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Eleições 2022

Casagrande contra quem quer "resolver a criminalidade no grito" no ES

O governador pode até chamar de "gritos", mas os outros pré-candidatos ao Palácio Anchieta utilizam manchetes, reais, de crimes ocorridos no Espírito Santo e apontam o dedo para o governo estadual

Publicado em 22 de Junho de 2022 às 02:10

Públicado em 

22 jun 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande durante discurso em evento sobre segurança pública
Governador Renato Casagrande durante discurso em evento sobre segurança pública Crédito: Helio Filho/Secom-ES
O governador Renato Casagrande (PSB), embora ainda não se diga publicamente pré-candidato à reeleição, já é assim tratado por aliados e adversários. A gestão estadual é alvo constante de críticas pelos que querem sucedê-lo no Palácio Anchieta e um dos principais pontos atacados é a segurança pública.
Como a coluna mostrou, outras áreas, como a saúde, também estão na mira. Mas a segurança tem um componente político especial. Isso porque o socialista, então candidato ao governo, em 2018, acenou para os servidores do setor, notadamente para os policiais militares, com anistia administrativa e promessa de revisão da lei de promoção de oficiais.
Cumpriu as duas coisas e ainda ressuscitou o Batalhão de Missões Especiais (BME). Poderia ser o prenúncio de uma lua de mel com os PMs. Não foi. O que os militares querem mesmo é reajuste salarial, o que até obtiveram, mas não de forma que considerem satisfatória.
Enquanto isso, os adversários de Casagrande se aproximam da categoria e criticam os índices de violência no estado, ainda que façam menções vagas sobre como solucionar o problema.
"Quem acha que vai resolver criminalidade no grito, na garganta, na demagogia, vai colocar a população em risco", discursou o governador, nesta terça-feira (21), na Oficina de Trabalho sobre Gestão e Políticas Efetivas de Segurança Pública, em Vitória.
Ele não citou quem seriam os vociferadores. O governador defendeu as políticas de segurança implementadas pela administração estadual e creditou a baixa sensação de segurança à cobertura da imprensa e às publicações nas redes sociais sobre o assunto.
"Em 2009 e 2010, tivemos mais de dois mil homicídios por ano. Agora, passamos para mil homicídios por ano. Não é algo a se comemorado, mas a ser registrado. Estamos no caminho certo", afirmou.
"A cobertura que a imprensa hoje dá a fatos delituosos é muito maior (em relação a 2009) e cada um de nós somos produtores... a gente pode escrever, filmar, colocar isso para ser divulgado na rede ... então a percepção hoje é muito maior", argumentou o governador.
"Segurança tem que ser tratada por quem é liberal, de direita, de esquerda ... Sempre se orientando por evidências científicas. Não tem separação de quem gosta de bandido morto ou de quem quer proteger bandido (...) Me espanta muito quando vejo, principalmente em véspera de eleição, a bola de cristal que aparece. As pessoas apresentam solução para tudo. Não tem solução fácil em segurança pública", alfinetou, mais uma vez, os adversários, sem citar nomes.
ASSALTOS E ARMAS
O fato é que a criminalidade ainda assusta, sejam dois mil ou mil assassinatos por ano. E ainda há os crimes contra o patrimônio, como os assaltos na rua.
"Temos um problema grave, que é o crime contra o patrimônio", admitiu Casagrande, ainda no discurso. "Nosso maior desejo e zerar os homicídios.
Mas parte da sociedade se incomoda muito com crime contra o patrimônio e temos que dar uma resposta", complementou.
Ele avaliou que o aumento de armas de fogo em circulação, o que é incentivado pelo governo Jair Bolsonaro (PL), é um dos culpados.
"O governo federal ampliar o numero de armas é um problema para as forças de segurança. É uma fonte legal de armas para os bandidos. Muitos bandidos não têm registro de crimes praticados, compram legalmente as armas e distribuem", contou.
OS "GRITOS"
O governador pode até chamar de "gritos", mas outros pré-candidatos ao Palácio Anchieta utilizam manchetes, reais, de crimes ocorridos no Espírito Santo e apontam o dedo para o governo estadual.
O ex-deputado federal Carlos Manato (PL), por exemplo, está em pré-campanha desde sempre e um dos primeiros temas abordados por ele foi esse. Em pleno ano eleitoral, não seria diferente.
"De que adianta ser Nota A nas questões fiscais, se a gente não pode sair de casa à noite, nem mesmo à luz do dia, porque estamos reféns da criminalidade.
Você está satisfeito(a) com isso?", publicou Manato nas redes sociais no dia 9 de junho.
"Ontem tive o prazer de me reunir com coordenadores do Projeto Político Militar (PPM), onde firmamos um compromisso em busca da valorização dos profissionais de segurança pública do ES", registrou, em 1º de junho, em mais uma tentativa de aproximação com os militares.
Por valorização, entenda-se aumento de salário. Ou, ao menos é isso que a categoria espera, certamente.
O ex-deputado tem o apoio do PTB que, no estado, está sob o comando, ainda que informalmente, do Tenente Assis, do Corpo de Bombeiros.
Outro pré-candidato ao governo, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), desde que começou a adotar, mais incisivamente, uma voz de oposição ao governo, escolheu a segurança pública como alvo.
"A segurança pública está abandonada", bradou ele, ainda em setembro de 2021. Mais recentemente, ele tem tentado se aproximar de bandeiras sindicais, digamos assim, dos servidores da área.
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), que quer subir as escadas do Palácio Anchieta como governador e não apenas de maneira ilustrativa, como fez em recente propaganda na TV, também não perdeu a oportunidade:
"Pensar em melhorias para os policiais militares é pensar em segurança pública
E para conhecer ainda mais sobre a categoria, tão importante para todos nós, me reuni com o PPM, Projeto Político Militar que engloba a @acspmbmes, @aspomires_es, @asses.es e @abmes.es. Falamos sobre salário, equipamentos de trabalho e regulamentação da previdência dos Policiais Militares. Assuntos importantes que muitas vezes são esquecidos, como a saúde mental e os recursos humanos dos Militares, também foram debatidos.
Obrigado pelo convite, PPM. Contem sempre comigo!", postou Guerino, em 31 de maio.
Esses são apenas alguns exemplos.
Em comum, esses três pré-candidatos estão no campo bolsonarista. Manato, desde 2018, uniu sua imagem à do presidente da República, eleito naquele ano.
O partido de Erick, o Republicanos, integra a base de apoio ao presidente.
O discurso do presidente para a segurança pública é de afago aos policiais, embora queira usá-los como executores, ou carrascos. Em 2015, por exemplo, afirmou que "essa Polícia Militar do Brasil tinha é que matar mais", pois, na avaliação dele, “violência se combate com violência”.
O discurso dos apoiadores locais de Bolsonaro não chega a tanto. Mas só para registrar, como diz Casagrande, fica aqui trecho do artigo do ex-secretário de Segurança Pública e professor do mestrado em Segurança da UVV Henrique Herkenhoff, que observou, tendo como exemplo as operações policiais no Rio de Janeiro com alto saldo de mortos, que "nada de relevante é conquistado a curto prazo, que dirá no médio e no longo".
"Mesmo para quem gosta do 'cancelamento de CPFs', essas operações deveriam ser vistas como uma completa decepção. Se o PCC tem dezenas de milhares de membros, matá-los de 30 em 30, com meses de intervalo, nem sequer abala a facção", escreveu Herkenhoff.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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