Naquele mesmo dia, pela manhã (a eleição foi à tarde), os 30 deputados estaduais tomaram posse. Esta nova legislatura tem uma configuração diferente da anterior.
Dezesseis parlamentares são novatos. Embora nem todos sejam neófitos na política, mais da metade não estava na Casa até 31 de janeiro de 2023.
Até agora, Casagrande não enfrentou uma oposição que pudesse, realmente, causar danos à gestão estadual. No mandato anterior, um grupo de cerca de dez deputados que se apresentavam como independentes por vezes fazia discursos contrários ao governo ou votava na contramão da orientação palaciana.
Isso, nem sempre, contudo, ocorria de forma coesa. Os projetos do governo seguiram sem percalços. O grupo foi, aos poucos, sendo esvaziado.
Lorenzo Pazolini (Republicanos), por exemplo, elegeu-se prefeito de Vitória em 2020. Vandinho, que chegou a fazer uma
"visita surpresa" ao Hospital Dório Silva com Pazolini e outros três colegas em meio à pandemia de Covid-19, virou aliado de Casagrande.
Casagrande afirmou à coluna que, agora, espera contar com o apoio de 24 a 25 de deputados.
O PL de Capitão Assumção, um os mais aguerridos opositores do socialista, elegeu a maior bancada da Assembleia – cinco parlamentares. Mas nem todos os filiados ao partido se contrapõem ao govenador.
"Eu não vou isolar a oposição, vai continuar sendo oposição. Tem deputados com uma consistência ideológica definida. Mas (a eleição da Mesa em chapa única) permite que dentro da Assembleia haja diálogo permanente entre os deputados. E o diálogo entre os deputados pode ajudar também no ambiente para o governo do estado", avaliou Casagrande.
Assumção votou na chapa liderada pelo governista Marcelo Santos. Danilo Bahiense, como integrante do comando da Casa, obviamente, também o fez.
Houve somente dois votos contrários. O mais jovem deputado da Casa, Lucas Polese (PL), inclusive, justificou o posicionamento devido ao fato de se opor a Casagrande.
Já Camila Valadão (PSOL), que apoiou a reeleição do socialista, foi o segundo voto. Não por desentendimentos com o governador e sim pelo fato de a chapa única ter membros apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL).
Theodorico Ferraço (PP), que presidia a sessão e tem Marcelo Santos como desafeto, absteve-se de votar.