Audifax se filia ao PP e alerta: "Não é qualquer um que pode ser prefeito da Serra"
"Vamos pra cima"
Audifax se filia ao PP e alerta: "Não é qualquer um que pode ser prefeito da Serra"
Ex-prefeito da cidade por três mandatos não lançou pré-candidatura, mas disse estar disposto a concorrer em 2024. Audifax usou evento de filiação para criticar Sérgio Vidigal (PDT) e mandar indiretas para "político caçador de likes"
Publicado em 02 de Dezembro de 2023 às 16:17
Públicado em
02 dez 2023 às 16:17
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Marcos Delmaestro, Josias da Vitória, Audifax Barcelos e Evair de MeloCrédito: Caique Maron/Divulgação
O evento de filiação do ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos ao PP, na manhã deste sábado (2), serviu de palco para críticas ao atual prefeito, Sérgio Vidigal (PDT), e indiretas contra "políticos caçadores de likes". O novo integrante do Progressistas já comandou a cidade por três mandatos e disse estar disposto a concorrer mais uma vez, em 2024. "Se depender do Audifax, da sua saúde, da sua cabeça, da sua energia e determinação, nós vamos para cima com força", afirmou o ex-prefeito, referindo-se a si mesmo em terceira pessoa, ao discursar.
Questionado pela coluna se isso significa o lançamento de uma pré-candidatura, ponderou: "Não. Foi o primeiro ato de um processo que se inicia hoje, com a filiação ao PP. Agora, nós vamos construir isso, ouvindo outros partidos e ouvindo a cidade".
Quando disputou o governo do Espírito Santo, em 2022, pela Rede, Audifax foi mais ousado e anunciou com bastante antecedência que estava no páreo. Por diversos fatores, teve um resultado tímido no pleito, ficou em quarto lugar, não foi o mais votado nem na Serra. Desta vez, o ex-prefeito está mais cauteloso.
A candidatura de Vidigal à reeleição é dada como certa e o pedetista conta com o apoio do governador Renato Casagrande (PSB). Assim, quem entrar na corrida contra o atual prefeito vai enfrentar duas máquinas públicas, a municipal e a estadual.
O neoprogressita está na planície, sem mandato ou cargo público, desde janeiro de 2021.
Enquanto isso, faz contas para apontar que o cenário a partir de 2025 vai ser desafiador na Serra, independentemente de quem seja o prefeito, devido aos efeitos da reforma tributária.
"O próximo prefeito da cidade da Serra não pode ser qualquer um, tem que estar preparado. Vai enfrentar, além do caos na Saúde, uma dívida sem tamanho", discursou.
Em entrevista, apontou que a Serra deve perder, anualmente, R$ 250 milhões em arrecadação devido aos efeitos da reforma: "Isso vai afetar os investimentos na cidade".
Entre as alfinetadas em Vidigal, bradou que o pedetista vai "fazer loucuras" para se reeleger. Alguém da plateia ainda ironizou: "E olha que ele (Vidigal) é psiquiatra".
"O prefeito, em 2012, fez loucuras para tentar se reeleger. No ano que vem, vai fazer as mesmas loucuras"
Audifax Barcelos (PP) - Ex-prefeito da Serra
Ele não mencionou o nome de outros possíveis adversários, mas, ao dizer, mais de uma vez, que "não é qualquer um que pode ser prefeito da Serra", refere-se, indiretamente, a pré-candidatos sem experiência na administração pública.
Um dos pré-candidatos é o deputado estadual Pablo Muribeca, ex-vereador da cidade que recentemente filiou-se ao Republicanos.
Pois além de enfrentar Vidigal e Casagrande, Audifax tem outros problemas, como a movimentação de Muribeca.
O ex-prefeito ainda ironizou que "a gente vê muito hoje na política muito caçador de likes", mas negou ter sido um recado específico para alguém.
ALIADOS
O ex-deputado federal Carlos Manato (PL) compôs a mesa do evento de filiação e garantiu, em entrevista à coluna, que vai apoiar o ex-prefeito, se este disputar mesmo a Prefeitura da Serra, ainda que o PL lance um nome próprio.
"Eu disse a ele: 'Se você for candidato em 2024, eu estarei com você'. E vim cumprir minha palavra. Mas é uma palavra de pessoa física, não um compromisso do partido", ressaltou Manato.
Representantes do Novo, do Agir e do PRD (resultado da fusão entre Patriota e PTB) também prestigiaram a filiação. O Novo tem pré-candidato a prefeito, o empresário Wilson Zon.
Para que a pré-candidatura de Audifax ganhe força, uma aliança mais robusta seria necessária, apesar do tamanho do próprio PP, que tem estatura no estado.
RELAÇÃO COM CASAGRANDE
Na disputa pelo Palácio Anchieta, o ex-prefeito da Serra fez duras críticas à gestão de Casagrande. Sem contar o fato de ter apoiado Manato publicamente no segundo turno e ter se juntado ao time de estrategistas da campanha do candidato do PL. A vitória do socialista foi suada.
Se voltasse a comandar a prefeitura em 2025, Audifax teria que se relacionar com o governador, que vai ficar no cargo até 2026. Como seria isso? O próprio Audifax respondeu que teria uma relação institucional e pacífica com Casagrande, em busca de investimentos para a cidade. "Mas a gente vive em uma democracia e eu posso fazer algumas críticas", complementou.
POR QUE O PP?
Audifax Barcelos sempre foi filiado a partidos de esquerda ou centro-esquerda: PT, PDT, PSB e Rede. O PP, embora seja uma sigla do Centrão na Câmara dos Deputados que, via de regra, adere ao governo da ocasião, no Espírito Santo abriga, principalmente, políticos de direita.
"Anos atrás, essa definição de polarização não era tão forte como está agora. Vários nomes de direita estavam em partidos de esquerda, como o (deputado federal) Evair (hoje no PP), que foi do PV; o próprio Manato, que era do PDT... Se você olhar a minha história, vai ver que sempre fui mais do campo conservado. Sou casado há 33 anos, quando se coloca a questão da igreja (Audifax é da Igreja Batista), isso não é narrativa, é a minha vida. Então a escolha pelo PP está alinhada com a minha trajetória", justificou o ex-prefeito.
Ele não mencionou isso, mas há um componente pragmático para tal decisão. O PP é o partido que garantiu que daria espaço para Audifax disputar a prefeitura da Serra no ano que vem.
O Progressistas não deve ter candidato a prefeito em nenhuma das outras principais cidades da Grande Vitória — Vitória, Vila Velha e Cariacica —, logo, para marcar posição na região metropolitana, é interessante que dispute na Serra.
"Para nós, ele já é o nosso pré-candidato a prefeito", resumiu o presidente estadual do PP, deputado federal Da Vitória.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.