas filas que se formaram nos locais de votação.
Casagrande e Manato agora têm o desafio de empolgar essas pessoas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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