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Análise

Contarato: de Magno Malta ao PT e à possibilidade de disputar o governo do ES

Senador anunciou, nesta segunda, que vai para o PT, partido ao qual foi convidado pelo próprio Lula, que comemorou. Governador Renato Casagrande disse à coluna que filiação "não influencia" o PSB

Publicado em 13 de Dezembro de 2021 às 13:04

Públicado em 

13 dez 2021 às 13:04
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Ex-presidente Lula e Fabiano Contarato (Rede) em encontro nesta terça-feira (4), em Brs
Ex-presidente Lula e o senador Fabiano Contarato. Ex-presidente petista convidou o parlamentar do Espírito Santo a ingressar no PT. Contarato aceitou Crédito: Ricardo Stuckert/Instituto Lula
Em 2014, Fabiano Contarato, delegado da Polícia Civil que ganhou notoriedade à frente da Delegacia de Delitos de Trânsito, ensaiou uma candidatura ao Senado, pelo PR (hoje PL), liderado por Magno Malta.
O pedido de registro de candidatura já havia até sido feito ao Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES). Em julho daquele ano, veio a renúncia, por "motivos estritamente pessoais". Nos bastidores, a história é que Contarato e Magno, até então publicamente alinhados, estranharam-se.
Magno, que na época era senador e estava casado com a deputada federal Lauriete, já tinha a verve de defender valores conservadores, digamos assim, ao menos no campo dos costumes.
Representante dos evangélicos, o então senador também havia apoiado os governos do PT e ficou marcado por fotos atrás dos presidentes Lula e Dilma Rousseff, como "papagaio de pirata".
Quatro anos depois, o jogo virou. Em 2018, Magno disputou a reeleição, sem sucesso, mas foi um dos principais defensores da candidatura de Jair Bolsonaro (que se elegeu pelo PSL) à Presidência da República.
Contarato, por sua vez, decidiu disputar o pleito ao Senado, desta vez bem longe de Magno, na Rede Sustentabilidade, da ex-senadora Marina Silva, um partido de esquerda.
Foi o candidato mais votado do Espírito Santo, alcançando uma marca superior até mesmo que a de Renato Casagrande (PSB), eleito governador.
No Senado, o redista fez discursos duros contra o governo Bolsonaro e teve atuação destacada na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid, ainda que não integrasse o colegiado.
Como o próprio senador destacou, no entanto, não foi "do contra" o tempo todo, votou a favor de 60% dos projetos apresentados pelo governo federal.
Magno, por outro lado, sem mandato e divorciado de Lauriete, recorreu às redes sociais para manter alguma visibilidade.
Entre propagandas de suplementos alimentares (tipo whey protein), disparou petardos contra opositores do presidente e espalhou desinformação, tendo algumas publicações retiradas do ar pelas próprias plataformas que as hospedam.
Recentemente, o ex-senador voltou a cair nas graças de Bolsonaro, que o leva a tiracolo a eventos oficiais, ainda que não tenha uma função a desempenhar nessas ocasiões.
E o presidente ingressou no PL, sigla do Centrão nacionalmente presidida pelo mensaleiro Valdemar da Costa Neto. No Espírito Santo é Magno quem dá as cartas no Partido Liberal.
Contarato, por sua vez, viu-se alvo de críticas de alguns eleitores nas redes sociais que se disseram "enganados". Pelo fato de ser delegado, pensaram tratar-se, em 2018, de um bolsonarista, uma vez que o presidente goza de prestígio nas forças policiais.
O senador já disse à coluna que se sente até ofendido com essas "análises" de eleitores desavisados: "Eu fui candidato pela Rede. A Rede é um partido de esquerda ou de direita?".
Como a Rede, nacionalmente. teve um fraco desempenho, Contarato avisou, ainda em março deste ano, que iria sair do partido. Sem musculatura, a sigla não permite que ele ocupe postos de destaque no Senado.
No Twitter, o ex-presidente Lula comemorou o anúncio de Contarato, disse estar "muito feliz" com a chegada do aliado à legenda.

CANDIDATURA PALÁCIO ANCHIETA

E agora chegamos ao fator eleições 2022. O senador gostaria de disputar o governo do estado, embora ter espaço para isso não fosse uma questão insuperável para decidir o partido que passaria a integrar.
Recebeu convites do PDT, do PSB e do PT. Este do próprio ex-presidente Lula. Qualquer que fosse a legenda escolhida, o senador teria dificuldades para viabilizar uma candidatura ao Palácio Anchieta.
O PSB tem o governador Renato Casagrande, que deve tentar a reeleição.
O PDT é aliado do governador, embora o prefeito da Serra, Sergio Vidigal (PDT), tenha dito que o apoio a Casagrande está condicionado ao endosso do socialista ao nome do presidenciável Ciro Gomes (PDT).
Vidigal também avaliou que o lançamento de Contarato dividiria os votos do campo progressista, da esquerda, "num estado tão conservador como o nosso...".
E aí tem o PT. Nacionalmente, o partido pode formar parceria com o PSB que, para isso, exigiria contrapartidas nos estados, como o apoio dos petistas ao governador do Espírito Santo e, logo, a não propositura de uma candidatura própria. A porta eleitoral, assim, estaria fechada para Contarato.
O governador Renato Casagrande afirmou à coluna nesta segunda que a filiação de Contarato não altera o cenário nacional:
"Essa ação aqui no Espírito Santo não influencia a decisão do PSB nacional"
Renato Casagrande (PSB) - Governador do Espírito Santo
O presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, avalia que ainda está muito cedo para prever o que vai acontecer. Por enquanto, o presidente nacional, Carlos Siqueira, foi autorizado, por maioria de votos, pelos deputados federais do PSB e pelos presidentes estaduais do partido a começar a tratar da formação de uma federação.
Federações são coligações "turbinadas", que têm que durar o mandato todo, não somente no período eleitoral. As tratativas ocorrem, também, com o PT.
Há até a possibilidade de o PSB filiar o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB) para ser o vice de Lula. Alckmin, no entanto, pode migrar para o Solidariedade.
Por falar em São Paulo, eis um estado que pesa nas articulações e onde há um impasse. O PT tem a pré-candidatura de Fernando Haddad ao governo e o PSB, a de Márcio França.
Voltando ao Espírito Santo, o presidente do PSB avalia que a possível candidatura de Contarato "dividiria, um pouco, votos, sim". "Mas vamos avaliar. Não sei se ele vai ser candidato", ponderou.
"O PSB é um partido democrático. Se o PT quiser lançar candidato (ao governo), tudo bem. Contarato é um parceiro nosso na oposição a Bolsonaro e, só por isso, já merece elogios. Ele até disse para a gente que, filosoficamente, o partido com o qual ele mais se identifica é o PSB, mas decidiu pelo PT e respeitamos isso", complementou Gavini.

PODER DE NEGOCIAÇÃO

O fato é que, filiando Contarato, o PT tem mais poder de negociação com o PSB e azeita o caminho para uma eventual parceria.
O Partido dos Trabalhadores pode dizer: "Formem federação comigo, tenho concessões a fazer. Por exemplo, posso não lançar Contarato para disputar contra vocês".
Se, do contrário, o partido lançar o senador ao Palácio Anchieta, o próprio PT pode ser um peso para ele, o que Contarato não desconhece.

VIABILIDADE ELEITORAL

Ele admitiu que no Espírito Santo há um forte sentimento antipetista e, mais que isso, contra partidos e iniciativas de esquerda, progressistas, quaisquer que sejam as denominações.
Fora que, se o PL é um partido que ingressou no mensalão, a compra de votos por parte do governo Lula no Congresso Nacional, o PT que é o protagonista desse e de outros escândalos de corrupção, como os descortinados na Operação Lava Jato.
"Os governos liderados pelo PT devolveram ao país credibilidade internacional, permitiram aos pobres cursar universidade, expandiram a estrutura de ensino no país, abriram os porões da ditadura com a Comissão Nacional da Verdade, democratizaram a participação da sociedade nas decisões de governo, geraram crescimento econômico alinhado com políticas sociais exitosas, devolveram aos brasileiros o orgulho nacional", asseverou Contarato, nesta segunda, em comunicado divulgado à imprensa.
"Seus erros foram investigados e devidamente punidos pela Justiça. Defendo que a lei vale para todos e tem de ser cumprida doa a quem doer", contemporizou.
"Onde Bolsonaro e Sergio Moro estiverem, o PT não vai estar"
Jackeline Rocha - Presidente estadual do PT
Presidente estadual do PT, Jackeline Rocha destacou à coluna, nesta segunda, que Contarato já aparece em pesquisas de intenção de voto como pré-candidato ao governo do Espírito Santo, antes mesmo, portanto, da filiação ao partido. 
O diretório nacional do Partido dos Trabalhadores, no entanto, é quem vai bater o martelo sobre a  possível aliança com o PSB de Casagrande, logo, o PT local depende dessas tratativas. Mas uma coisa Jackeline Rocha asseverou: o partido não quer ficar ao lado de Bolsonaro nem do ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro (Podemos), que foi algoz de Lula na Lava Jato.
Ocorre que o secretário de governo de Casagrande, Gilson Daniel, também presidente estadual do Podemos, é um dos principais apoiadores de Moro no estado. Até anunciou que integra o time do presidenciável, para elaborar propostas municipalistas.
Questionada sobre Gilson Daniel, a presidente estadual do PT disse que não ia "personalizar" o debate. "Gilson Daniel foi um bom prefeito em Viana, presidiu a Associação dos Municípios do Espírito Santo, mas enquanto coordenador da candidatura do Moro no governo Casagrande ... não tem mediação nem palanque neutro. Queremos palanque para o Lula", cravou.
Se lançar Contarato, o PT local garante um palanque exclusivo para o ex-presidente. As peças do tabuleiro começam a se mexer, mas o xeque, só no ano que vem.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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