Camila Valadão: "PSOL tem autoridade eleitoral para apresentar projeto para Vitória"
Eleições 2024
Camila Valadão: "PSOL tem autoridade eleitoral para apresentar projeto para Vitória"
Deputada estadual é pré-candidata à prefeitura da capital do ES. Partido "seguirá dialogando com as forças progressistas para a construção de alternativas para derrotar o atual prefeito Lorenzo Pazolini"
Em 2020, Camila Valadão foi eleita para ocupar uma cadeira na Câmara de Vitória. Foi a primeira vez que o PSOL conseguiu emplacar alguém na Casa. Em 2022, Camila alçou um voo maior e obteve uma vaga na Assembleia Legislativa.
A ideia é que a parlamentar dispute o comando do Executivo em 2024, mas a mesma resolução registra que o PSOL "seguirá dialogando com as forças progressistas para a construção de alternativas para derrotar o atual prefeito Lorenzo Pazolini".
"Mas, em Vitória, saímos do pleito de 2022 com autoridade eleitoral para apresentar um projeto político para a cidade, uma candidatura. Em 2022, tivemos a maior votação para deputado estadual e federal em Vitória", ressaltou Camila Valadão, em entrevista para a coluna, no domingo (17).
"Está muito cedo para fechar uma estratégia, definir qual a melhor forma de os partidos agirem, se lançando apenas uma candidatura progressista ou várias", ponderou.
"Temos que derrotar a extrema direita, que é o Assumção (pré-candidato pelo PL), e a direita conservadora, que é o Pazolini (atual prefeito, filiado ao Republicanos)", deixou claro.
"A gente pode ter um cenário, que eu acho pouco provável, que é ter Pazolini e Assumção no primeiro turno. Se for assim, pode ser necessário um esforço de unidade do campo progressista", avaliou.
Camila aposta que Capitão Assumção não vai aparecer nas urnas e que o PL, no fim das contas, vai apoiar a reeleição do atual prefeito.
Em 2022, no total, Camila Valadão recebeu 52.221 votos, sendo 16.541 em Vitória. Agora, empolgado com o resultado, o PSOL tem o objetivo de se fortalecer no Espírito Santo.
"Queremos chapas viáveis também em Vila, Cariacica e Serra. Tive 11 mil votos para deputada estadual em Vila Velha, por exemplo", observou Camila.
DISPUTA IDELOLÓGICA
Há quem aposte que a eleição de 2024, apesar de municipal, especialmente na Capital, vai repetir o debate ideológico nacional de 2022: esquerda X direta, lulistas X bolsonaristas.
"Temos lado. Somos da esquerda e nos colocamos em oposição a esse projeto da direita de retirada de direitos e ataque às minorias", reafirmou a pré-candidata do PSOL, em referência à atual administração.
Em 2022, a estratégia da disputa ideológica deu certo para aqueles que abraçaram a candidatura de Jair Bolsonaro (PL) ou a de Lula (PT) ao Palácio do Planalto.
O deputado federal mais votado do Espírito Santo foi Helder Salomão (PT) e o segundo mais votado, Gilvan da Federal (PL). Na Assembleia, o PL fez a maior bancada, com cinco deputados, incluindo Capitão Assumção, com uma votação expressiva. O PT, por sua vez, elegeu dois deputados — reelegeu Iriny Lopes e elegeu Coser — dobrando de tamanho, e o PSOL elegeu Camila.
Na eleição municipal, via de regra, contudo, os eleitores tendem a levar em consideração temas mais afeitos ao dia a dia da cidade.
Como o PSOL não tem experiência no Executivo, no Espírito Santo, é um desafio e tanto para a legenda.
"Temos um projeto para a cidade, queremos construir um debate pensando no melhor modelo de segurança pública, de guarda municipal, de uso de espaços públicos, de educação, e de que maneira os serviços públicos devem funcionar. De que maneira a prefeitura deve tratar os servidores públicos e os conselhos", asseverou Camila.
QUEM ESTÁ NO JOGO
No campo autodeclarado progressista, além da deputada e de Coser, há a pré-candidatura do deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB).
Pela direita, há o prefeito Pazolini, embora ele ainda não se declare pré-candidato à reeleição, e Assumção.
O PSDB tem as pré-candidaturas de Luiz Paulo Vellozo Lucas, Sergio Majeski e Mazinho dos Anjos. Tem que escolher um.
No Cidadania, o nome do ex-prefeito Luciano Rezende é lembrado. O deputado estadual Fabrício Gandini está de malas prontas para sair do partido. Deve, provavelmente, migrar para o PSD. Historicamente, ele é ligado à sigla de centro-esquerda, mas tem feito um movimento eleitoral calculado para migrar para a direita, o que vai ser uma experiência interessante de se observar.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.