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Curtas políticas: As figurinhas que faltam no álbum das eleições de 2024 no ES

As convenções partidárias terminaram, mas há lacunas. Quem vai ser o vice de Pazolini, por exemplo? Veja também: Marcelo Santos perde e recupera controle de partido; Meneguelli quer disputar o Senado em 2026

Publicado em 07 de Agosto de 2024 às 03:00

Públicado em 

07 ago 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Convenção do Partido Republicanos
O prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini, em entrevista após a convenção municipal do Republicanos Crédito: Fernando Madeira
O prazo para a realização de convenções partidárias terminou na segunda-feira (5). Nas convenções, os partidos registram em ata quem vai ser candidato e/ou qual candidato a sigla vai apoiar. Mas nem sempre esses eventos preenchem todas as lacunas. É possível, como ocorre frequentemente, que os convencionais (filiados com direito a voto) decidam não decidir. Eles delegam à Executiva do partido, municipal ou estadual, o poder de bater o martelo.
Assim, até agora, faltam figurinhas no álbum das eleições de 2024 no Espírito Santo. Ou seja, nem todos os jogadores estão definidos. Uma das principais dúvidas é: quem vai ser o vice na chapa do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos)?
A convenção que referendou a candidatura dele à reeleição deixou isso em aberto. O próprio prefeito afirmou, em entrevista coletiva, que o nome vai ser anunciado até o dia 15 de agosto, limite do prazo para registro de candidaturas na Justiça Eleitoral. 
OS "CANDIDATOS" A VICE
O Progressistas de Vitória, em convenção, listou três nomes entre os quais Pazolini pode escolher um companheiro, ou companheira, de chapa: a empresária Cris Samorini, o presidente da Câmara de Vitória, Leandro Piquet, e o presidente municipal do PP, Marcos Delmaestro.
O ex-secretário municipal de Governo Aridelmo Teixeira (Novo), entretanto, é considerado o "vice dos sonhos" do prefeito de Vitória, que vive, assim, um dilema. O presidente estadual do PP, deputado federal Da Vitória, já disse que o republicano se comprometeu a escolher um progressista.
O Progressistas é um partido mais robusto que o Novo. Além disso, se optar por Cris Samorini, Pazolini ainda pode contar com a verba do Fundo Eleitoral destinado às candidaturas femininas.
E MURIBECA?
Outro filiado ao Republicanos está, até o momento, sem vice anunciado. Trata-se do deputado estadual Pablo Muribeca, candidato a prefeito da Serra.
Havia a expectativa de que ele revelasse um nome até domingo (4), o que não se concretizou. 
Muribeca flertava com o PSDB. Até compareceu à convenção municipal dos tucanos, no domingo. Mas lá também estiveram adversários do parlamentar, como Weverson Meireles (PDT) e Audifax Barcelos (PP). 
Na noite desta terça-feira (6), Muribeca afirmou à coluna que já há definição sobre quem vai ocupar a vaga de vice. Só não disse quem é a pessoa em questão.
E WEVERSON?
O mercado político da Serra vivia um suspense quanto ao desfecho da convenção do PDT. 
O partido, na noite de segunda-feira, ou seja, aos 45 do segundo tempo (ou eu deveria dizer aos 15 minutos de acréscimo no segundo tempo, como virou praxe nos jogos olímpicos de 2024?) confirmou Weverson Meireles como candidato a prefeito.
Mas e o vice? Ou a vice? Não houve anúncio. O nome vai ser do MDB, que tem a delegada Gracimeri Gaviorno no páreo, ou do Podemos.
ALERTA
Parte das notas desta coluna pode se autodestruir em breve. Calma, leitor, elas não vão explodir. Mas podem ficar desatualizadas, na medida em que as indefinições aqui citadas forem solucionadas.
Mas aí você vai saber que elas foram postergadas o máximo possível e isso nunca é em vão.
E GANDINI?
O deputado estadual Fabrício Gandini desistiu de disputar a Prefeitura de Vitória. O partido dele, o PSD, integrava um grupo que decidiu apoiar o ex-prefeito Luiz Paulo Vellozo Lucas. Integrava, pois o partido, até agora, não subiu no palanque do tucano.
O PSD de Vitória delegou à Executiva estadual, comandada pelo ex-deputado estadual Renzo Vasconcelos, a prerrogativa de definir para onde a sigla vai na Capital.
Gandini é próximo de Luiz Paulo, mas nem compareceu à convenção municipal do PSDB, à espera do posicionamento do presidente estadual do PSD.
E RENZO?
Aliás, Renzo Vasconcelos é candidato a prefeito de Colatina e ainda não tem vice definido. É mais uma lacuna a ser preenchida.
RIGONI VAI COORDENAR CAMPANHA DE LUIZ PAULO
Quando o PSD ainda estava no grupo que orbitava a candidatura de Luiz Paulo, o presidente municipal do MDB (sigla que está no palanque do tucano), Sérgio Borges, contou à coluna que já estava tudo certo para Gandini ser o coordenador da campanha do tucano.
O PSD, como já registrado aqui, entretanto, afastou-se e ainda não decidiu para onde vai.
Nesta quarta-feira (7), a equipe de comunicação de Luiz Paulo Vellozo Lucas anunciou que o coordenador da campanha do ex-prefeito de Vitória vai ser o presidente estadual do União Brasil, Felipe Rigoni.
Rigoni também é secretário de Meio Ambiente do governo Renato Casagrande (PSB). O União é uma das principais legendas da coligação do tucano.
O partido tem o vice na chapa, o advogado Victor Ricciardi, que é bem próximo do presidente estadual. De agosto de 2022 até o início de julho de 2024, Ricciardi era assessor especial na Secretaria Estadual de Meio Ambiente, um cargo comissionado.
Luiz Paulo Vellozo Lucas, Felipe Rigoni e Victor Ricciardi
Luiz Paulo Vellozo Lucas, Felipe Rigoni e Victor Ricciardi Crédito: Divulgação
MENEGUELLI 2026
O deputado estadual Sérgio Meneguelli (Republicanos) não vai disputar as eleições de 2024. Além disso, não vai apoiar nenhum dos candidatos a prefeito de Colatina, cidade que já administrou. Ao menos por enquanto, o parlamentar vai lançar mão do sigilo do voto.
"Não sou obrigado a me manifestar, apesar de ter simpatia pela candidatura do Renzo", afirmou o parlamentar à coluna, no domingo (4). "Ninguém deve votar em um candidato porque o Meneguelli, o Bolsonaro ou o Casagrande indicaram e sim porque acha que é o melhor para a cidade". 
Enquanto isso, Meneguelli faz planos para as eleições de 2026:
"Não disputarei a reeleição de deputado estadual. Meu projeto, hoje, é o Senado"
Sérgio Meneguelli (Republicanos) - Deputado estadual
Em 2022, o ex-prefeito de Colatina, que estava sem mandato, também ensaiou disputar o Senado, mas o próprio partido dele, o Republicanos, puxou-lhe o tapete. O candidato ao Senado pelo partido, naquele ano, foi Erick Musso.
BFF (BEST FRIEND FOREVER)
A coluna mostrou que Meneguelli, ao contar que não seria candidato a prefeito (o que não foi uma surpresa)  revelou ter recebido uma proposta de Renzo Vasconcelos (isso, sim, foi inesperado).
O deputado estadual narrou que, cerca de 15 dias antes das convenções do Republicanos e do PSD de Colatina, Renzo propôs que ele, Meneguelli, fosse o candidato a prefeito.
O grupo de Renzo o apoiaria na empreitada e, em troca, Meneguelli ajudaria o ex-deputado estadual a se eleger deputado federal em 2026. Meneguelli não aceitou a sugestão.
Renzo, em entrevista à coluna, confirmou o relato. O pai dele, Pergentino Junior, entretanto, negou. Junior é presidente do Republicanos de Colatina e garantiu à coluna que em nenhum momento cogitou-se que Renzo Vasconcelos não seria candidato a prefeito.
 O tom de Pergentino Junior foi tão contundente que a coluna avaliou que poderia ser o fim da parceria entre Renzo e Meneguelli.
Mas um dia depois lá estava Renzo no gabinete de Meneguelli na Assembleia Legislativa:
Sérgio Meneguelli e Renzo Vasconcelos
Sérgio Meneguelli e Renzo Vasconcelos Crédito: Instagram/@renzo.vasconcelos

MARCELO SANTOS PERDE. E GANHA

O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União), movimenta-se politicamente por meio de interpostas pessoas. Explico: ele não preside nenhum partido, mas aliados dele presidem.
O trabalho remoto, entretanto, nem sempre funciona (o meu funciona, direto de casa ou de onde eu estiver, mas aí é outra história).
Assim, uma aliada de Marcelo presidia o PRD (fruto da fusão entre PTB e Patriota) no Espírito Santo, mas foi destituída do cargo pela Executiva nacional do partido. Ela, porém, recorreu ao Judiciário e voltou ao posto.
Joelma Costalonga estava à frente da Comissão Executiva Provisória do PRD-ES desde janeiro de 2024 e seguiria na função até novembro. "Entretanto, foi surpreendida por decisão do presidente do diretório nacional do partido que 'destituiu a Executiva Provisória Regional sem que fosse oportunizado o contraditório e a ampla defesa, em clara violação ao estatuto (do partido)'".
O trecho citado, entre aspas, é da Ação Anulatória protocolada por Joelma Costalonga contra a direção nacional do PRD.
O juiz federal Alceu Maurício Júnior, do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), atendeu, nesta terça-feira (6), ao pedido dela e restabeleceu o órgão provisório do PRD presidido pela aliada de Marcelo Santos até o julgamento definitivo do caso.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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