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Eleições 2022

As pedras no caminho de Rose de Freitas

Senadora está na reta final do mandato. Se tentar a reeleição, não vai ter vida fácil

Publicado em 06 de Janeiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

06 jan 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Senadora Rose de Freitas (MDB)
Senadora Rose de Freitas (MDB) Crédito: Jefferson Rudy/Agência Senado
Este ano apenas uma vaga no Senado vai estar em disputa no Espírito Santo, a que é ocupada por Rose de Freitas (MDB). Veterana da política capixaba, a parlamentar está no primeiro mandato como senadora, mas ocupa cargos eletivos, sem cessar, desde 1983, quando tomou posse como deputada estadual.
De 1987 até 2015 foi deputada federal. Em 31 de janeiro de 2023 acaba o período de Rose no Senado. Ela pode, no entanto, tentar a reeleição, para ficar lá por mais oito anos.
Se for essa a intenção da emedebista, ela vai encontrar diversas pedras pelo caminho.

OPERAÇÃO CORSÁRIOS

A Corsários apontou a atuação de uma organização criminosa na Companhia Docas do Espírito Santo (Codesa). Mandados de busca e apreensão foram cumpridos no apartamento funcional da senadora, em Brasília, e na casa dela, em Vitória.
A investigação trata de fatos ocorridos entre 2015 e 2018. Nesse período, como já mencionado, Rose era deputada federal, não ocupava cargo na Codesa, mas pessoas ligadas a ela, como um irmão, sim.
A PF encontrou indícios de que dinheiro desviado da Codesa foi usado para bancar despesas pessoais da parlamentar, como quitação de boletos de imóveis e faturas de cartão de crédito.
Rose nega ter praticado qualquer irregularidade. A defesa dela afirmou que as contas foram pagas de forma lícita e regular.
Desnecessário dizer, no entanto, que a operação arranhou a imagem da senadora, complicando planos eleitorais.

RENOVAÇÃO

Em 2018, outros veteranos foram derrotados. Naquele ano, duas cadeiras no Senado estavam em disputa, as de Magno Malta (PL) e Ricardo Ferraço (então filiado ao MDB). Os dois tentaram a reeleição.
Acabaram substituídos, por escolha do eleitor, por Fabiano Contarato (então filiado à Rede) e Marcos do Val (então filiado ao Cidadania).
A onda de renovação, ao menos em relação aos senadores, bateu forte na reta final do pleito. Se tal onda se repetir, pior para Rose.

PH

Outro fator que pode interferir nos planos de quem quiser disputar o Senado é o ex-governador Paulo Hartung (sem partido). Ele saiu do MDB de Rose. Os dois, mesmo quando correligionários, não eram muito próximos.
Hartung ainda não afirmou se vai ou não disputar as eleições deste ano. Há conjecturas para que ele se filie ao PSD e concorra ao Senado. Se isso se tornar realidade, o ex-governador seria um páreo duro a ser batido.

MDB

Rose enfrenta, desde já, descaminhos no próprio partido. Desde a saída de Hartung, o partido vive um clima de barata-voa, com interferência da Executiva nacional e pedidos de novas interferências.
Quem comanda a sigla no Espírito Santo é justamente Rose de Freitas, instituída presidente da comissão provisória estadual, mas há dissidências.
O prefeito de Linhares, Guerino Zanon, eleito pelo MDB, movimenta-se para disputar o governo do estado, mas não tem o apoio da cúpula local do partido, controlada por Rose.
Para os correligionários detratores da senadora, Rose alinhou-se ao governador Renato Casagrande (PSB) e não daria espaço para Guerino entrar na corrida pelo Palácio Anchieta. Assim, o prefeito já anunciou, mais de uma vez, que está de malas prontas para deixar a legenda.    

CASAGRANDE

Rose teria se aproximado de Casagrande confiando que ele a apoiaria na disputa pela reeleição ao Senado. 
A vaga de candidato, ou candidata, ao Senado é uma das posições em uma chapa majoritária – formada por candidatos a governador, vice se senador –, a ser negociada com partidos aliados. 
Casagrande poderia fechar parceria com Rose apenas para dificultar a vida de Guerino no MDB. Mas será?
O governador, supondo ser candidato à reeleição, bancaria o apoio a Rose até o fim, considerando as outras pedras no caminho? Cenas dos próximos capítulos. 

O QUE ROSE TEM FEITO

Após a Operação Corsários, Rose raramente fala com a imprensa local. Não foi diferente desta vez, a coluna não conseguiu contato com ela nesta quarta-feira (5).
A senadora, no entanto, não está parada. Conseguiu uma posição de prestígio, presidiu a Comissão Mista do Orçamento.
Uma das marcas da parlamentar é ser "municipalista", ou seja, atuar para destravar pleitos de prefeitos em Brasília, o que segue fazendo. 
Ela apareceu em levantamento realizado pelo jornal O Globo como uma das parlamentares que destinou verbas em emendas por meio do orçamento secreto, um mecanismo pouco transparente que direciona verbas para redutos eleitorais, principalmente, de aliados do governo Bolsonaro. 
Rose vez por outra critica o governo, mas conseguiu emplacar R$ 19,6 milhões em emendas no orçamento secreto. De acordo com a assessoria da senadora, o dinheiro foi para prefeituras do interior do Espírito Santo, para realização de obras de pavimentação e drenagem.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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