Com a proximidade das eleições – faltam cerca de quatro meses para o pleito – os ataques ao governo
Renato Casagrande (PSB) se intensificam. Um episódio, especificamente, tem virado munição para adversários e toca num ponto sensível.
Ele havia sido transferido de Cachoeiro de Itapemirim para lá, após sentir falta de ar no dia anterior.
O menino, Kevinn Belo Tomé da Silva, não foi admitido no Himaba. Ainda no caminho de Cachoeiro a Vila Velha ele sofreu paradas cardíacas, o que ocorreu também enquanto aguardava do lado de fora do hospital. Ele não resistiu.
A direção do hospital informou que havia vaga garantida para o adolescente na unidade e condições de atendê-lo, mas as médicas plantonistas não permitiram a entrada dele. O motivo está sendo apurado.
O secretário de estado da Saúde, Nésio Fernandes, considerou o caso "grave e inaceitável" e afirmou que houve "flagrante negligência médica", o que foi rebatido pela defesa das médicas em questão. O advogado Jovacy Peter Filho afirmou que a vaga garantida para Kevinn não era de UTI e não havia respirador disponível para ele no hospital.
Na ambulância tampouco havia oxigênio suficiente, também não era a situação ideal. E o fato de o adolescente não ter sido ao menos levado para dentro do Himaba provocou indignação.
O caso segue sob apuração, mas enquanto isso foi lembrado recentemente por ao menos dois pré-candidatos ao Palácio Anchieta.
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD),
em entrevista à coluna, usou o episódio para elencar o que considera retrocessos na área da Saúde estadual.
"Você vê uma criança morrendo na porta do hospital, tendo que sair de Cachoeiro às pressas e morrer na porta de um hospital. E o governo ainda querendo botar a culpa nos médicos, não assumindo o que é de responsabilidade do governo, que falhou", acusou Guerino.
O presidente da Assembleia Legislativa,
Erick Musso (Republicanos), também pré-candidato ao governo, foi outro a lembrar do caso do adolescente morto na porta do hospital.
"O poder público foi feito para quem não tem condições de pagar plano de saúde e infelizmente em que assistir na televisão um jovem morrer após esperar quatro horas dentro de uma ambulância na porta de um hospital", bradou em cima do tablado em um evento público.
"Ou nos indignamos com isso ou vamos ficar à mercê de quem quer o poder pelo poder", emendou.
Como tem sido a estratégia do Republicanos, Erick usou a Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini, do mesmo partido, como exemplo, "mostrando à Capital e mostrando ao Espírito Santo que apostar no novo faz sim a diferença".
A prefeitura, por meio de nota, jogou a responsabilidade, como quem não quer nada, para o governo do estado, já que o homem estava na unidade aguardando transferência para um hospital estadual.
O fato é que em qualquer ocasião, mas essencialmente em ano eleitoral, episódios isolados ou problemas crônicos são politizados, com ou sem razão.
O desempenho do governo Casagrande na pandemia de Covid-19 foi positivo. Imaginem se tivéssemos um governador negacionista como Bolsonaro ou um secretário de Saúde "especialista em logística" como o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello? Certamente o governador vai querer usar esse "case" como algo a apresentar na campanha. Mas pode esperar o contra-ataque que, aliás, já começou.