“Quero ser candidato ao governo e com Hartung candidato ao Senado. Seria muito bom para mim, e para ele também, se ele fosse candidato a senador na minha chapa. Eu disse isso a ele”, contou Audifax. Questionado sobre a reação do ex-governador, o ex-prefeito resumiu: “Ele sorriu, apenas”. O ex-governador é de fazer mistério.
Em conversa com a coluna, Audifax confirmou outra movimentação, que também não passa despercebida: a aproximação com o prefeito de Linhares, Guerino Zanon (MDB).
Guerino é pré-candidato ao governo do estado, ainda que tenha que sair do MDB para tal. Então temos aí dois pré-candidatos ao comando do Executivo estadual que se perfilam. Cheiro de formação de chapa no ar? O próprio Audifax emitiu sinal positivo:
“Tenho conversado com ele. Foi e é um grande prefeito, gestor e liderança no Espírito Santo. A candidatura dele tem meu apoio e simpatia. Existe, sim, aproximação com ele. Isso (uma chapa formada por Audifax e Guerino para disputar o governo do estado) é possível”.
Numa eventual chapa, um seria candidato a governador e o outro, vice. Mas quem seria o “um” e quem seria o “outro”? “Essas coisas têm que se construir. Acima de nomes, tem que ter um projeto”, emendou o ex-prefeito da Serra.
Apesar de ter uma longa carreira na política – 20 anos como secretário no Poder Executivo, 12 anos como prefeito e dois como deputado federal –, Audifax pretende se apresentar como “o novo”, já que nunca foi governador.
E embora um aliado tenha dito que ele poderia disputar um lugar no Legislativo (menos uma cadeira na Câmara dos Deputados), o ex-prefeito se diz pouco, ou nada, vocacionado ao parlamento.
“O perfil do Audifax é ser gestor”, afirmou o próprio Audifax.
RELAÇÃO COM CASAGRANDE
O ex-prefeito já integrou os quadros do PSB, partido do governador Renato Casagrande. Hoje, tem críticas ao governo do socialista.
“Garanto a manutenção da nota A em finanças e o avanço na transparência. Mas garanto resultados melhores que o atual governo. O estado pode muito mais. Na Serra, fizemos um volume de entregas muito grande, apesar da pandemia”, afirmou.
“O volume de entregas e avanços, em todos os campos, poderia ser maior por parte do governo do estado, mesmo com a pandemia”, complementou.
Entre querer ser candidato e conseguir emplacar o nome nas urnas em 2022, no entanto, há um longo caminho. “Este projeto eu topo liderar, mas se a sociedade, se as lideranças políticas, entenderem que o líder não tem que ser eu, eu recuo”, adiantou, para em seguida complementar que vai ser candidato “se for da vontade de Deus”.
Ele mesmo (Audifax, não Deus) admite ter uma certa limitação geográfica. É mais conhecido na Região Metropolitana da Grande Vitória e pouco conhecido, principalmente, nos municípios da região Sul.
Não é por acaso que postou foto no Facebook todo sorridente em Cachoeiro de Itapemirim com o Frade e a Freita ao fundo. E é talvez devido a esse déficit que precise de uma atuação mais incisiva de Paulo Hartung. A ver.
É DE ESQUERDA, DE DIREITA E DE CENTRO
Filiado à Rede Sustentabilidade, partido das ex-senadoras Marina Silva e Heloísa Helena, Audifax garante que não sai da legenda. A Rede tem os senadores Randolfe Rodrigues (AP) e Fabiano Contarato (este já fez as malas para deixar a sigla), críticos contumazes do governo Bolsonaro.
No Espírito Santo, embora Casagrande não diga se vai ou não disputar a reeleição, o cenário com que as lideranças políticas trabalham é o de que o socialista vai tentar mais um mandato. E o ex-deputado federal Carlos Manato (sem partido) já se colocou na disputa.
Embora já tenha integrado os quadros do PDT de Leonel Brizola, Manato surgiu em 2018 como bolsonarista convicto, entoando gritos de guerra da direita.
Já Audifax diz querer “fugir da questão ideológica” e, num malabarismo verbal, define-se, ao mesmo tempo, como de esquerda, de centro e de direita:
“Se ser de direita é dar atenção aos costumes no que diz respeito à proteção à família, proteção à igreja, pode me chamar de direita. Se ser liberal, ou de centro, é proteger as indústrias, criar empregos, criar polo tecnológico, pode me chamar de liberal. Se ser de esquerda é ter pauta ambiental, ser contra o feminicídio e distribuir renda, pode me chamar de esquerda”, resumiu.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.