Curtas políticas: Pazolini é criticado em ato bolsonarista em Vitória
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Curtas políticas: Pazolini é criticado em ato bolsonarista em Vitória
E mais: loja faz propaganda de promoção de armas de fogo na manifestação; veículo desafia veto a Rose de Freitas; frase de Ciro Gomes é entoada por apoiadores de Bolsonaro; vice de Audifax rebate Manato
Publicado em 08 de Setembro de 2022 às 02:10
Públicado em
08 set 2022 às 02:10
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Manifestantes se concentram na Praça do Papa no Sete de SetembroCrédito: Alexandra Silva/Divulgação
O prefeito tampouco compareceu à manifestação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL), na mesma data, na Praça do Papa. Mas foi criticado lá, não por esse motivo.
No mesmo local estava montado o palco para a realização de shows em comemoração ao aniversário da capital do Espírito Santo, que completa 471 anos nesta quinta-feira (8).
Já na noite desta quarta shows foram realizados na praça. À tarde, enquanto o ato bolsonarista se desenrolava, os músicos faziam a passagem de som, o que gerou barulho.
"SANFONEIRO, PARA O SOM AÍ"
"Em abril reservamos essa praça. O que querem fazer é falta de respeito. Prefeito Pazolini, você é uma vergonha", vociferou um orador em cima do trio elétrico alugado pelos manifestantes.
"Sanfoneiro, para o som aí", pediu. "Nós temos o direito de estar aqui, vocês não", continuou o orador, que conclamou vaias para os músicos, o que o público obedeceu.
"Vieram se aproveitar do nosso público. Politicagem aqui, não", complementou a voz vinda do trio elétrico.
"SEM VIOLÊNCIA"
Poucos minutos depois, o tom foi amainado. "Sem agressão à banda. Ninguém pode jogar um papel lá", orientou um dos organizadores do ato, oficialmente alusivo ao bicentenário da Independência do Brasil.
"Se não deixarem a gente em paz a gente vaia denovo, mas somos contra a violência", asseverou. "Quem está em cima do palco é trabalhador que nem a gente".
Os músicos no palco armado pela prefeitura aplaudiram.
"Quem errou ou quis errar foi a gestão (municipal). A gente não organiza isso aqui em cima da hora", disse ainda um dos oradores no trio.
Não houve mais intercorrências. A passagem de som ocorreu de forma bem discreta ou nem sequer ocorreu de fato, a partir daí.
RESPEITO AO PROTESTO
Em nota enviada à coluna, a Prefeitura de Vitória informou "que foi mantido diálogo permanente com os manifestantes que se encontravam na Praça do Papa, de maneira harmônica, consensual e respeitando o término do protesto para iniciar as apresentações musicais das festividades do aniversário de Vitória".
PROMOÇÃO DE ARMAS DE FOGO
Uma empresa que vende armas de fogo aproveitou o ato na Praça do Papa para fazer propaganda de uma promoção:
Propaganda de armas de fogo em ato bolsonarista na Praça do Papa em VitóriaCrédito: Letícia Gonçalves
Na camiseta de um manifestante, sem relação com a loja de armas, estava escrita uma frase frequentemente dita por Bolsonaro: "Um povo armado jamais será escravizado". O presidente flexibilizou o acesso a armas de fogo no Brasil.
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) convocou quem comprou arma legalmente a se tornar "um voluntário de Bolsonaro".
Uma oradora no trio elétrico usado na manifestação desta quarta pediu votos para o candidato ao governo do Espírito Santo Carlos Manato (PL) porque, entre outros pontos, ele é "a favor do armamento".
Uma frase do candidato à Presidência da República Ciro Gomes (PDT) foi repetida, com créditos para ele, no trio elétrico alugado por bolsonaristas e postado na praça. "O Ciro falou: 'O Lula tá preso, babaca'". Aplausos irromperam na plateia.
Ciro disse isso em 2019, ao participar de um evento da União Nacional dos Estudantes (UNE) em Salvador.
O candidato ao Senado apoiado pela maioria deles é Magno Malta (PL), principal adversário de Rose.
Na Avenida Nossa Senhora dos Navegantes, bem perto dali, um motorhome desafiava o grito de guerra:
Motorhome com adesivos de Jair Bolsonaro e de Rose de FreitasCrédito: Letícia Gonçalves
CAMPANHA ELEITORAL
Na manifestação na Praça do Papa o clima eleitoral deu o tom. Enquanto isso, o desfile de Sete de Setembro realizado no Centro de Vitória foi bem mais comedido. Era um evento oficial, afinal.
Ninguém discursou, nem mesmo o governador Renato Casagrande (PSB), que é candidato à reeleição.
Candidatos a deputado federal e estadual e cabos eleitorais se misturaram ao povo, distribuindo santinhos e pedindo votos.
O NOVO À ESPERA
A campanha da candidata a deputada federal Patrícia Bortolon, do Novo, espera a visita do governador de Minas Gerais, Romeu Zema, do mesmo partido, ao Espírito Santo em apoio a ela.
Difícil. Zema é candidato à reeleição. "A data ainda não foi escolhida e depende do andar da campanha em Minas Gerais", ressaltou a assessoria da candidata.
A coligação de Manato impugnou, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE-ES) a candidatura de Andresa, apontando que ela foi filiada ao MDB antes de ingressar na carreira militar e não deu baixa no registro.
Militares da ativa não podem ser filiados a partidos. Eles apenas se vinculam às legendas pouco antes do pedido de registro de candidatura.
Além disso, Andresa vinculou-se, em 2022, primeiro ao Republicanos. Depois mudou para o Solidariedade.
“Antes de iniciar a campanha, o candidato Manato prometeu colocar um militar em sua chapa. Visitou os quartéis, se comprometeu, mas não cumpriu. Traiu as corporações militares. E agora ele investe contra mim, que ele considera ser a parte mais fraca. Manato, o senhor está enganado, os tempos mudaram. Não vem dar uma de Tenório pra cima de mim, não, que aqui não tem Maria Bruaca”, disse Andresa em vídeo publicado no Instagram.
Tenório e Maria Bruaca são personagens da novela Pantanal, no ar na TV Globo.
A assessoria jurídica da coligação de Audifax já afirmou que está tudo certo com a candidatura, que não deve ser barrada, pois a filiação ao MDB foi anulada automaticamente quando Andresa ingressou no Corpo de Bombeiros.
Sobre o Republicanos, também não houve filiação, de fato, apenas a vinculação temporária permitida aos militares com prazo diverso do dos candidatos civis.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.