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Curtas políticas: Fiat Uno de R$ 20 milhões aparece em declaração de candidato no ES

Veja também: Presidente da Assembleia defende homenagem a Gratz: "Não podemos apagar a história"; braço direito de Magno Malta emite "alerta de perigo"; o PP e a verba do Fundo Eleitoral

Publicado em 20 de Agosto de 2024 às 03:00

Públicado em 

20 ago 2024 às 03:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Declaração de bens de Roberto Catiri
Declaração de bens de Roberto Catirica no DivulgaCand, site oficial do TSE, antes da correção dos valores Crédito: Reprodução/DivulgaCand
O ex-vereador Roberto Catirica (Podemos) quer voltar à Câmara da Serra e, para isso, é candidato no pleito de 2024. Como tal, declarou à Justiça Eleitoral os bens que possui e o site oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exibiu a cifra: R$ 525 milhões.
Somente uma casa, localizada na Serra, vale R$ 300 milhões e um carro, modelo Fiat Uno, R$ 20 milhões. Se isso estivesse correto, o ex-vereador seria o candidato mais rico entre os mais de 9,6 mil que disputam as eleições municipais este ano no Espírito Santo.
Mas, claro, há algo (muito) errado. As cifras estão infladas em 99.900%. É que algumas casas decimais foram inseridas equivocadamente. 
"QUEM DERA!"
A coluna entrou em contato com Catirica nesta segunda-feira (19). Ele se disse surpreso com os dados lançados no sistema e providenciou a correção.
Os bens dele, somam, na verdade, R$ 525 mil, não milhões. O Fiat Uno Mille Way Economy citado na declaração apareceu, após os reparos (na declaração), estimado em R$ 20 mil.
O modelo parou de ser fabricado no Brasil em 2021 e é querido por muitos, afetivamente. Mas não é uma relíquia milionária.
"O preço de um Fiat Uno Mille Way Economy pode variar dependendo do ano e do estado de conservação do veículo. Atualmente, os preços estão na faixa de R$ 21.000,00 a R$ 31.900,00", informa o Copilot, chat de buscas da Microsoft turbinado com inteligência artificial.
A residência de R$ 300 milhões, da mesma forma, baixou para R$ 300 mil. De acordo com Roberto Catirica, o imóvel está localizado em Nova Almeida, um bairro legal da Serra, mas as casas não estão tão valorizadas assim por lá. "Quem dera!", exclamou o ex-vereador.
De acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES), cada candidato deve conferir os dados inseridos no sistema. Para pedir alguma correção (não há prazo determinado para isso), o candidato ou o partido têm que fazer uma petição eletrônica. O cartório eleitoral substitui os dados.
Roberto Catirica afirmou à coluna que, no caso da declaração de bens dele, o erro foi, justamente, do cartório.
ALERTA DE PERIGO
Vice-presidente do PL no Espírito Santo, Carlos Salvador, braço direito do senador Magno Malta (PL), fez um alerta aos eleitores que são "Deus, família, pátria e liberdade". Em um vídeo, Salvador diz o seguinte:
"Aparece aquele número (o número de urna do candidato) e na sequência vem o enxerto (...) são essas coligações, esses partidos que são um conglomerado de partidos de centro, de esquerda, que vão se juntar a uma candidatura e dizer às pessoas: 'Não, aqui é um partido de centro' e tal".
"Mas vamos ter muito cuidado porque o enxerto é onde está o grande perigo. Você, que é conservador, fique atento a isso", alertou Carlos Salvador.
AS PROIBIDONAS
Como a coluna mostrou, o próprio PL está em alguns desses "enxertos". São dez "coligações proibidonas" para eleger prefeitos no Espírito Santo, em que o Partido Liberal se juntou a siglas que foram banidas em ofício assinado por Magno, o presidente da legenda no estado.
Carlos Salvador enviou o documento aos diretórios municipais do PL, mas, na prática, as coligações se consolidaram e não foram desfeitas pela cúpula estadual.
O PL deu as mãos a PP, Republicanos, Podemos e até ao PDT em cidades capixabas.
BOLADA
Por falar no Progressistas (PP), de acordo com a Folha de S. Paulo, o partido vai repassar R$ 4 milhões do Fundo Eleitoral para cada deputado federal filiado à legenda indicar a aliados que disputam as eleições deste ano.
Por essa lógica, o PP-ES contaria, ao menos, com R$ 8 milhões, considerando que temos dois deputados federais do partido, Da Vitória, que preside a sigla no Espírito Santo, e Evair de Melo.
"O montante expressivo virou motivo de piada na Câmara nesta semana, já que destoa dos valores que serão distribuídos pelas demais legendas. O segundo partido que dará mais recursos a seus deputados é o PSD, com R$ 2,5 milhões", registrou a coluna Painel, da Folha.
O PP tem, ao todo, R$ 417 milhões, verba do Fundo Eleitoral, abastecido pelos cofres públicos, para gastar na campanha no país.
O PP-ES QUER MAIS
À coluna, Da Vitória afirmou, nesta segunda-feira (19), que está "finalizando as conversas com o diretório nacional para saber o valor exato que teremos no Espírito Santo".
"Temos 26 candidatos a prefeito e 24 a vice e, se formos trabalhar o teto de recurso em cada cidade, o Fundo não atende", avaliou o presidente estadual do PP. Ou seja, o partido, no estado, quer mais dinheiro do Fundo Eleitoral do que está previsto pela instância nacional.
Na Serra, onde o PP lançou Audufax Barcelos a prefeito, por exemplo, o limite de gastos da campanha estabelecido pela Justiça Eleitoral para cada candidato é de R$ 3,2 milhões.
MARCELO SANTOS: "NÃO PODEMOS APAGAR A HISTÓRIA"
Sem citar o nome do homenageado, o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos (União Brasil), defendeu, nesta segunda-feira (19), a homenagem feita ao ex-presidente da Casa José Carlos Gratz. "Não podemos apagar a história", afirmou Marcelo, durante sessão plenária.
Por ocasião da celebração dos 190 anos da Assembleia, deputados e ex-deputados foram homenageados. Mas a inclusão de Gratz entre os agraciados com a medalha comemorativa alusiva à efeméride gerou críticas. 
O ex-presidente do Legislativo participou da sessão solene de aniversário da Casa, no último dia 12.
E até foi citado no discurso de Marcelo, na ocasião: "Ao longo de quase dois séculos, essa jovem Assembleia Legislativa do Espírito Santo tem sido um pilar fundamental na construção e fortalecimento da nossa democracia, Gratz".
A ONG Transparência Capixaba, porém, pediu, em nota pública, que a homenagem a José Carlos Gratz fosse cancelada. "Esse senhor, conforme qualquer busca rápida na internet evidencia, tem inúmeras passagens pela prisão, condenações e denúncias. Mas não só. Sua passagem pela Assembleia, seja como deputado, seja, especialmente, como presidente da Casa, marca um período sombrio da história capixaba", diz a nota.
A Assembleia não vai revogar a homenagem. 
José Carlos Gratz, de terno cinza mais claro, na sessão que celebrou 190 anos da Assembleia
José Carlos Gratz, de terno cinza mais claro, na sessão que celebrou os 190 anos da Assembleia Legislativa Crédito: Ellen Campanharo
"A história não pode ser apagada. Todos que por aqui passaram, independente da avaliação que qualquer um possa fazer, contribuiu, a seu modo e a seu tempo (...) e foi por escolha de voto direto, eleitos pelo povo", afirmou Marcelo, nesta segunda.
"Nós não podemos apagar a história. Por isso é importante registrar que a homenagem aos parlamentares da atual legislatura e a todos os parlamentares que por aqui passaram não faz nenhuma revisão", acrescentou.
"Não compete à Assembleia Legislativa homenagear um e não homenagear outros, até porque esta é uma casa democrática".
"NINGUÉM FOI NOMEADO"
O deputado estadual Tyago Hoffmann (PSB) fez coro ao presidente da Assembleia. "Li na imprensa críticas a homenagens a ex-deputados. Quero lembrar a todos que fizeram essas críticas que todos esses deputados que por aqui passaram deixaram uma marca", afirmou Hoffmann, durante a sessão da Assembleia desta segunda.
"Essas pessoas foram eleitas pelo povo, pelo voto popular, ninguém chegou nesta Casa nomeado. Todos têm que receber a mesma homenagem. Não pode vossa excelência (Marcelo Santos) fazer escolhas e decidir quem deve ou não ser homenageado. (Marcelo Santos) está correto."

Correção

20/08/2024 - 8:00
Inicialmente, a coluna registrou que o valor dos bens do candidato citado estavam inflacionados em 99,9%. Ironicamente, a coluna também errou as casas decimais. O correto é 99.900%. A informação foi corrigida.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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