Os pleitos por reajuste salarial para o funcionalismo público estadual são recorrentes. Em meio à inflação, que reduz o poder de compra de todos, não apenas dos servidores, reivindicações desse tipo tornam-se ainda mais frequentes.
Até 31 de dezembro de 2021 o governo do estado estava impedido de conceder aumento salarial, devido à lei 173/202, sancionada pelo presidente
Jair Bolsonaro (PL).
O prazo já se encerrou e outra imposição do calendário, desta vez o eleitoral, está chegando: governadores têm até o início de abril – o que corresponde a seis meses antes da eleição – para conceder reajustes.
Para os integrantes das forças policiais o percentual vai ser maior. Casagrande, desde a campanha eleitoral de 2018, faz acenos a policiais, em especial os militares: assinou uma anistia aos grevistas de 2017 e mudou a lei de promoções de oficiais, por exemplo. E também já concedeu um reajuste.
A categoria é majoritariamente bolsonarista. O presidente da República sabe disso e, enquanto é acusado de tentar interferir no trabalho da Polícia Federal, Bolsonaro abre os cofres para reajustar os salários na PF e na Polícia Rodoviária Federal, em detrimento de outros servidores.
Não é tão diferente de Casagrande que, como já mencionado, afirmou que vai conceder um reajuste maior para policiais. É ano eleitoral.
O socialista, no entanto, pode se frustrar, mais uma vez. Mesmo com a concessão do benefício, é improvável que os policiais, via de regra, virem casagrandistas desde criancinha. A estratégia não funcionou até agora, mesmo após a anistia e outras benesses.
Até mesmo coronéis, que ocupam, portanto, as maiores patentes na PM, estão insatisfeitos.
O fato é que a movimentação de Bolsonaro em relação aos policiais federais, no que se refere ao reajuste, é mais um fator de pressão sobre os governadores.
Casagrande tem como conceder o reajuste, tanto que já afirmou que vai fazer isso no mês que vem. Se isso vai pesar na balança eleitoral, são outros quinhentos.
O bolsonarismo raiz, impregnado nas polícias, vai além de dados da realidade. Aliás, na maioria das vezes tem pouco a ver com dados ou qualquer coisa da vida real. É um traço identitário.
Ao menos 22 governadores – 14 deles vão tentar a reeleição – já anunciaram que vão dar aumento salarial a servidores este ano.