O ex-vice-governador César Colnago (PSDB) percorre municípios do Espírito Santo, e até contratou agência de marketing, com o objetivo de ser candidato ao governo do estado em 2022.
A iniciativa é, digamos, desafiadora. Depois que o então governador Paulo Hartung (na época filiado ao MDB), avisou que não disputaria a reeleição, em 2018, um clima de barata-voa tomou conta dos hartunguistas.
Colnago tentou viabilizar o próprio nome na corrida pelo Palácio Anchieta. Não conseguiu. Disputou uma cadeira de deputado federal. Resultado: recebeu 34.187 votos. Para se ter uma ideia, o parlamentar mais votado para a Câmara, Amaro Neto (Republicanos), foi a escolha de 181.813 eleitores.
Depois, o presidente estadual do PSDB, deputado estadual Vandinho Leite, integrou o chamado grupo dos independentes na Assembleia. Na prática, teceu diversas críticas ao governo e ainda foi coprotagonista de uma "visita surpresa" ao Hospital Dório Silva, na Serra, em meio à pandemia de Covid-19. Para a gestão Casagrande, tratou-se de uma invasão.
Nos últimos tempos, no entanto, Vandinho abrandou o discurso, está mais próximo do governo. Até frequenta solenidades no Palácio Anchieta.
Assim, além de conquistar o eleitorado, o que já é uma empreitada difícil, Colnago precisa convencer o próprio partido a lançar candidatura própria e não repetir a parceria do pleito anterior ou tomar outro rumo. Ele é vice-presidente estadual da legenda.
Em ano pré-eleitoral é normal que surjam diversas pré-candidaturas. Muitos dos nomes postos agora não devem chegar às urnas, ou não como opção para os cargos hoje especulados.
"Mas você não constrói candidatura se não começa a construir agora. Improvisação, em política, normalmente não funciona", afirmou o tucano. E é à improvisação que ele credita o desempenho tímido em 2018.
O ex-vice-governador ocupa, desde 30 de agosto, um cargo comissionado na Assembleia Legislativa do Espírito Santo, a convite do presidente da Casa, Erick Musso (Republicanos). Erick tem feito o caminho contrário ao de Vandinho, distancia-se cada vez mais de Casagrande.
O presidente da Assembleia deixa no ar ainda a possibilidade de ser candidato ao governo do estado. "O futuro a Deus pertence", costuma responder a interlocutores. Embora também tenha um caminho pedregoso para se viabilizar, o deputado estadual é um possível nome no páreo.
Ou seja, mais uma aresta a ser aparada. Aliás, a coluna quis saber como Colnago consegue fazer pré-campanha e trabalhar na Assembleia, concomitantemente.
Ele é secretário de gestão de pessoas, com salário bruto de R$ 9.792,17. O tucano diz que viaja "mais aos finais de semana". "E também eu vou ter que sair (do cargo), no início do ano que vem". Ele fala da necessidade de desincompatibilização, exigência da lei eleitoral para quem quer ser candidato.
Colnago disse que esteve também com o deputado federal Felipe Rigoni que, de saída do PSB, pode pousar no ninho tucano. Rigoni é outro que gostaria de disputar o Palácio Anchieta.
GREVE DA PM
Colnago, então vice de Hartung, era o governador em exercício quando houve a greve da Polícia Militar, em 2017. Na época, alertou para a ação de grupos políticos:
“Esse movimento tem sido estimulado por lideranças políticas também. A forma de protestar está errada e fere a Constituição".
Questionado se teme sofrer resistência entre eleitores ligados às policias, respondeu que não. "Esse setor (segurança pública) precisa de diálogo permanente com os servidores e precisa dar condições para que cumpram suas funções", comentou.
Curiosamente, diálogo é uma palavra muito usada por Casagrande ao tratar do tema, tanto da greve quanto da relação com a categoria. O governador credita à falta de diálogo da gestão anterior (da qual Colnago participou) o rumo que os militares tomaram.
Casagrande, logo que eleito, concedeu uma anistia administrativa, uma espécie de perdão, aos acusados de participar da paralisação. O ex-vice-governador discorda da medida, mas não se estendeu ao avaliá-la.
Colnago diz que não tratou com Hartung sobre uma eventual candatura ao Palácio Anchieta. "Temos uma relação pessoal e afinidade política. Ter o apoio dele é algo que contaria muito. É um ator político importante", afirmou.
SENADO
No rol de possibilidades há a de não viabilização da candidatura ao governo, pelos motivos aqui expostos ou devido ao que o futuro reserva. Assim, Colnago teria como plano B uma nova candidatura à Câmara Federal?
"Minha ideia é disputar a majoritária", respondeu. Lembrado que os cargos de vice e senador também são majoritários (os de deputado estadual e federal são proporcionais), o tucano rechaçou a composição como vice, mas ao Senado pode ser.
"Vou avaliar, ver o que as pesquisas (de intenção de voto) vão mostrar", resumiu.
Em 2022, apenas uma vaga no Senado vai estar em disputa no estado.
PSDB DIZ QUE NÃO DISCUTIU CANDIDATURA AO GOVERNO
Por meio de nota, o presidente estadual do PSDB, Vandinho Leite, afirmou que "a Executiva estadual não discutiu candidaturas ao governo do Estado. No momento, a legenda está focada nas prévias presidenciais e na formação de chapas proporcionais".
"Lembrando que, hoje, o ex-vice-governador César Colnago trabalha com o presidente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, deputado Erick Musso, candidato declarado ao governo", complementou.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.