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Eleições 2022

Caso de adolescente que morreu na porta de hospital vira munição para adversários de Casagrande

Ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD) e presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos) criticaram o episódio

Publicado em 08 de Junho de 2022 às 17:30

Públicado em 

08 jun 2022 às 17:30
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves, (Himaba)
Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba) Crédito: Fernando Madeira
Com a proximidade das eleições – faltam cerca de quatro meses para o pleito – os ataques ao governo Renato Casagrande (PSB) se intensificam. Um episódio, especificamente, tem virado munição para adversários e toca num ponto sensível.
No final de maio, um adolescente de 16 anos morreu após ficar quatro horas dentro de uma ambulância na porta do Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino (Himaba), em Vila Velha.
Ele havia sido transferido de Cachoeiro de Itapemirim para lá, após sentir falta de ar no dia anterior.
O menino, Kevinn Belo Tomé da Silva, não foi admitido no Himaba. Ainda no caminho de Cachoeiro a Vila Velha ele sofreu paradas cardíacas, o que ocorreu também enquanto aguardava do lado de fora do hospital. Ele não resistiu.
A direção do hospital informou que havia vaga garantida para o adolescente na unidade e condições de atendê-lo, mas as médicas plantonistas não permitiram a entrada dele. O motivo está sendo apurado.
O secretário de estado da Saúde, Nésio Fernandes, considerou o caso "grave e inaceitável" e afirmou que houve "flagrante negligência médica", o que foi rebatido pela defesa das médicas em questão. O advogado Jovacy Peter Filho afirmou que a vaga garantida para Kevinn não era de UTI e não havia respirador disponível para ele no hospital.
Na ambulância tampouco havia oxigênio suficiente, também não era a situação ideal. E o fato de o adolescente não ter sido ao menos levado para dentro do Himaba provocou indignação.
O caso segue sob apuração, mas enquanto isso foi lembrado recentemente por ao menos dois pré-candidatos ao Palácio Anchieta.
O ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), em entrevista à coluna, usou o episódio para elencar o que considera retrocessos na área da Saúde estadual.
"Você vê uma criança morrendo na porta do hospital, tendo que sair de Cachoeiro às pressas e morrer na porta de um hospital. E o governo ainda querendo botar a culpa nos médicos, não assumindo o que é de responsabilidade do governo, que falhou", acusou Guerino.
Em Linhares, há um impasse na Saúde. O governo do estado alega que não consegue assumir a direção do Hospital Geral da cidade, hoje sob responsabilidade do município, porque a prefeitura se nega a realizar os trâmites necessários. Já Guerino diz que o governo estadual foi quem atrasou a transferência do comando da unidade. Mas essa é outra história.
O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), também pré-candidato ao governo, foi outro a lembrar do caso do adolescente morto na porta do hospital.
"O poder público foi feito para quem não tem condições de pagar plano de saúde e infelizmente em que assistir na televisão um jovem morrer após esperar quatro horas dentro de uma ambulância na porta de um hospital", bradou em cima do tablado em um evento público.
"Ou nos indignamos com isso ou vamos ficar à mercê de quem quer o poder pelo poder", emendou.
Como tem sido a estratégia do Republicanos, Erick usou a Prefeitura de Vitória, comandada por Lorenzo Pazolini, do mesmo partido, como exemplo, "mostrando à Capital e mostrando ao Espírito Santo que apostar no novo faz sim a diferença".
A área da Saúde em Vitória também é alvo de críticas, principalmente devido ao desempenho das unidades de Pronto Antedimento. No início de junho, um paciente teve um ataque de pânico, fugiu do PA de São Pedro com eletrodos e tudo, sem ninguém reparar, e morreu na rua.
A prefeitura, por meio de nota, jogou a responsabilidade, como quem não quer nada, para o governo do estado, já que o homem estava na unidade aguardando transferência para um hospital estadual.
O fato é que em qualquer ocasião, mas essencialmente em ano eleitoral, episódios isolados ou problemas crônicos são politizados, com ou sem razão.
O desempenho do governo Casagrande na pandemia de Covid-19 foi positivo. Imaginem se tivéssemos um governador negacionista como Bolsonaro ou um secretário de Saúde "especialista em logística" como o ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello? Certamente o governador vai querer usar esse "case" como algo a apresentar na campanha. Mas pode esperar o contra-ataque que, aliás, já começou.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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