Capitã Estéfane vai ser candidata a vereadora. Veja para onde vai o Podemos em Vitória
Eleições 2024
Capitã Estéfane vai ser candidata a vereadora. Veja para onde vai o Podemos em Vitória
Vice-prefeita era pré-candidata à chefia do Executivo municipal, mas o partido estava isolado na disputa
Publicado em 02 de Agosto de 2024 às 18:05
Públicado em
02 ago 2024 às 18:05
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Capitã Estéfane e Gilson DanielCrédito: Divulgação/Podemos
A vice-prefeita de Vitória, Capitã Estéfane (Podemos), não é mais pré-candidata a prefeita. Ela vai disputar uma vaga na Câmara Municipal em 2024. A informação foi confirmada em primeira mão à coluna nesta sexta-feira (2).
“Dialoguei muito com meus familiares, amigos e com o presidente Gilson Daniel. A decisão tomada foi conjunta. Quero contribuir com a cidade de Vitória. Infelizmente, não foi possível a construção com outros partidos para uma candidatura majoritária, o que inviabilizou a possibilidade de concorrer a prefeita", afirmou Estéfane.
"Recebi inúmeros convites para compor chapa majoritária como vice-prefeita novamente, mas não quero que se repita o que sofri nos últimos anos. Não pude fazer, como vice-prefeita, o que a cidade merece. Com a autonomia de um mandato legislativo, poderei servir a cidade com liberdade e independência", acrescentou.
Além disso, ela vai presidir o Podemos Mulher estadual. O objetivo é incentivar e promover a participação feminina na política. A candidatura de Estéfane a uma vaga no parlamento é "em defesa das mulheres", nas palavras da própria legenda.
O partido, por sua vez, não vai apoiar nenhum candidato à chefia do Executivo municipal.
“Tentamos de todas as formas atrair partidos para caminhar conosco em uma disputa majoritária. Infelizmente, não foi possível. Por isso, decidimos concorrer com a nossa chapa de vereadores, que está bem estruturada e elegerá de três a quatro candidatos”, afirmou o presidente estadual da legenda, Gilson Daniel.
Até agora, entretanto, o Podemos estava isolado na disputa. O partido apoia o governador Renato Casagrande (PSB), mas o Palácio Anchieta, indiretamente, está em outros dois palanques: os dos ex-prefeitos Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) e João Coser (PT).
Ao lado de Luiz Paulo, aliás, está o próprio PSB, além de União Brasil, MDB e, claro, PSDB e Cidadania (que forma uma federação com os tucanos).
Isso não se deve apenas ao esforço casagrandista. Outros candidatos a prefeito de Vitória movimentaram-se com mais antecedência e, enfim, por uma série de fatores, forjaram alianças que o Podemos não conseguiu.
Na prática, os palacianos têm o objetivo de derrotar ou ao menos enfraquecer o capital político o prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), que vai disputar a reeleição.
Emissários do governador, de acordo com o que a coluna apurou, chegaram a pedir, recentemente, que o Podemos apoiasse Coser, "para fortalecer o palanque" do petista, que, por enquanto, tem apenas o reforço do PDT.
O PT integra uma federação com PV e PCdoB, que também estão ao lado da candidatura de Coser.
Como a pré-candidatura de Estéfane não havia aglutinado aliados até então, veio a solicitação do Palácio.
Mas não vai rolar.
POR QUE O PODEMOS NÃO VAI APOIAR NINGUÉM?
As respostas abaixo são fruto da análise desta colunista e de informações apuradas nos bastidores.
Entre os candidatos a vereador do Podemos, que são a prioridade do partido em Vitória, não há consenso sobre qual candidato a prefeito endossar.
Subir no palanque de Coser atrairia o temido sentimento antipetista para a legenda, o que viraria munição para detratores.
A cúpula estadual do Podemos não está disposta a fazer tamanho esforço.
Com Camila Valadão (PSOL), mais à esquerda que o candidato petista, também seria inviável o partido caminhar.
Com Capitão Assumção (PL), que faz oposição a Casagrande e está mais ao extremo do que à centro-direita, também não teria como ficar.
À candidatura de Luiz Paulo, o Podemos não teria muito o que agregar, talvez 23 segundos no horário eleitoral, mas o tucano já vai ter, de qualquer forma, a maior fatia de tempo de exibição na TV e no rádio, devido ao porte das siglas que vão compor a coligação dele.
Du da Kawasaki (Avante), que lançou pré-candidatura a prefeito tardiamente, está isolado e é filiado a um partido de pouca expressão, também não parece ser uma boa opção.
Apoiar o atual prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), candidato à reeleição, é algo fora de questão.
Não somente devido ao fato de ele ser o alvo preferencial a ser batido pelo grupo do governador Renato Casagrande, mas, principalmente, porque Capitã Estéfane e Pazolini estão bem longe de serem considerados aliados, embora integrem a mesma gestão municipal.
Então, o Podemos preferiu se abster de participar da corrida pela prefeitura de Vitória este ano.
ESTÉFANE X PAZOLINI
Capitã Estéfane foi eleita com Lorenzo Pazolini em 2020, filiada ao Republicanos, mesmo partido do prefeito.
A aliança entre os dois havia sido firmada pouco antes do pleito. Ter uma vice mulher, com raízes na região da Grande São Pedro, foi uma estratégia, inteligente, para que Pazolini, delegado da Polícia Civil e, à época, deputado estadual, tivesse inserção em um eleitorado mais diverso.
Mas os dois romperam politicamente pouco tempo depois da vitória nas urnas.
Isso ocorreu em novembro de 2022, quando a vice-prefeita já estava filiada ao Patriota (o partido, depois, fundiu-se ao PTB, dando origem ao PRD).
Em outubro daquele ano, Estéfane foi candidata a deputada federal, sem apoio do prefeito, e teve um desempenho tímido.
A capitã da reserva da Polícia Militar recebeu 10.075 votos. Para se ter uma ideia, o deputado federal eleito com menos votos no Espírito Santo, Messias Donato (Republicanos), foi escolhido por 42.640 eleitores.
A vice-prefeita, uma política de centro-direita, aproximou-se do governador Renato Casagrande (PSB). O leque de alianças do chefe do Executivo estadual é bastante amplo, vai mesmo da centro-direita à esquerda.
No segundo turno das eleições de 2022, Estéfane apoiou a reeleição de Casagrande. Os dois continuam aliados desde então.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.