Curtas políticas: Fechamento do comércio não está em discussão, diz Casagrande
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Curtas políticas: Fechamento do comércio não está em discussão, diz Casagrande
E mais: Teste, quando disponível, e vacina vão ser cada vez mais cobrados no ES; Neucimar em campanha por aliado no TCU; deputado que critica o governo vai a evento no Palácio Anchieta; para prefeito, Casagrande parece Silvio Santos
Publicado em 26 de Janeiro de 2022 às 02:10
Públicado em
26 jan 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Governador Renato CasagrandeCrédito: Helio Filho/Secom ES
O fechamento de estabelecimentos comerciais, industriais e de serviços não está, no momento, em discussão no Espírito Santo, de acordo com o governador Renato Casagrande (PSB), apesar da nova onda de Covid-19.
"Também sou contra. Todo mundo é contra fechamento. Só uma pessoa fora de órbita seria a favor, mas a realidade pode se impor. Nenhum governante toma medida restritiva porque deseja tomar. A realidade é que vai exigindo. Mas, neste momento, não está colocado isso", pontuou Casagrande à coluna.
TESTE E VACINA
Como registrei nesta terça (25), o que se avalia é a adoção da exigência do comprovante de vacinação contra a doença, o chamado passaporte, em estabelecimentos como bares e restaurantes.
O governo também estuda passar a exigir a apresentação de teste de Covid de quem quer acessar shows no estado. Para isso, no entanto, é preciso ampliar a oferta de testes. Diante da alta procura, tem sido difícil fazer a testagem, mesmo na rede particular.
"O teste vai ser cada vez mais cobrado e a vacina cada vez mais cobrada. Teste, neste momento, não. Ainda não conseguimos dar vazão a toda a demanda de teste, mesmo com 500 pontos de livre testagem no estado", avaliou Casagrande.
"Na hora que a gente destravar essa coisa de teste vamos passar a exigir teste nos shows. Não podemos exigir ainda porque as pessoas não estão conseguindo fazer (o teste) a tempo e a hora. Temos que ser razoáveis, ter bom senso", complementou o governador.
"A gente quer passar a cobrar passaporte da vacina em ambientes controlados. Claro que na praia, num bar totalmente aberto, como um quiosque, não dá para cobrar", avaliou, obviamente.
PASSAPORTE NO PALÁCIO
Solenidade de lançamento do Fundo Cidades 2022, no Palácio AnchietaCrédito: Helio Filho/Secom ES
Nesta terça-feira, o lançamento do Fundo Cidades reuniu mais de 50 prefeitos, além de deputados estaduais, federais e vereadores no Palácio Anchieta. Isso sem contar secretários e o staff do próprio governo. O Salão São Tiago ficou lotado.
Para entrar, todos tiveram que apresentar comprovante de vacinação. "Aqui só entrou quem está vacinado", discursou Casagrande. A aglomeração também foi grande, principalmente na hora de tirar fotos. A maioria usava máscara corretamente.
EVAIR APLAUDE
Entre os presentes estava o deputado federal Evair de Melo (PP), um dos vice-líderes do governo Bolsonaro.
Sentado na primeira fila, ao lado de outras autoridades, Evair acompanhou a solenidade e até aplaudiu trecho do discurso do governador, que citava a previsão de investimentos para 2022 (R$ 2,5 bilhões).
Evair frequentemente critica o governo estadual. A pauta do evento, no entanto, era municipalista, tratou do envio de recursos para prefeituras.
Além de Evair, outro deputado federal marcou presença: Neucimar Fraga (PSD).
AJUDA PARA CANDIDATO AO TCU
Aliás, depois da solenidade, Neucimar foi fazer campanha para o deputado federal Hugo Leal (PSD-RJ), relator do orçamento de 2022.
Leal quer ser o escolhido pela Câmara dos Deputados para ocupar uma vaga no Tribunal de Contas da União (TCU). A cadeira da ministra Ana Arraes vai ficar livre em julho, quando ela completa 75 anos e a aposentadoria é obrigatória.
Arraes é filha de Miguel Arraes, um dos maiores nomes do PSB nacional, e ex-deputada federal por Pernambuco.
O correligionário de Neucimar concorre com outros nomes do Centrão na Câmara para ficar no lugar dela. O deputado do Espírito Santo pediu apenas que Casagrande converse com Hugo Leal, por telefone.
ASSEMBLEIA
Onze dos 30 deputados estaduais também compareceram à cerimônia de lançamento do Fundo Cidades 2022. Coube a Marcelo Santos (Podemos), vice-presidente da Assembleia Legislativa, representar a Casa ao discursar. Erick Musso, que é pré-candidato ao governo, não foi. Marcelo é aliado de Casagrande.
O Fundo Cidades, que é uma transferência de recursos fundo a fundo do governo estadual para municípios, foi proposto pelo Executivo e aprovado pela Assembleia. Na hora da apresentação para os prefeitos, diversos políticos foram colher os louros.
Ao sair da Secretaria de Governo, o secretário Gilson Daniel (Podemos) poderia ganhar menos notoriedade nos bastidores. A Secretaria de Economia e Planejamento, que ele passou a comandar este mês, no entanto, é a que abriga o Fundo Cidades.
Coube a Gilson apresentar os dados do do programa, que é caro aos prefeitos. Ele é pré-candidato a deputado federal.
O FUNDO CIDADES
Inicialmente, cada prefeitura do Espírito Santo vai receber R$ 500 mil para elaborar projetos. Depois, vem o dinheiro para realizar obras ou compra de equipamentos, por exemplo. A prioridade é usar os recursos para mitigar os efeitos de desastres naturais (às vezes não tão naturais assim), como enchentes e secas.
É dinheiro para construção de muro de contenção, drenagem de ruas, remoção de pessoas que vivem em áreas de risco de desabamento e construção de reservatórios de água. Problemas com os quais os prefeitos vivem às voltas, de tempos em tempos.
O valor total a ser repassado pelo fundo em 2022 ainda não foi definido. Em ano eleitoral, foi o suficiente para Casagrande ser aplaudido por prefeitos e vice-prefeitos, que podem ser cabos eleitorais.
"QUEM QUER DINHEIRO?"
O presidente da Associação dos Municípios do Espírito Santo (Amunes), Victor Coelho (PSB), prefeito de Cachoeiro de Itapemirim e aliado do governador, quis elogiar, mas escolheu mal as palavras.
Contou, em discurso, que ouviu de um prefeito, lá no Palácio, que Casagrande "está parecendo o Silvio Santos: 'quem quer dinheiro?'". "E é isso mesmo", concordou Coelho.
Então o governador está jogando dinheiro (público) para o alto, como o apresentador de TV, em pleno ano eleitoral?
O próprio Casagrande tentou consertar o "elogio": "Não jogamos dinheiro para o alto, Victor. Aplicamos onde precisa".
CENA POLÍTICA
O deputado Marcelo Santos contou, em discurso na solenidade de lançamento do Fundo Cidades, que comprou um sabão em pó novo, que prometia, na embalagem, exercer várias funções. Ao chegar em casa, ouviu críticas da esposa, que preferia um sabão em pó conhecido, que tem as mesmas propriedades e funciona, comprovadamente. O novo sabão não teve bom desempenho.
Marcelo transformou o episódio em parábola. Com bastante, digamos, criatividade, comparou o governador Renato Casagrande a um sabão em pó "já testado" que deve continuar a ser usado, ou seja, permanecer no governo e não ser substituído por uma "aventura", que seria o sabão em pó que promete mundos e fundos. "Nosso sabão em pó experimentado, Renato Casagrande, está ali", bradou Marcelo.
Para completar, o próprio governador comprou a história e disse que o governo é um sabão em pó tão bom que deixa as coisas transparentes, tanto que o estado é primeiro lugar no ranking de transparência, e apontou para o titular da Secretaria de Estado de Controle e Transparência, Edmar Camata, que, felizmente, não deu continuidade à parábola.
A conclusão da coluna é apenas uma: o deputado Marcelo tem que usar mais a máquina de lavar.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.