Coronel Ramalho: "O bolsonarismo não é minha única plataforma"
Eleições 2024
Coronel Ramalho: "O bolsonarismo não é minha única plataforma"
Ex-secretário estadual de Segurança Pública é pré-candidato a prefeito com o slogan "Vila Velha é canela verde amarela"
Publicado em 05 de Julho de 2024 às 03:00
Públicado em
05 jul 2024 às 03:00
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Coronel Ramalho no lançamento da pré-candidatura a prefeito de Vila VelhaCrédito: Divulgação
Após se filiar ao PL, partido do ex-presidente Jair Bolsonaro, o ex-secretário estadual de Segurança Pública, coronel Alexandre Ramalho, deu uma guinada ainda mais à direita.
Ele já era conhecido por, publicamente, defender pautas similares às bandeiras levantadas pelo bolsonarismo, logo, não deu nenhum "cavalo de pau" ideológico, mas o tom e a frequência dos posicionamentos aumentaram, com direito ao slogan "Deus, pátria e família".
"(O bolsonarismo, ou a disputa entre esquerda e direita) não é minha única plataforma. Falo do déficit de atendimento nas consultas médicas em Vila Velha, da desmotivação dos professores, dos diretores comissionados indicados para as escolas, da guarda municipal desmotivada, que sumiu dos jornais", afirmou o ex-secretário à coluna.
Ramalho critica ações e serviços da gestão do prefeito Arnaldinho Borgo (Podemos), é verdade. Aliás, o pré-candidato do PL chama o principal adversário de "prefeito das pracinhas". "Minha plataforma é transparência, segurança pública, o cuidado com as crianças autistas", exemplificou.
Mas o tema da pré-campanha do coronel é "Vila Velha é canela verde amarela", numa clara alusão às cores apropriadas pelo bolsonarismo.
Ele frisa, em entrevistas, por exemplo, que Arnaldinho tem aliados "de esquerda" ou que o PSB, sigla de centro-esquerda capitaneada pelo governador Renato Casagrande no Espírito Santo, é quem de fato administra a cidade.
O militar deixa claro o clima de nós contra eles, em que o que ele considera esquerda é o "lado mau" e a direita, o "lado bom".
"(Se o prefeito for reeleito), Vila Velha vai continuar sendo governada pela esquerda. Só quem não entra nesse jogo é o PL", afirmou Ramalho à coluna,
Até janeiro de 2024, Ramalho estava no primeiro escalão do governo Casagrande, mas sustenta que sua participação foi apenas técnica, não política.
"Não posso deixar de valorizar o PL, partido que me recebeu. E isso combina comigo: liberação de armas para a população, redução da maioridade penal (bandeiras da direita que são definidas em âmbito federal, não municipal)."
Nacionalizar uma eleição municipal, entretanto, é um risco. No mesmo ano de 2022, Casagrande superou, em Vila Velha, o então candidato do PL ao governo do Espírito Santo, Carlos Manato (51,93% a 48,07% no segundo turno).
E isso porque o pleito estadual, na ocasião, foi dominado pelo debate da política nacional, algo, teoricamente, mais improvável de ocorrer quando estão em disputa os cargos de prefeito e vereador.
Mas toda eleição e toda estratégia envolve risco. No fim das contas, quem decide é o eleitor.
PRESENÇA DE BOLSONARO
Coronel Ramalho espera que Jair Bolsonaro vá a Vila Velha durante a campanha: "O filho dele, Eduardo, disse que ele (Jair) vai".
VICE NA CHAPA
De acordo com o pré-candidato a prefeito, o vice na chapa deve ser indicado pelo próprio PL ou pelo PRTB, partido parceiro.
CADÊ MANATO?
Após ser bem votado em 2022 para o governo estadual, o ex-deputado federal Carlos Manato não tem participado ativamente das eleições municipais, salvo algumas exceções.
Ramalho contou não ter muito contato com ele. O coronel dialoga mais, dentro do PL, com o presidente estadual da sigla, o senador Magno Malta, e com o deputado estadual Callegari.
E O PT, HEIN? E O LULA?
Na guerra ideológica contra Arnaldinho, Ramalho não tem como dizer que o prefeito está ao lado dos petistas, arquirrivais dos bolsonaristas.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.