O clamor por novas lideranças que, não necessariamente, resultam em “nova política”, tem sido uma constante no país. Aí fica a pergunta: quais novas lideranças há no Espírito Santo? No governo do Estado, duas forças políticas, capitaneadas por
Renato Casagrande (PSB) e
Paulo Hartung (sem partido) – e que já integraram o mesmo grupo – revezam-se no poder desde 2003.
Seria natural que tentassem emplacar alguém para o futuro, um sucessor, ou ao menos um nome menos tarimbado nas urnas. Hartung prefere falar apenas do cenário nacional.
Quanto a isso, é partidário da chamada terceira via, para fugir da polarização entre
Jair Bolsonaro (sem partido) e
Lula (PT). Já sobre a política capixaba ele não se arrisca, por enquanto, ao menos publicamente.
A coluna perguntou então a Casagrande quais novas lideranças ele tem ajudado a formar. O socialista listou nomes que compõem o próprio secretariado, pessoas, segundo ele, na faixa de 35, 40 anos, que poderiam representar “o novo” (aqui, frise-se, não estamos falando do partido Novo).
O governador diz que nem todos têm pretensão eleitoral, mas os considera gestores para o futuro. Vamos lá:
“São pessoas na faixa de 35, 40 anos, pessoas que estão trabalhando, independentemente de serem candidatos ou não, são gestores que estão sendo formados para ajudar a governar o estado agora e para o futuro”, diz Casagrande.
“Essas coisas acontecem com naturalidade. Não adianta pegar uma pessoa e formá-la. As pessoas têm que ir sendo formadas no exercício da tarefa delas no dia a dia. Temos lideranças novas dentro do governo, secretários. Algumas têm projeto político-eleitoral e outras, não. Tem gente na Assembleia com total possibilidade de tempo de serem projetadas como lideranças”, avalia.
“O que me cabe é incentivá-las, no governo, na Assembleia. A transição que eu tenho que fazer, já sou governador pela segunda vez. Vou decidir se sigo em frente ou não, mas minha tarefa é dar energia a essas pessoas que poderão estar nos substituindo no decorrer do tempo”, complementa.
Gilson Daniel é, talvez, considerando a possibilidade político-eleitoral, o que mais se destaca. Foi prefeito de Viana por duas vezes, elegeu o sucessor e agora ocupa uma secretaria de prestígio no governo estadual.
Ganhou visibilidade, inicialmente, com um episódio pouco abonador. Em 2015, já prefeito de Viana, foi flagrado pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) com R$ 41 mil em espécie no carro. Como transportar dinheiro vivo, por si só, não é crime, o caso foi encaminhado à Polícia Federal e não teve consequências jurídicas. Gilson Daniel alegou que os recursos eram frutos de economia e seria usado para comprar uma sala comercial. A quantia foi devolvida a ele.
Ele vai disputar uma vaga na Câmara Federal em 2022.
O mesmo pode se dizer de alguns dos demais listados, entre os que têm pretensões eleitorais, obviamente. Edmar Camata já foi candidato a deputado federal pelo PSB, mas não é mais filiado ao partido; Tyago Hoffmann (PSB) é um dos homens fortes do governo; Davi Diniz já foi do Cidadania (antigo PPS), assim como Lenise, que foi candidata a deputada federal.