Coser em saia justa na eleição para a presidência da Assembleia do ES
Áudio polêmico
Coser em saia justa na eleição para a presidência da Assembleia do ES
Em áudio enviado a correligionários, petista afirmou que a imagem de Marcelo Santos "é muito comprometida". Casagrande, do qual o ex-prefeito é aliado, entretanto, apoia o deputado para comandar o Legislativo
Publicado em 26 de Janeiro de 2023 às 02:10
Públicado em
26 jan 2023 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
João Coser, ex-prefeito de Vitória e deputado estadual eleitoCrédito: Vitor Jubini
O petista "mergulhou". Nunca se disse, publicamente, interessado em comandar o Legislativo estadual. Por fim, Hoffmann e Pagung deixaram a corrida, que ficou polarizada entre Vandinho e Marcelo.
Em áudio enviado via WhatsApp a um grupo de correligionários, Coser narrou a saga:
"Então, meu nome continua colocado para um cargo da Mesa, com aval da Iriny, com conhecimento do partido, mas não sou candidato a presidente porque a Assembleia não tem nem imagem… seria uma 'forçação' de barra muito grande e eu só teria chance se nós tivéssemos o compromisso do governador de virar candidato pelas mãos dele".
"Estamos trabalhando, construindo uma chapa. O Vandinho, hoje, é o mais provável candidato. Mas ainda tem uma semana. O Marcelo é mais experiente, mas a imagem dele é muito comprometida. Se as eleições fossem hoje, nós votaríamos no Vandinho e ele seria o presidente da Casa”, diz Coser, em outro trecho.
Como é possível notar na transcrição, Coser considera que a imagem de Marcelo "é muito comprometida". E tendia a votar em Vandinho. O tucano contava com mais apoio entre os colegas e futuros deputados do que o parlamentar do Podemos.
Tudo mudou, contudo, quando o governador Renato Casagrande (PSB) decidiu, na segunda-feira (23), endossar a candidatura de Marcelo Santos.
Muitos integrantes da base governista já haviam dito que, se houvesse uma sinalização clara do Palácio Anchieta, adotariam a orientação do governo. E assim foi feito. Vandinho viu boa parte dos que o apoiavam migrarem para outro palanque.
Em 2020, o próprio deputado era oposição. Fez uma "visita surpresa" ao hospital Dório Silva, após exortação do então presidente da República, Jair Bolsonaro (PL). A Secretaria Estadual de Saúde, na época, considerou que houve uma invasão.
Além disso, Vandinho é um possível candidato à Prefeitura da Serra em 2024, ao contrário de Marcelo, que não vai disputar em Cariacica.
Outros casagrandistas também são da Serra e não gostariam de ver o tucano em uma posição de destaque em pleno ano eleitoral. O mandato de presidente da Assembleia vai de 1º de fevereiro de 2023 a 31 de janeiro de 2025.
E AGORA, COSER?
A coluna não conseguiu contato com Coser nesta quarta-feira (25). Uma pessoa próxima a Marcelo Santos, no entanto, afirmou que o petista já assinou a lista de apoio à candidatura do deputado do Podemos à presidência da Assembleia.
O áudio vazado de Coser tem sido usado como munição pelos apoiadores de Vandinho.
"Me solidarizo com a fala de João Coser, que diz que o candidato Marcelo é muito comprometido", afirmou Hudson Leal (Republicanos) à coluna.
"O Coser levantou uma ferida violenta do candidato do governo. Queremos saber por que o candidato do governo está descredenciado, conforme a gravação", alfinetou Theodorico Ferraço (PP).
"Que o governo não sacrifique os deputados, fazendo com que votem contra suas consciências", complementou.
Toda essa verve se explica pelo fato de que, se Marcelo Santos está de um lado, Theodorico está de outro.
Ele e Hudson são os principais fiadores da candidatura de Vandinho.
A base casagrandista na Assembleia, mesmo considerando a nova configuração a partir de 1º de fevereiro, entretanto, é maioria. E deve fechar com Marcelo Santos.
O governo ainda trabalha para que haja, como tradicionalmente ocorre na Assembleia, apenas uma chapa inscrita na eleição da Mesa Diretora. Ou seja, para que Vandinho desista de disputar. A votação, aberta e nominal, vai ocorrer no próximo dia 1º.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.