O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), lidera a corrida pelo comando do Executivo municipal em 2024. Candidato à reeleição, ele apareceu na pesquisa Quaest realizada a pedido da TV Gazeta
com 51% das intenções de voto e, assim, pode vencer já no primeiro turno. O governador Renato Casagrande (PSB) tem dois aliados no páreo, os ex-prefeitos João Coser (PT) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB), mas não atua diretamente em prol de nenhum deles.
O chefe do Executivo estadual afirmou à coluna, com exclusividade, neste sábado (7), o seguinte: "Quero ter comigo a liberdade de entrar ou não na eleição. Não vou tomar uma decisão antes da hora, vou observando o processo eleitoral (...) faltam 30 dias ainda (para o dia da votação no primeiro turno)".
O governador não cravou se vai ou não interceder por algum candidato a prefeito de Vitória ainda no primeiro turno, mas pode nem haver um segundo turno. "Aí é uma decisão do eleitor", ponderou. "A posição do governador é uma posição que precisa preservar o governo", acrescentou Casagrande.
É improvável que algum candidato a prefeito de Vitória faça ataques ao governo estadual em meio à campanha municipal. Logo, podemos concluir que é improvável também a participação direta do governador no pleito, se este for mesmo o fator definitivo para a decisão.
Pazolini, que nos dois primeiros anos de mandato, também se colocou na oposição a Casagrande e, hoje, é distante politicamente do governador, também não parece disposto a criticar a gestão estadual. O prefeito, aliás, tem evitado se manifestar sobre qualquer tema minimamente espinhoso.
Ou seja, estrategicamente, nem seria interessante para um candidato atacar o governo.
Agora, voltemos às declarações de Luiz Paulo: ao afirmar que o governador não deve usar o poder conferido pela máquina estadual para interferir em eleições, o tucano nos leva a crer, então, que o chefe do Executivo age mal ao apoiar abertamente outros candidatos, como faz em Vila Velha e Cariacica, onde está ao lado dos prefeitos Arnaldinho Borgo (Podemos) e Euclério Sampaio (MDB), respectivamente.
Casagrande, contudo, não se sentiu criticado: "Compreendi como uma manifestação de elegância da parte dele (Luiz Paulo)".
O governador sustentou, na entrevista à coluna, que ao subir nos palanques de Arnaldinho e Euclério apenas confirmou uma posição que já era conhecida publicamente.
A ESTRATÉGIA DOS CASAGRANDISTAS
Nos bastidores, emissários de Casagrande querem é o fortalecimento de todos os candidatos no primeiro turno, com exceção de Pazolini, para garantir que haja segundo turno em Vitória.
O governador não vai tentar a reeleição daqui a dois anos, pois não pode, já está no segundo mandato consecutivo. Mas vai apoiar algum nome, tentar fazer o sucessor.
É preciso lembrar também que é muito mais confortável para Casagrande apoiar Arnaldinho e Euclério, que lideram com folga a corrida eleitoral em suas cidades, do que abraçar uma candidatura em Vitória, onde a chance de derrota é maior.
O mesmo vale para a eleição na Serra. O governador já declarou apoio a Weverson Meireles (PDT), mas não entrou, digamos, de corpo e alma, na campanha do pedetista.
Weverson está em terceiro lugar no pleito e corta um dobrado para garantir uma vaga no segundo turno.