Curtas políticas: "Força-tarefa existe há muito tempo no ES" diz secretário de segurança
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Curtas políticas: "Força-tarefa existe há muito tempo no ES" diz secretário de segurança
E mais: Superintendente da PF afirma, de novo, que não vai disputar as eleições de 2022; Pazolini de colete; as intempéries do tempo e do destino na Assembleia Legislativa
Publicado em 20 de Outubro de 2021 às 02:10
Públicado em
20 out 2021 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Alexandre Ramalho, secretário estadual de Segurança Pública, durante entrevista coletiva nesta terça-feira (19)Crédito: Vitor Jubini
Na coletiva de imprensa em que falou sobre a prisão do suspeito de ser o autor da chacina que deixou cinco mortos, em Vila Velha, o secretário de Estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho, afirmou, nesta terça-feira (19), que há tempos as polícias e as guardas municipais trabalham de forma integrada no Espírito Santo, a exemplo do esforço conjunto empreendido para capturar o suspeito em questão.
"Força-tarefa já existe há muito tempo no estado do Espírito Santo, sob a égide do governador Renato Casagrande", disse Ramalho.
A palavra composta não deixa dúvidas sobre o recado. O superintendente da Polícia Federal no Estado, Eugênio Ricas, anunciou a formação de uma força-tarefa, a ser coordenada por um delegado da PF, que contaria ainda com recursos humanos da Polícia Civil, da Polícia Militar, da Polícia Penal e das guardas de Vitória e Vila Velha.
ENTÃO ...
O primeiro a assinar o termo para integrar o grupo foi o prefeito da Capital, Lorenzo Pazolini (Republicanos). Delegado da Polícia Civil e ex-deputado estadual de oposição a Casagrande, o prefeito costuma aparecer de colete à prova de balas em operações da Guarda (talvez inspirado pelo ex-secretário de estado da Segurança Pública Rodney Miranda).
E, no domingo (17), fez uma transmissão ao vivo no Instagram, de colete, com viaturas da Guarda ao fundo, e dizendo: "No momento em que o estado precisa de união de esforços, alguns não estão querendo se unir. A PF está colocando à disposição e aderimos a um convênio. Queria deixar aqui meu apelo às autoridades do estado: que deixem a vaidade de lado, não é o momento de vaidade, não é o momento de soberba".
UM DIA DEPOIS ...
O motorista de aplicativo Saulo da Silva Abner, suspeito de envolvimento na chacina, foi preso na segunda-feira (18). Já nesta terça Ramalho ouviu uma pergunta feita pela TVE (um canal estatal):"A integração entre as polícias foi crucial para a elucidação do crime mais rapidamente?". E não perdeu a oportunidade.
"Fundamental a participação da Guarda Municipal, da Polícia Militar, da Polícia Civil, de forma integrada, criando canais de comunicação, conversando. O canal do 181 aberto, toda a informação fluía no grupo. A segurança pública não pode ter protagonismo", respondeu o secretário.
O superintendente da PF, Eugênio Ricas, diz que a PM, a PC e a Polícia Penal, órgãos estaduais, ainda não fazem parte da força-tarefa criada nos moldes definidos pelo Ministério da Justiça.
O grupo vai funcionar em um imóvel do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), em Vitória, onde está o Núcleo de Operações Especiais da Polícia Rodoviária Federal. Enquanto o local passa por adaptações, a força-tarefa deve começar a atuar, nos próximos dias, na Superintendência da PF mesmo, em São Torquato, Vila Velha.
ESTADO PRESENTE
"O governo do estado apresentou um documento com considerações e esse ofício foi enviado para Brasília. O desenho da força-tarefa é feito com base em determinação que vem de lá. O governo do Espírito Santo sugeriu que a força-tarefa funcionasse como uma câmara temática dentro do Estado Presente. Só que é a força-tarefa é um projeto do Ministério da Justiça. É difícil colocar um programa federal dentro do escopo de um governo estadual", afirmou Ricas, que esteve em Brasília nesta terça para tratar do assunto.
Por enquanto, as Guardas de Vila Velha e Vitória, além da PRF, já se juntaram à PF.
ELEIÇÕES 2022
Ricas, além de divulgar em entrevistas e eventos oficiais a criação da força-tarefa, tem aparecido frequentemente para falar sobre operações da PF.
A coluna já perguntou se ele pretende disputar as eleições de 2022 e, em setembro, Ricas respondeu que não. Nesta terça, a coluna perguntou de novo. A resposta foi a mesma:
"Não sou candidato. Nunca fui filiado a partido político. Sou impedido de concorrer, como superintendente. Essas especulações são para desestabilizar e desacreditar o trabalho da Polícia Federal".
Pazolini garantiu à coluna que não tem proximidade política com Ricas e que, logo, esse não foi um fator preponderante para a PMV aderir à força-tarefa, "tanto que Vila Velha também aderiu". O prefeito de Vila Velha, Arnaldinho Borgo, é do Podemos, partido aliado de primeira hora de Casagrande.
Como a coluna mostrou, na segunda-feira o governador Casagrande afirmou, em discurso no Palácio Anchieta, que "pessoas usam instituições, criadas para fazer investigação e controle, com objetivo de atingir (adversários) ou crescerem dentro de projeto político eleitoral".
Por acaso o governador vê isso ocorrendo no Espírito Santo? "Não. Estou fazendo um registro de preocupação com o Brasil e isso envolve todos os estados", disse à coluna, ainda na segunda. Em nenhum momento citou nomes.
DIRETA?
Teve gente que viu aí uma alfinetada em Ricas. Ou no vereador de Vitória Leandro Piquet (Republicanos), que é delegado da Polícia Civil e reclamou, em vídeo postado nas redes sociais, que uma mudança administrativa no órgão o impediria de exercer o mandato e, ao mesmo tempo, trabalhar na Polícia.
Aqui uma observação: não seria melhor mesmo escolher apenas uma das atribuições, embora o acúmulo não seja ilegal?. Imagino que dê muito trabalho ser delegado e também muito trabalho ser vereador.
EXPLICAÇÃO SOBRE AUSÊNCIA
Pazolini diz que não foi à inauguração da praça no Portal do Príncipe, uma obra do governo estadual, no domingo de manhã, apesar de ter sido convidado, porque estava em outras agendas da prefeitura naquele dia. Nenhum representante da administração municipal compareceu ao evento.
"E também eu recebi o convite às oito e meia da manhã do domingo, não tinha nem tempo hábil para ir", argumentou o prefeito.
E AS PRESENÇAS QUE PARECEM AUSÊNCIAS
O deputado estadual Sergio Majeski (PSB) pediu que a Assembleia Legislativa volte a realizar sessões exclusivamente presenciais. Atualmente, elas ocorrem de forma híbrida, com alguns parlamentares em plenário e outros participando de forma virtual.
Alguns, no entanto, mantêm a câmera do computador ou celular desligada e nem se manifestam quando chamados.
"O Congresso Nacional volta esta semana. Todos nós sabemos que as escolas voltaram na semana passada. Não há mais como a gente justificar perante a sociedade que a Assembleia mantenha sessões híbridas. As pessoas acompanham pelas redes sociais os deputados participando de reuniões, de inauguração, de não sei mais o quê ...", cutucou Majeski, que estava no plenário.
Sessão híbrida da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, nesta terça-feira (19)Crédito: Reprodução
A CIDADE ALAGA, A INTERNET CAI
Fabrício Gandini (Cidadania), por sua vez, defendeu, virtualmente, as sessões híbridas, disse que a pandemia de Covid-19, motivo pelo qual elas foram implementadas, serviu para que empresas se atentassem aos benefícios do trabalho remoto e às possibilidades oferecidas pela tecnologia.
Rafael Favatto (Patriota), participando da sessão diretamente de casa, concordou com o colega e ainda exemplificou: "Pode ser que, mesmo com o nome no painel (eletrônico), o deputado não esteja presente naquele momento (quando chamado e não responde). Hoje mesmo eu tive um problema com a internet e não respondi à verificação de quórum pedida pelo deputado Torino"
"Se eu não tivesse esse mecanismo, possivelmente não poderia participar da sessão porque em Vila Velha está chovendo e a gente não consegue quase sair de casa quando Vila Velha alaga", emendou.
OS MAGISTRADOS DE VIANA
Se em Vila Velha a situação está difícil, em Viana as coisas estão melhores, aparentemente. A prefeitura da cidade, de acordo com o Portal da Transparência, fez pagamentos até para integrantes do Judiciário.
É claro que queriam dizer magistério, gente, calma, eu sei. Mas alguém precisava ser informado:
Portal da Transparência da Prefeitura de Viana mostra "pagamento de profissionais do magistrado"Crédito: Reprodução
Após a publicação da coluna, o termo foi corrigido no Portal da Transparência.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.