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Eleição da Mesa

Assembleia do ES chega ao Dia D após reviravolta, acusações de traição e dossiê

A eleição da Mesa Diretora, nesta quarta-feira (1°), vai ser em chapa única, liderada por Marcelo Santos (Podemos). Aliado de Vandinho Leite (PSDB) vai ser o vice

Publicado em 01 de Fevereiro de 2023 às 02:10

Públicado em 

01 fev 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Sessão esvaziada da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Ana Salles/Ales
Normalmente, o dia da eleição da Mesa Diretora da Assembleia Legislativa não guarda surpresas. A última vez em que houve disputa, de verdade, foi há 20 anos, quando duas chapas concorreram. Dá lá para cá, o pleito sempre foi realizado em chapa única. E com voto aberto. O primeiro quesito é uma opção dos deputados. O segundo tem previsão na Constituição Estadual e no Regimento Interno da Casa.
Desta vez, a tradição vai ser mantida, mas após uma negociação conturbada. Vandinho Leite (PSDB), conforme a coluna apurou nas primeiras horas da manhã desta quarta-feira (1º), recuou e fechou com o grupo de Marcelo Santos (Podemos), que já tinha apoio suficiente entre os colegas para ser eleito. Isso, claro, mediante compensações ao tucano e aos aliados dele.
A sessão em que os deputados estaduais vão eleger a Mesa Diretora que vai comandar a Casa pelos próximos dois anos está marcada para as 15h desta quarta.
Excepcionalmente, houve um suspense no ar. Quem ocuparia os postos de vice-presidente e secretários? Apoiadores mais fiéis de Vandinho, ou o próprio, vão (mais cedo ou mais tarde) se voltar contra o Palácio Anchieta, que apoia Marcelo?
Pois o braço direito do tucano, Hudson Leal (Republicanos), foi alocado como vice-presidente na chapa governista. Eis um dos gestos que garantiu o acordo.
O desfecho não foi simples. Aliás, os bastidores das articulações para a eleição da Mesa Diretora contaram, até aqui, com elementos peculiares.
Inicialmente, cinco nomes, todos integrantes da base do governador Renato Casagrande (PSB), foram cotados para disputar a presidência da Assembleia.
A disputa acabou polarizada entre Marcelo Santos e Vandinho Leite. O último angariava mais apoio entre os pares. Mas com uma observação: muitos dos deputados deixavam claro que, se Casagrande, pedisse, mudariam de ideia.
A REVIRAVOLTA
O fato é que, se o Palácio Anchieta não interferisse, provavelmente o tucano seria eleito para comandar a Casa nesta quarta. Entre os aliados de Vandinho, entretanto, estavam integrantes da oposição ao governo – a maior parte das bancadas do PL e do Republicanos e os parlamentares mais bolsonaristas da Casa.
O próprio Vandinho já se postou contra Casagrande. Há dois anos, alinhou-se à base governista.
Marcelo, embora não possa ser considerado o candidato dos sonhos do chefe do Executivo estadual, é mais próximo ao socialista. Ao menos está no time de aliados há mais tempo que o deputado do PSDB. E não se aliou diretamente a opositores do Palácio na corrida pela Mesa Diretora.
Aí veio a reviravolta. Casagrande decidiu apoiar Marcelo Santos, abertamente, o que é bastante incomum.
Diversos deputados inicialmente simpáticos a Vandinho migraram para o lado do deputado do Podemos.
Na terça-feira (31), ele contava com 18 apoiadores. Para ser eleito, bastam 16 votos.
"TRAIÇÃO"
Enquanto os aliados migravam, vieram acusações de traição e clamores para que parlamentares eleitos e reeleitos ignorassem a orientação de Casagrande.
O grupo encabeçado pelo tucano passou a articular o lançamento de uma chapa para disputar contra a de Marcelo.
Apoiadores de Vandinho cogitaram acionar o Supremo Tribunal Federal para que o voto fosse secreto na eleição. Seria uma aposta muito incerta. E nem daria tempo. 
O voto vai ser aberto. A Procuradoria da Assembleia já emitiu um parecer e concluiu que não há possibilidade legal para o sigilo.
DOSSIÊ
Como, talvez, uma última cartada de alguns aliados de Vandinho, começou a circular uma espécie de dossiê contra Marcelo Santos, com acusações apócrifas que a coluna não vai mencionar, pois carecem de provas.
BOMBEIROS
Coube ao Palácio Anchieta, que jogou gasolina na fogueira com uma articulação desencontrada, tentar acalmar os ânimos. O próprio Casagrande reuniu Vandinho e Marcelo no último domingo (29) para facilitar um acordo entre os dois.
E AGORA?
Para além da eleição da Mesa Diretora, a questão é se vai haver cicatrizes dessa briga, ainda que ela não tenha se concretizado, com a inscrição de duas chapas.
Hudson Leal avaliou, no último dia 23, por exemplo, que a decisão de Casagrande de apoiar Marcelo "jogou muita gente na oposição".
Um deputado da base aliada tem outra visão: "Às vezes, no calor de uma disputa eleitoral, alguém acaba falando mais do que devia, mas tudo pode ser dialogado. O Hudson só não fica na base do governo se não quiser".
Aparentemente, a paz foi selada.
Com Vandinho também estava o deputado estadual reeleito Danilo Bahiense (PL), que chegou a figurar como possível vice-presidente na chapa do tucano.
O parlamentar do PL é visto como "alguém que mantém diálogo respeitoso com a Casa Civil" e, de acordo com um governista, poderia até exercer um mandato independente, não necessariamente opondo-se a todas as pautas propostas pelo Palácio Anchieta.
"NÃO QUEREMOS ROMPER PONTES", DIZ CASAGRANDE
Marcelo Santos e Renato Casagrande conversam, ao fundo, enquanto o presidente do TCES, Rodrigo Chamoun, fala ao microfone
Marcelo Santos e Renato Casagrande conversam, ao fundo, enquanto o presidente do TCES, Rodrigo Chamoun, fala ao microfone Crédito: Divulgação/TCES
A coluna questionou o próprio governador Renato Casagrande sobre a possibilidade de a oposição sair reforçada disso tudo.
"De jeito nenhum. Os deputados da base que têm boa relação conosco vão continuar tendo boa relação com a gente. Vamos tentar fazer relação com outros também. Não queremos romper pontes com nenhum parlamentar", respondeu, nesta terça-feira (31).
Na véspera da eleição, na tarde de terça, Casagrande e Marcelo estiveram lado a lado em um evento público, a sessão especial de abertura do exercício de 2023 realizada pelo Tribunal de Contas do Espírito Santo.
O deputado compôs a mesa de autoridades como representante da Assembleia, uma vez que é o atual vice-presidente da Casa. Ele e o governador conversaram (cochicharam) durante parte da solenidade. 
Na saída, ao falarem com a coluna, em momentos diferentes, usaram palavras muito parecidas ao defenderem a inscrição de apenas uma chapa na eleição da Mesa Diretora da Assembleia. 
"É bom para o governo, para os parlamentares e para a Assembleia", afirmou Casagrande.
"Seria muito bom para o parlamento, para o governo e para o Espírito Santo", disse, por sua vez, Marcelo Santos.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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