Audifax cola adesivo do PP no peito e nega disputar a Prefeitura de Vitória
Eleições 2024
Audifax cola adesivo do PP no peito e nega disputar a Prefeitura de Vitória
A coluna teve que perguntar, afinal, tem até pesquisa de intenção de voto na praça questionando os eleitores sobre a possibilidade de o ex-prefeito da Serra concorrer na Capital
Publicado em 18 de Julho de 2023 às 08:29
Públicado em
18 jul 2023 às 08:29
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Audifax Barcelos na convenção do PPCrédito: Letícia Gonçalves
O ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos foi uma das presenças na concorrida convenção do Progressistas, no sábado (15), em Vitória. Da esquerda à direita, como a coluna mostrou, diversas lideranças políticas incensaram o novo presidente estadual do PP, o deputado federal Da Vitória.
Audifax deixou o local mais cedo. Ele descia a rampa do cerimonial da Aspomires (Associação dos Militares da Reserva, Reformados, da Ativa da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros) quando deparou-se com esta colunista.
O ex-prefeito exibia no peito — sobre a camisa — um adesivo do PP, que foi distribuído a todos que chegavam à convenção. Ele foi convidado a se filiar ao partido. Dias antes, na segunda-feira (10), reuniu-se com toda a diretoria do Progressistas, que reforçou o chamado.
Audifax, contudo, segue sem partido. "Eu pedi um tempo e agradeci também. Acho que eu não tenho que definir isso agora, né? A gente tem tempo, vou decidir isso mais para frente", contou, à coluna.
Quem quiser ser candidato em 2024, tem que estar filiado a algum partido até seis meses antes da eleição, o que corresponde ao início de abril do ano que vem.
O ex-prefeito da Serra saiu da Rede, um partido de centro-esquerda, em outubro de 2022.
Após passar por PT, PDT e PSB, ele deixou a legenda da ministra Marina Silva para apoiar, no segundo turno, o então candidato do PL ao governo do Espírito Santo, Carlos Manato, cuja figura estava entrelaçada ao ícone da extrema direita brasileira, Jair Bolsonaro.
Agora, o ex-prefeito fala com naturalidade sobre a possibilidade de integrar os quadros do PP, um partido de direita que personifica o Centrão.
A bem da verdade, Audifax nunca foi propriamente um político identificado com a esquerda. Tanto que, no ano passado, o PSOL, federado com a Rede, nem o apoiou na corrida pelo Palácio Anchieta.
O próprio ex-prefeito se define como de esquerda, considerando o combate às desigualdades sociais; de direita, nos costumes, e de centro em relação à economia.
VITÓRIA OU SERRA?
A definição da sigla à qual vai se filiar é crucial para o destino de Audifax em 2024. Leitor da coluna já até recebeu telefonema com um extenso questionário a respeito da disputa pela Prefeitura de Vitória.
Tradicional nome da Serra, onde foi prefeito por três mandatos, o ex-redista apareceu como opção a ser escolhida pelo eleitor da Capital, na simulação de cenários.
À coluna, Audifax revelou que recebeu convite de dois partidos para protagonizar a empreitada em Vitória. Mas descartou a ideia.
"Fiquei feliz e honrado com isso, tenho muita relação com Vitória, morei aqui durante 30 anos. mas a nossa base é a Serra, nosso foco é a Serra", resumiu.
Apesar de, principalmente, nas redes sociais, dar sinais de que pretende tentar um quarto mandato à frente da prefeitura serrana, ele titubeia:
"Vou deixar essa definição mais para frente, diferentemente do ano passado. No ano passado, eu afirmava para vocês e assumia o compromisso com todo mundo que eu era candidato a governador. Agora, é diferente, não estou assumindo esse compromisso com ninguém. Tenho disposição, saúde e vontade (de disputar a Prefeitura da Serra), mas a construção vai ser definida lá na frente."
RESULTADO DE 2022
Em 2022, realmente, com bastante antecedência, Audifax Barcelos já colocava o bloco na rua e se dizia pré-candidato ao Palácio Anchieta, o que se confirmou.
O desempenho do então redista, porém, foi tímido. Ele obteve 6,51% dos votos e ficou em quarto lugar. Ele creditou o resultado ao fato de não ter se posicionado na balança ideológica.
Ser de esquerda, de direita e de centro ao mesmo tempo e não ter apoiado nem Bolsonaro nem Lula (PT) na corrida presidencial cobrou um preço.
O capital político do ex-prefeito, que desde dezembro de 2020 está na planície, sem mandato, está em teste. Por isso, a cautela.
O PP, por sua vez, esteve no palanque do governador desde o início e compõe a administração estadual.
Para completar, o Progressistas também tem proximidade com o PDT do atual prefeito da Serra, Sérgio Vidigal, rival de Audifax. O presidente estadual dos pedetistas, Weverson Meireles, que é secretário de Turismo de Casagrande, esteve na convenção, no sábado.
Se o PP filiar Audifax para lançá-lo à Prefeitura da Serra no ano que vem, vai entrar em rota de colisão com Vidigal, aliado do governador.
É uma equação eleitoral difícil de resolver.
"Audifax é um bom quadro, um líder já provado nas urnas e, naturalmente, seria uma alternativa para definir um caminho no município de Serra", afirmou Da Vitória.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.