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Curtas políticas: as tretas entre PT e PSB e os reflexos no ES

Casagrande disse ser contra federação com PT e qualquer outro partido; petista diz ser "lamentável"  posição do governador. E mais: vacina para crianças menores de 5 anos; reajuste em auxílio em Cariacica

Publicado em 05 de Janeiro de 2022 às 02:10

Públicado em 

05 jan 2022 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande
Governador Renato Casagrande tem aliados que defendem Lula, Moro e Ciro Crédito: Rodrigo Araújo/Secom ES
Em entrevista ao jornal O Globo, o governador Renato Casagrande, que é secretário-geral do PSB, afirmou ser contra a formação de uma federação, que é uma espécie de coligação turbinada, com o PT ou qualquer outro partido.
Na avaliação do governador, lideranças políticas do PSB ficariam "acomodadas": "Quando você faz a federação, os dirigentes partidários não correm atrás de novas filiações, novas lideranças, não fazem chapa completa de deputado federal, deputado estadual. Muitos dirigentes se sentem já resolvidos, sem precisar ir atrás de novas lideranças. Se o PSB quiser continuar se consolidando como um partido de médio para grande porte, como ainda é hoje, tem que ter chapa federal em todos os estados". 
Em conversa com a coluna, o presidente estadual do PSB, Alberto Gavini, disse que não está acomodado e que, no estado, o partido tem nomes para disputar vagas de deputado federal e estadual. O próprio Gavini votou contra a formação de federação, quando o PSB nacional consultou os dirigentes estaduais. A maioria dos presidentes regionais, no entanto, disse sim.
O problema, admitiu Gavini, é outro.

"DESCONFORTÁVEL"

Se o PSB formar uma federação com o PT, vai haver verticalização, com reflexo direto nos estados. Somente um candidato à Presidência da República seria endossado pelo grupo partidário, o ex-presidente Lula.
Na aliança de Casagrande, no entanto, há outros nomes. O PDT de Sergio Vidigal tem a pré-candidatura de Ciro Gomes e o Podemos, do secretário estadual de Planejamento, Gilson Daniel, lançou o ex-juiz Sergio Moro na disputa.
"O governador tem parceria com partidos com candidato a presidente, PDT, Podemos ... e a federação dificulta. O governador ficaria numa posição desconfortável. Ficaríamos com uma única candidatura à presidência. Não há necessidade de o PSB fazer federação", analisou Gavini.
"Principalmente Ciro e Lula são candidaturas que nos agradam. A do Moro não, pela lógica do partido. Poderíamos apoiar tanto Ciro quanto Lula. A federação, para o Espírito Santo, mais atrapalha do que ajuda", complementou.
Como a coluna já pontuou por mais de uma vez, ter a imagem atrelada a Lula não é bom para Casagrande. Ele deve tentar a reeleição e o sentimento antipetista no Espírito Santo é forte.

"COLIGAÇÃO PIORADA"

Para o presidente estadual do PSB, a federação seria "uma coligação piorada". Ao contrário da coligação, que está proibida, a federação tem duração de  quatro anos, não termina quando acaba a eleição. 
"Essa amarração obrigatória... tem que ter um regimento interno único. É como se os três partidos (considerando que o PCdoB também integraria a federação) virassem um e por quatro anos. Hoje estamos bem, mas e se no meio do caminho tiver algum problema? Foi uma decisão ruim do Congresso. Comeram mosca. Era melhor manter a coligação", reclamou Gavini.
Ele ressaltou que não se trata de rechaçar o PT, com o qual o PSB tem uma boa relação. "Temos uma bandeira comum: Fora, Bolsonaro".

"LAMENTÁVEL"

Além de se colocar contra a formação de uma federação, Casagrande, ainda em entrevista ao Globo, que "se alguém da terceira via for para o segundo turno com o Lula, a eleição pode surpreender". Ou seja, o petista pode perder, na avaliação do socialista, se o alçado ao segundo turno não for Jair Bolsonaro (PL).
Aí vamos combinar que não fez uma análise de outro mundo. As pesquisas mostram que Lula, na frente, e Bolsonaro, em segundo, lideram as intenções de voto, mas também os percentuais de rejeição.
A presidente estadual do PT, Jackeline Rocha, considerou "lamentável" a posição de Casagrande.
"Lamentável a forma como o Renato vê o PT e a candidatura do Lula", afirmou a petista, à coluna. 
Ao contrário do presidente estadual do PSB, ela avalia a federação como uma coisa positiva que, diferentemente da coligação, não impulsiona as chamadas legendas de aluguel, partidos que fornecem tempo de TV e dinheiro do fundo eleitoral em troca de uma aliança vantajosa, mesmo sem alinhamento ideológico.
"Realmente é difícil a posição que o governador tem hoje. Ele tem que tomar algumas decisões. Optou por fazer aliança com setores conservadores que não garantem a estabilidade do governo dele. São aliados do governo de Renato os que defendem Moro e até o bolsonarismo", criticou, num tom acima do que normalmente adota em relação à gestão estadual. 
"A fala do governador é um ataque gratuito ao PT", ressaltou a presidente estadual do PT.
Apesar de tudo isso, ela diz que nada impede uma parceria com o PSB, cujos integrantes os petistas "encontram nas ruas, no Fora, Bolsonaro". 
O senador Fabiano Contarato saiu da Rede e anunciou que vai para o PT. Ele é pré-candidato ao governo do Espírito Santo. Se a parceria entre PT e PSB não vingar, Casagrande pode ter o parlamentar como adversário nas urnas este ano.

VACINA PARA MENORES DE CINCO ANOS

O Butantan, que produz a Coronavac, vacina contra Covid-19, pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) que libere a imunização de crianças e adolescentes de 3 a 17 anos. 
Atualmente, a única vacina autorizada para uso pediátrico é a da Pfizer, para crianças de 5 a 11 anos.
O governador Renato Casagrande afirmou à coluna que, se a Anvisa aprovar, "a maioria dos governadores tem parecer favorável à vacinação das crianças". 
"Vai depender da Anvisa, o Fórum de Governadores vai esperar. Nós não vamos pedir (à Anvisa) porque o Butantan já pediu isso e a Anvisa que vai tomar a decisão".

REAJUSTE EM AUXÍLIO EM CARIACICA

A lei 173/2020, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro, proibia a concessão de reajustes e outros benefícios a servidores públicos até o dia 31 de dezembro de 2021. Passado esse marco temporal, já começaram a surgir algumas benesses.
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (DEM), sancionou, nesta terça-feira (4), o aumento no valor do auxílio-alimentação dos servidores, de R$ 200 para R$ 300. Além disso, todo mundo, inclusive aposentados e pensionistas municipais, vão receber R$ 1 mil extra em janeiro. 
É uma espécie de abono, que também estava vedado até o final do ano passado.

PENTE-FINO

Enquanto isso, no governo do Espírito Santo foi publicado decreto que passa um pente-fino nos gastos, reeditando norma aplicada em anos anteriores.
Todos os contratos com valor igual ou superior a R$ 500 mil devem ser revisados; carros oficiais, de representação, somente podem ser usados por governador, vice-governadora, secretários de estado e diretores-presidentes das entidades da administração pública indireta e cargos hierarquicamente equivalentes; gastos, via de regra, têm que ser submetidos à Comissão de Melhorias, Eficiência e Racionalização dos Gastos Públicos.

COFEE BREAK LIBERADO

Algumas despesas, no entanto escapam da necessidade de pedir permissão ao grupo, tais como:
as referentes à participação de servidores em cursos, congressos, seminários e outros eventos dentro e fora do Estado, inclusive no exterior, desde que não ultrapasse o valor de R$ 11.096; 
as referentes à realização de eventos que envolvam a contratação de serviços de buffet, de coffee break, locação de espaço, iluminação, sonorização, equipamentos de palcos e palanques, e demais despesas afins, quando relativas à representação institucional ou oficial, de responsabilidade ou autorizadas pela Secretaria de Governo; convênios, termos de cooperação técnica e/ou contratos de patrocínio para o apoio estadual na realização de eventos, tais como festivais, festividades, feiras, encontros, gincanas, exposições e competições.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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