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Curtas políticas: PM do ES abre mais um processo contra policial antifascista

E mais: Erick Musso e Aridelmo Teixeira fazem dobradinha; Majeski pede reajuste no valor do auxílio-alimentação de servidores, mas há um problema; barreiras são derrubadas na Assembleia

Publicado em 09 de Novembro de 2021 às 02:10

Públicado em 

09 nov 2021 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Capitão da PM Vinícius Sousa participa de ato contra o presidente Jair Bolsonaro em Vitória
Capitão da PM Vinícius Sousa participa de ato contra o presidente Jair Bolsonaro em Vitória Crédito: Reprodução
O capitão Vinícius de Sousa, da Polícia Militar do Espírito Santo, que integra o "Movimento Policiais Antifascismo" e participou de atos convocados por opositores do presidente Jair Bolsonaro (sem partido), responde a mais um Processo Administrativo Disciplinar (PAD).
Ele já é alvo de PAD que apura se o PM participou de "manifestação contra autoridade militar ou civil com termos ofensivos". No processo, constam fotos de Sousa em atos anti-Bolsonaro e prints de publicações em redes sociais em que o policial elogia o ex-presidente Lula.

"HONRA"

O capitão, que atua em Cachoeiro de Itapemirim, concedeu entrevistas sobre esse primeiro PAD. Afirmou à A Gazeta, em agosto, por exemplo, que a PM do Espírito Santo adota "dois pesos e duas medidas", uma vez que não age com o mesmo rigor, segundo ele, em relação a militares que fazem publicações e participam de manifestações a favor do presidente da República ou pedindo o fechamento do Congresso Nacional.
Devido a essas declarações, o novo PAD foi instaurado, para apurar se o capitão "conspurcou a imagem da PM" e publicou conteúdo "que atente contra a disciplina".
O primeiro PAD ainda está em tramitação. O capitão não foi afastado das funções. Desta vez, ele não concedeu entrevista.

"MATAR BANDIDO"

"O processo é baseado em matérias jornalísticas (o que não é proibido) e questiona uma frase dita pelo Capitão Sousa: 'Segurança não se faz com discurso fascista de matar bandido, e sim com valorização profissional, educação integral e geração de emprego para a juventude'. É um posicionamento honrado e condizente com a Constituição e o Código de Ética, e que de modo algum conspurca a imagem da PM ou atenta contra a disciplina. É na verdade a postura que se espera de todo policial", afirmou o advogado Átila Ramos, que atua na defesa do capitão.
 Neste PAD, as punições requeridas são suspensão ou multa.

CANDIDATO

Sousa disputou as eleições de 2020 como vice da então candidata à Prefeitura de Cachoeiro Joana Darck (PT). Na ocasião, ele estava licenciado das funções, como prevê a lei, e integrava o Rede Sustentabilidade, um partido de esquerda.
Como a dupla não venceu o pleito – Victor Coelho (PSB) foi reeleito –, o capitão retornou ao trabalho e não está filiado a partido. Militares são proibidos de integrar agremiações desse tipo.

CABO TAMBÉM RESPONDE A PAD

O cabo da PM Vinícius Querzone de Oliveira Sousa, outro integrante do movimento antifascista, também é alvo de PAD devido a uma entrevista que concedeu para falar sobre o movimento.
O oficial e o praça são defendidos pela Rede Liberdade, que reúne advogados para trabalhar em casos de violação de direitos e liberdades individuais.

DOBRADINHA ERICK E ARIDELMO

O presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), assinou nesta segunda-feira (8) um convênio com o Instituto Inspira, coordenado pelo secretário municipal da Fazenda de Vitória, Aridelmo Teixeira (Novo).
Pelo acordo, os cerca de mil servidores do Legislativo estadual vão poder cursar MBA em gestão pública na Fucape, da qual Aridelmo é diretor e fundador, e pagar apenas 30% da mensalidade. "Pouco mais de 250 reais", calculou Erick.
O presidente da Casa tem se movimentado como possível candidato ao Palácio Anchieta ou à Câmara dos Deputados.
Já Aridelmo afirmou à coluna que pretende concorrer ao governo do estado. Foi aprovado em processo seletivo do partido para tal.

GRÁTIS

Erick tem "pegado carona" em agendas da gestão de Lorenzo Pazolini (Republicanos) em Vitória. E, agora, também no projeto de Aridelmo, que até discursou por alguns minutos na Assembleia sobre a assinatura do convênio.  
De acordo com a assessoria da Assembleia, a parceria com a Fucape não vai custar nada para o Legislativo estadual.

NO WHATSAPP

Aliás, ainda nesta segunda, Erick Musso apareceu em vídeo, com produção e edição profissionais, afirmando que "quer construir um Estado com a participação de todos, por meio de um debate amplo e democrático, viabilizando políticas públicas para os 78 municípios capixabas”.
A peça revela, ao final, que o objetivo é divulgar um número de WhatsApp no qual as pessoas podem enviar mensagens ao deputado.
A mesma estratégia já é adotada por Casagrande.
A assessoria da Assembleia afirmou que a Comunicação da Casa não atuou na elaboração do vídeo e sim um servidor do gabinete do próprio deputado.

REAJUSTE

O deputado estadual Sergio Majeski (PSB) quer que o governo do estado reajuste o valor do auxílio-alimentação pago aos servidores do Executivo, que hoje é de R$ 300 mensais.
"Para professores com carga horária de 25 horas (semanais) o tíquete é de cerca de 170 reais. Quem consegue se alimentar um mês com 170 reais? É ridículo", discursou o parlamentar, nesta segunda-feira.

PROIBIÇÃO

A Lei Complementar 173/2020, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro e conhecida como Lei de Socorro aos Estados, proíbe o reajuste no salário e nos benefícios de servidores federais, estaduais e municipais até 31 de dezembro de 2021.
Servidores do Ministério Público Estadual (MPES) obtiveram reajuste no auxílio-alimentação, como a coluna mostrou. 
Uma lei estadual de 2001 determina que o auxílio-alimentação dos servidores de lá seja reajustado a cada três meses. A administração da instituição baseou-se em parecer do Tribunal de Contas do Estado (TCES) e entendeu que o aumento escapa da proibição federal. 
Assim, o tíquete dos servidores do MPES vai passar de R$ 1,5 mil para R$ 1,8 mil.

REFLEXÃO

Majeski também discursou na Assembleia pedindo uma "reflexão" sobre a repercussão de mortes de pessoas ricas e famosas, como a da "cantora sertaneja", referindo-se a Marília Mendonça, vítima de um acidente de avião na última sexta-feira (5). 
O deputado pontuou que a artista sofreu uma fatalidade, mas isso causa mais impacto na sociedade do que as mortes de mulheres pobres vítimas de feminicídio – quando o homicídio ocorre apenas pelo fato de ela ser mulher e querer terminar um relacionamento, por exemplo.
Coube à deputada Janete de Sá (PMN) dizer que Marília Mendonça era uma pessoa muito conhecida e representava justamente "as mulheres que não têm voz".
"Não estou diminuindo a questão da comoção pública da morte da cantora", emendou o deputado.

O FIM DAS BARREIRAS

Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo em meio à pandemia de Covid-19
Plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo em meio à pandemia de Covid-19, antes da retirada das barreiras de acrílico Crédito: Ellen Campanharo/Ales
O deputado Adilson Espíndula (PTB) agradeceu à Mesa Diretora da Assembleia a retirada das barreiras de acrílico que haviam sido instaladas no plenário para ajudar a conter o contágio pelo novo coronavírus.
As sessões, no entanto, continuam híbridas, com parte dos deputados participando apenas virtualmente, alguns mantendo silêncio e a câmera desligada por boa parte do tempo, mas com presença registrada.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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