Candidato a prefeito de Vila Velha,
Coronel Ramalho, desde março, está filiado ao PL, partido que faz oposição ao governador Renato Casagrande (PSB). Isso representou uma mudança brusca, já que, em 2022, o militar da reserva da PM defendeu publicamente a reeleição de Casagrande e, até o início de 2024, integrava o primeiro escalão da gestão do socialista.
Agora candidato a prefeito de Vila Velha, o ex-secretário estadual de Segurança Pública tem feito críticas ao PSB do governador, que está no palanque do prefeito da cidade canela-verde, Arnaldinho Borgo (Podemos).
Ramalho lembra constantemente, na campanha, que o PSB "é esquerda, é o partido do vice do Lula". É verdade. O Partido Socialista Brasileiro é uma sigla de centro-esquerda à qual o vice-presidente da República, Geraldo Alckmin, é filiado.
Mas o coronel diz isso num tom de reprovação e até de alerta aos eleitores, pois, segundo ele, o PSB é algo muito ruim e até perigoso.
Obviamente, é uma contradição, pois, se é tão ruim assim, por que, dois anos atrás, o próprio Ramalho estava ao lado de Casagrande na eleição para o governo do Espírito Santo? E por que, até outro dia, estava num governo do PSB?
Ele não respondeu, de pronto. Usou o tempo para criticar Arnaldinho Borgo citando temas não relacionados à pergunta.
Depois, lembrou que, no período em que foi secretário, as estatísticas na área da Segurança Pública melhoraram no estado e creditou esse resultado a si mesmo e "às nossas polícias".
Insisti. Lembrei que,
em agosto de 2022, o próprio Ramalho me disse o seguinte: "Estive dentro do projeto do governador. Nunca vi um governador que investisse tanto na segurança. Meu projeto é estar junto com ele na campanha".
Aí, na sabatina, o coronel afirmou que esteve ao lado de Casagrande, em 2022, porque "era outro momento político":
"Meu partido (o Podemos, na época) estava coligado com o partido do governador. Reconheço o esforço do governo nas melhorias das instituições de segurança pública e nos números do estado. Nós lideramos esse processo juntos".
Mas, um segundo depois, voltou ao discurso "Lado A x Lado B", em que não há nuances nem meios-termos.
Ramalho disse que esteve ao lado de Casagrande, apenas dois anos atrás, frise-se, por "inexperiência política".
"Quando você entra em um partido de oposição, o PL, você começa a entender os espectros da direita e da esquerda. Ou você é direita ou você é esquerda", analisou o candidato do Partido Liberal.
"Mas, hoje, estamos consolidados dentro do PL, dentro de um projeto muito maior, pensando em 2024, mas também em 2026", acrescentou.