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Eleições 2024

"Blefe" e "artimanha": Muribeca rechaça sair do jogo na Serra

Nos bastidores da política serrana, surgiu o rumor de que a pré-candidatura do deputado poderia ser retirada. Presidente estadual do Republicanos nega

Publicado em 02 de Julho de 2024 às 17:11

Públicado em 

02 jul 2024 às 17:11
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O deputado estadual Pablo Muribeca no plenário da Assembleia Legislativa
O deputado estadual Pablo Muribeca no plenário da Assembleia Legislativa Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O deputado estadual Pablo Muribeca (Republicanos), pré-candidato a prefeito da Serra, é frequentemente referenciado pelos adversários como "retrocesso", "amador" ou "tiktoker". Muribeca foi vereador da cidade por dois anos e exerce o primeiro mandato na Assembleia Legislativa.
Com seu indefectível chapéu e estilo estridente, é estereotipado como um político "folclórico". As críticas, obviamente, partem de quem não tem simpatia por ele.
Independentemente da veracidade ou não do conteúdo dos ataques, o fato é que o republicano preocupa os demais pré-candidatos a prefeito. 
O deputado se apresenta como "o novo", alguém capaz de acabar com a hegemonia de Sérgio Vidigal (PDT) e Audifax Barcelos (PP), os únicos prefeitos que a Serra teve, em períodos alternados, desde 1997.
O alvo principal de Muribeca é Vidigal, atual prefeito, que apoia Weverson Meireles (PDT) no pleito de 2024.
Nos bastidores, entretanto, alguns acreditam que o republicano tem um "teto" de intenções de voto e que, num eventual segundo turno, seria derrotado por qualquer um dos demais pré-candidatos.
Com base nessa especulação, outra conjectura surgiu: o Republicanos poderia retirar a candidatura de Muribeca e apoiar Audifax, que tenta ser eleito prefeito mais uma vez em 2024.
Em troca, o PP de Audifax subiria de vez no palanque do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), pré-candidato à reeleição. "Pois a prioridade do Republicanos é Vitória", avaliou uma fonte da coluna.
A saída de Muribeca beneficiaria Weverson, o vereador Igor Elson (PL), também pré-candidato a prefeito da Serra, mas principalmente Audifax.
Essa possibilidade, contudo, de acordo com o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, é nula:
"Não existe essa possibilidade. A candidatura do Pablo é tão prioritária quanto a do Pazolini. (O rumor) é um blefe rasteiro de gente da Serra que tem medo de enfrentar o Pablo no segundo turno. Isso não parte da cúpula do PP".
De fato, o PP está próximo de Pazolini há tempos, sem que o "fator Serra" tenha entrado na equação.
"Os adversários querem confundir o eleitor da Serra com essas artimanhas. Audifax tem tentado nos procurar para abrir diálogo, como diz tentar dialogar com outros pré-candidatos, mas conosco não houve conversa", complementou o próprio Muribeca.
Erick Musso lembrou, em entrevista à coluna, que PP e Republicanos estão juntos em alguns municípios e disputam um contra o outro em outras cidades. Normal.
Vidigal já disse e reafirmou que não vai disputar a reeleição. O pré-candidato do PDT na Serra é mesmo Weverson Meireles. 
O jovem pedetista tem o desafio de se postar como novidade no cenário político serrano, estratégia de Muribeca, mas, ao mesmo tempo, está umbilicalmente ligado ao padrinho político.
Pesquisas de intenção de voto contratadas por partidos, para consumo interno, mostram que Vidigal, numa simulação em que o chefe do Executivo municipal seria o candidato, largaria com muito mais chances que Weverson.
Isso era previsível, já que o político veterano é mais conhecido, tem mais "recall". Sem Vidigal no páreo, porém, parte dos votos migram não para o pré-candidato do PDT e sim para ... Audifax, seu arquirrival.
Parece contraditório, mas, a bem da verdade, Vidigal e Audifax já foram aliados, são da mesma escola política. Para o eleitor que prefere a segurança do já conhecido a testar um nome novo, a escolha é compreensível.
O Republicanos quer passar a ideia de que Weverson ou Vidigal tanto faz. "Quem quer ganhar campeonato não escolhe adversário", provocou Erick Musso.
Audifax percorre a Serra e está com a pré-campanha aquecida, mas não tem concedido entrevistas.
Para encerrar o assunto, é preciso lembrar que o Republicanos decidiu lançar um nome próprio na Serra de qualquer forma. 
Antes da consolidação de Muribeca, havia a possibilidade de o deputado federal Amaro Neto, que tem domicílio eleitoral na cidade, ser o candidato.
O cenário eleitoral serrano, hoje, é o seguinte: 
- Vidigal está fora da corrida, ao menos diretamente; 
- Weverson é o pré-candidato do PDT, conta com a máquina municipal a seu favor e com o endosso do governador Renato Casagrande (PSB). Já foi secretário estadual de Turismo e ocupou cargos no primeiro escalão na Prefeitura da Serra; 
- Pablo Muribeca é pré-candidato para valer pelo Republicanos, faz parte da base aliada ao governador na Assembleia, mas tem um pé no conservadorismo. Sentou à mesa quando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi homenageado no Legislativo estadual, por exemplo;
- Audifax Barcelos é a principal aposta do PP na Grande Vitória e tem o apoio declarado, entre outros, de Carlos Manato (PL), que disputou o Palácio Anchieta em 2022 e contou com o auxílio de Audifax no segundo turno; 
- Igor Elson, vereador do PL, embora não conte com Manato, espera que o próprio ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) vá à Serra pedir votos para ele à população. O parlamentar já foi secretário municipal na gestão Audifax;
- Roberto Carlos, do PT, ex-deputado estadual, também concorre à prefeitura. Apesar de PT e PDT serem aliados históricos, desta vez não estão lado a lado;
- Wilson Zon, empresário, é o nome do Novo à Prefeitura da Serra.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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