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COP-26

As mudanças climáticas de Casagrande e Bolsonaro

Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima, na Escócia, pretende regular mercado de carbono. Governador do ES vai lá. O presidente da República, não

Publicado em 29 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

29 out 2021 às 02:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O governador Renato Casagrande e o presidente Jair Bolsonaro
O governador Renato Casagrande e o presidente Jair Bolsonaro Crédito: Helio Filho/Secom|Marcos Corrêa/PR
Apesar de a ciência já ter demonstrado que as mudanças climáticas afetam sobremaneira o planeta e que isso ocorre, de forma significativa, devido à intervenção humana, há quem advogue a tese conspiratória de que nada deve ser feito para frear a degradação ambiental, uma vez que isso viria a beneficiar países desenvolvidos em detrimento das nações em desenvolvimento.
A teoria encontra adeptos, por exemplo, entre integrantes do governo Jair Bolsonaro (sem partido) e apoiadores do presidente da República. Tal ideia, no entanto, além de confrontar a boa produção científica, vai na contramão dos mercados consumidores dos produtos exportados pelo Brasil. Ou seja, ainda que sob o prisma econômico, o negacionismo ambiental é um tiro no pé.
Dito isso, vem aí a COP26 (26ª Conferência das Nações Unidas para a Mudança do Clima). O governador Renato Casagrande (PSB) vai participar. Ele viaja na noite desta sexta-feira (29) para a Escócia e vai ficar por lá durante uma semana.
O quão amigo do meio ambiente é o governo do socialista é uma questão controversa.
Vamos nos ater aqui ao fato de que Casagrande é o presidente do Consórcio Brasil Verde, uma instância do Fórum dos Governadores, ante a tibieza do governo federal em relação à questão ambiental. Outros chefes de Executivos estaduais vão à COP-26. Bolsonaro, não.
"Ele não se vacinou ...", lembra o governador do Espírito Santo, que tomou três doses de vacinas contra a Covid-19.
E o que o estado tem a apresentar? Casagrande cita o decreto 4938-R, de 2 de agosto de 2021, que estabelece "medidas de mitigação e absorção de
gases de efeito estufa, contemplando metas intermediárias de redução dessas emissões definidos pelo Protocolo de Quioto para os anos de 2030 e 2040 e a neutralização de emissões líquidas até 2050".
Traduzindo: "Se você emite 10 toneladas de carbono, tem que ter mudança de energia fóssil para renovável, por exemplo, que retire 10 toneladas de carbono da atmosfera", explicou o governador.
O decreto é assinado por Casagrande. Como 2030, 2040 e 2050 estão muito distantes, a coluna questionou o que pode ser feito desde já.
O texto determina a elaboração do Plano Estadual de Mudanças Climáticas, em até 12 meses. O plano vai "fundamentar e orientar a implantação da Política Estadual de Mudanças Climáticas". Ou seja, o plano tem que estar pronto e aprovado até agosto de 2022.
No mesmo prazo, o governo tem que atualizar o inventário de Gases de Efeito Estufa. O inventário mostra quais são as atividades que emitem mais carbono.

Qual o problema com o carbono?

A Pegada de carbono da humanidade é a principal causa das mudanças climáticas. Devido ao fato de que geramos emissões gás carbônico em ritmo muito mais rápido do que é possível absorver, existe um acúmulo de gás carbônico na atmosfera e no oceano.

O dióxido de carbono (CO2) é responsável por mais de 80% da poluição que gera o aquecimento global.

Fonte: WWF

Lá na COP, os governadores vão defender a regulamentação do mercado de carbono. Sim, é um negócio prejudicial, mas que vai gerar dinheiro.
"É uma tentativa de regulamentar o mercado de carbono no mundo. Isso vai injetar na economia brasileira um volume de recursos significativo. Se conseguir reduzir desmatamento e investir em energia renovável, o Brasil pode receber financiamento", previu o governador.
"O Brasil chega muito fragilizado à COP, com notícias negativas de desmatamento ilegal e postura negacionista do presidente da Republica. O país terá que assumir compromissos. O documento (para regular o mercado de carbono) tem que ser assinado por 190 países, ninguém pode se abster", resumiu.
Na mesma leva que Casagrande, vão à COP o governador de São Paulo, João Doria, e o do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite. Os dois disputam, no PSDB, o lugar de candidato à Presidência da República.
Quem tem o poder da caneta para assinar ou não documentos oficiais, no entanto, é o governo federal. Na ausência de Bolsonaro, o ministro do Meio Ambiente, Joaquim Leite, e o titular da pasta de Relações Exteriores, Carlos Alberto Franco França.
"O mundo caminha para a bioeconomia, para a sustentabilidade. A União Europeia não poderá comprar carne de área de desmatamento ilegal. Ou vamos nos enquadrar ou perderemos mercado, como já estamos perdendo. O Reino Unido, por exemplo, não terá mais carro a combustão em 2030. Ou os empreendedores caminham para essa direção ou vão ficar fora do mercado", alertou Casagrande.
Com o governador, vão para a Escócia o secretário estadual de Meio Ambiente, Fabrício Machado, e a diretora-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes), Cristina Engel de Alvarez.

"ESTRATÉGIA"

"Vou para o G20, mas a princípio não vou à COP [26]. É uma estratégia nossa. Mas o nosso ministro do meio ambiente vai”, afirmou Bolsonaro, na quarta-feira (27), em entrevista à TV A Crítica, do Amazonas.

EVAIR

Quem entrou no circuito, vejam só, foi o deputado federal Evair de Melo (PP), um dos vice-líderes do governo Bolsonaro na Câmara. Na véspera da viagem de Casagrande, o parlamentar informou que protocolou um requerimento de urgência a um projeto de leio para que o Brasil "apresente na COP-26 uma normativa firme sobre mercado de crédito de carbono".
"Os mercados internacionais geram um 'Mecanismo de Ajuste de Carbono na Fronteira', podendo levar a uma cobrança de tarifa adicional sobre produtos brasileiros, trazendo prejuízo à cadeia produtiva nacional, gerando perda de competitividade econômica. Nosso objetivo é assegurar o preço do carbono, protegendo o Brasil de novas taxações externas já anunciadas".

JACQUELINE ASSUME

Na ausência de Casagrande, quem assume o governo do estado é a vice-governadora Jacqueline Moraes (PSB). "Deixei nenhuma batata quente não", respondeu Casagrande à coluna.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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