"Chegando o processo eleitoral, muita gente quer apresentar mágica para resultado na área de segurança. Só a partir de maio, junho, que vou decidir se serei candidato a alguma coisa ou não, mas é importante que a gente preste atenção nas promessas messiânicas, de solução fácil para assuntos difíceis como esse, que tem que ter responsabilidade na hora de a gente tratar".
"Então que a gente fique muito atento para a gente poder ouvir, mas separar aquilo que é decente e aquilo que é só um interesse eleitoreiro irresponsável", complementou.
Não citou nomes. O presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso (Republicanos), no entanto, tem feito críticas em relação à política de segurança pública do governo do estado. "A segurança pública está abandonada e respirando por aparelhos no ES", publicou Erick, no Twitter, no dia 1º de setembro. Ele comentava a notícia de que
agosto foi, até então, o mês mais violento do ano.
Mas não é só Erick Musso que pode explorar, politicamente, a questão. O ex-deputado federal
Carlos Manato, pré-candidato ao governo, tem percorrido o estado e falado com policiais. O fato de ser bolsonarista, como boa parte dos militares, ajuda na interlocução.
Assim, Casagrande já abriu o olho. Lembrou, ainda no discurso desta segunda, que concedeu, ainda no início do governo, anistia a policiais acusados de envolvimento na greve da PM, de 2017.
"Tem gente que não concordou com a medida que eu tomei, de anistia aos policiais. Eu sei que é polêmica, sei que ela cumpre um papel para lá e para cá, mas aquela hora era a hora de ter coragem para retomar o diálogo com as forças de segurança, foi um sinal claro de diálogo", afirmou.
Em conversa com a coluna ainda no dia 8, Casagrande disse que não se arrependeu de ter concedido a anistia e ainda aproveitou para alfinetar o ex-governador
Paulo Hartung (sem partido).
"Todo mundo que faz uma avaliação justa sabe que o que afasta uma corporação dos governantes é a arrogância, a prepotência, a falta de diálogo. Quando você tem diálogo, como temos aqui, você não tem esse afastamento. A gente pode ter divergência, porque às vezes os policiais querem um nível salarial maior do que a gente pode conceder, mas nem um desses policiais pode reclamar da infraestrutura que a gente dá para o trabalho deles. A gente faz isso dentro de um diálogo".
A pergunta era sobre a tese de que governadores podem ter deixado a politização das polícias "correr solta", como ao conceder anistias, armando (apenas verbalmente, frise-se) o bolsonarismo. "O problema é que muitas vezes os líderes de plantão, ao invés de usar as ferramentas que têm para gerenciar as polícias, fazem politicagem. É um erro anistiar quem comete crime, porque se produz uma visão equivocada da instituição, que tem bons quadros",
afirmou Hartung ao jornal O Globo, no mês passado.
As arestas com os fardados, no entanto, ainda não foram totalmente aparadas. Há uma discussão a respeito de reajuste salarial, em parte já concedido pelo governo Casagrande.
Voltando à solenidade desta segunda-feira, Erick Musso não estava presente. Três deputados estaduais, sim: Luiz Durão (PDT), Freitas (PSB) e Coronel Alexandre Quintino (PSL). Este, aliás, mereceu especial menção: "Agradecimento especial ao Quintino. Deputado que tem sido muito firme com a gente lá". O coronel é aliado de primeira hora de Casagrande na Assembleia e é segundo secretário da Mesa Diretora chefiada por Erick.
A postura do presidente do Legislativo estadual já causou ao menos um desembarque do Republicanos:
o prefeito de Sooretama, Alessandro Broedel, pediu desfiliação por entender que Erick se movimenta para disputar o Palácio Anchieta contra Casagrande em 2022. Pode ser que o parlamentar de 34 anos, que tem base eleitoral em Aracruz, esteja apenas querendo ganhar notoriedade para participar da corrida por uma cadeira na Câmara dos Deputados.
O fato é que Erick controla a pauta da Assembleia Legislativa, é ele quem decide quais projetos vão ser pautados e quais vão para a gaveta. Por enquanto, não emperrou nada. Esta situação, no entanto, pode trazer mais insegurança, ao menos para o governo.