Curtas políticas: uma nova incógnita para Euclério Sampaio
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Curtas políticas: uma nova incógnita para Euclério Sampaio
Veja também: O deputado que vai seguir o prefeito; mais uma federação pode estar a caminho; o que pode e o que não pode nas comarcas digitais; o reajuste do auxílio-creche no Judiciário
Publicado em 12 de Maio de 2025 às 16:25
Públicado em
12 mai 2025 às 16:25
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Euclério Sampaio (MDB) em janeiro, ao tomar posse no segundo mandato como prefeito de CariacicaCrédito: Tiago Alencar
Em janeiro, o prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio, estava com as malas prontas para sair do MDB e presidir o União Brasil estadual. Mas, depois, o União decidiu federar-se com o PP e, no Espírito Santo, o comando da União Progressista vai ficar com o presidente estadual do PP, o deputado federal Da Vitória.
É ele que vai dar as cartas, o que tornou a ida para o União bem menos atrativa para Euclério. Até agora, porém, o prefeito de Cariacica não disse se vai mesmo ou não vai para o União.
Na semana passada, Euclério afirmou ao repórter Tiago Alencar, de A Gazeta, que está à espera de um sinal do presidente nacional do União Brasil, Antonio Rueda.
"Há um acordo que é anterior à federação. Esse acordo foi feito com o Rueda e grupo da base aliada do governo do estado. Se o Rueda confirmar o acordo feito com a gente, eu presido o União. Vou aguardar o posicionamento do Rueda".
Ele não mencionou qual é o acordo. Mas não é segredo para ninguém que a ida de Euclério para presidir o União estadual foi costurada ao mesmo tempo em que o partido, inclusive Rueda, anunciou apoio ao vice-governador Ricardo Ferraço (MDB) na corrida pelo Palácio Anchieta em 2026.
Euclério, portanto, espera de Rueda algo que está fora do alcance do presidente nacional do União, isoladamente.
MDB E REPUBLICANOS
As movimentações no tabuleiro político nacional têm rendido muitas emoções para o prefeito de Cariacica. Se ele ficar no MDB, pode ver o cenário local ser chacoalhado pela possível federação entre emedebistas e Republicanos, partido do prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini.
Pazolini integra um grupo político adversário ao de Casagrande, do qual Euclério faz parte.
Essa federação não está consolidada, mas precisa ser levada em consideração para não provocar novas surpresas e fazer com que Euclério tenha que recalcular a rota, de novo.
Ricardo Ferraço, do MDB, é um possível candidato ao governo. Pazolini, outro. Como a coluna mostrou, os dois não vão caber na mesma federação, que poderia lançar apenas um nome na corrida pelo Palácio Anchieta.
Isso cria uma série de especulações e incógnitas.
Aliás, o próprio Euclério, de acordo com aliados do prefeito, tem pretensão de disputar o Executivo estadual, embora dê sinais de apoio a Ricardo, até por fidelidade a Casagrande.
O que está complicado hoje pode ficar ainda mais.
DEPUTADO ESTADUAL VAI SEGUIR PREFEITO
A decisão de Euclério sobre ir ou não para o União Brasil deve afetar outros políticos no Espírito Santo.
É o caso, por exemplo, do deputado estadual Denninho Silva. Filiado ao União, ele é sobrinho e aliado de primeira hora do prefeito de Cariacica.
"Estou com Euclério na decisão que ele tomar, o que ele decidir eu vou seguir. Se ele ficar no MDB e me pedir para ir para o MDB também, eu vou", afirmou o parlamentar à coluna, nesta segunda-feira (12).
O deputado estadual contou que, mesmo sem ser filiado ao União, Euclério levou vários nomes para o partido, como o próprio Denninho. E que, se o prefeito quiser, todos estão prontos a debandar.
"Euclério colocou vereadores com mandato no União. Ele montou o partido, só sou deputado por causa do Euclério. Tem outras pessoas no União à espera da decisão dele também, para vermos o que vamos fazer", revelou.
Como exerce mandato na Assembleia, Denninho não pode se desfiliar a qualquer momento. Ele teria que esperar a janela partidária, período autorizado pela legislação eleitoral, no ano que vem.
"O grupo do Euclério no União estava aguardando ele assumir a presidência. Com a federação, ficou todo mundo desanimado, inclusive eu"
Denninho Silva (União Brasil) - Deputado estadual
O presidente estadual do União Brasil, ao menos por enquanto, é o secretário de Meio Ambiente do governo Renato Casagrande (PSB), Felipe Rigoni.
O presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos, também é filiado e tem influência na sigla. Foi ele que ajudou a costurar a ida de Euclério para lá, ainda em janeiro.
CIDADANIA + PSB = ?
Enquanto isso, mais uma federação é cogitada. Desta vez, entre o PSB de Casagrande e o Cidadania.
Os dois partidos, no estado, são aliados de longa data e, se a parceria se consolidar, não vai mudar muita coisa por aqui.
Só que o Cidadania, que já teve duas prefeituras na Grande Vitória ao mesmo tempo — Cariacica, com Juninho, e Vitória, com Luciano Rezende (de 2013 a 2020) — encolheu muito.
Hoje, não ocupa mandatos de destaque, nem no Executivo nem no Legislativo. O Cidadania não tem, por exemplo, nenhum deputado estadual ou federal.
Então, parece ter pouco a somar ao PSB.
O presidente estadual do Cidadania é o ex-prefeito Luciano Rezende.
O do PSB é Alberto Gavini. "Se a federação se consolidar, vamos ver quais quadros o Cidadania tem para integrar a chapa de candidatos a deputado estadual, mas o PSB já tem uma chapa boa", afirmou Gavini à coluna, nesta segunda.
"O Cidadania já é parceiro nosso há tempos. O PSB conversa também com o PDT e há possibilidade com o Solidariedade, sobre federação. No dia 30 de maio, vamos ter a convenção nacional do PSB, quando devemos consolidar esse debate", lembrou o presidente estadual do PSB.
COMARCAS DIGITAIS: O QUE PODE E O QUE NÃO PODE
O Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) está transformando algumas comarcas do interior do estado em comarcas digitais. Como a coluna mostrou, isso já aconteceu em Atílio Vivácqua, Jerônimo Monteiro, Marilândia e Rio Bananal.
E não vai parar por aí. O compromisso do presidente da Corte, Samuel Meira Brasil Jr., é não fechar fóruns, ao contrário do que o Tribunal tentou fazer em 2021. Mas a iniciativa atual é, no mínimo, disruptiva e tem dado o que falar no Judiciário estadual.
Na última sexta-feira (09), o TJES publicou um ato normativo que estabelece as diretrizes para a organização e funcionamento das comarcas digitais.
O Ato nº 142/2025 prevê "manutenção de estrutura física e funcional local" e "realização de atos processuais presenciais, sempre que necessário, mediante escala definida pelos juízos da região, sem prejuízo da tramitação digital ordinária".
As comarcas digitais têm que contar com "estrutura de atendimento ao público, compatível com as diretrizes de acessibilidade e inclusão digital".
Os juízes, como já divulgado, vão atender a partes e advogados, principalmente, por videoconferência, mas vai ter atendimento presencial também:
"O atendimento presencial pelos magistrados, no fórum da comarca digital, dar-se-á por agendamento prévio ou conforme escala de atuação dos juízos da região, tudo sem prejuízo do pleno atendimento presencial ou remoto na comarca polo, onde houver".
INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E BUSINESS INTELIGENCE
Em tese, essas medidas reduzem o atendimento presencial, mas, na prática, as comarcas até agora digitalizadas estavam com um contingente de pessoal aquém do necessário e sem juízes titulares, o que tornava morosos o atendimento e o andamento processual.
Agora, as comarcas digitais vão contar com a ajuda da tecnologia para fazer as coisas andarem, como "oferta de atendimento digital assistido por inteligência artificial humanizada, inclusive fora do horário de expediente, com acesso garantido a atendentes humanos mediante solicitação" e "uso de indicadores de desempenho e ferramentas de Business Intelligence (BI) para monitoramento da produtividade e da qualidade dos serviços".
Todos os processos vão tramitar eletronicamente. E, de acordo com o ato normativo, as comarcas digitais vão ter prioridade no atendimento pelo Núcleo de Aceleração de Processos do Poder Judiciário do Estado do Espírito Santo – NAPES. O núcleo tem o objetivo de fazer tramitar mais rapidamente processos que estão no acervo, à espera de uma solução.
O valor, na época, era de R$ 737, 94, tanto para juízes e desembargadores quanto para servidores do Judiciário estadual.
A cifra foi reajustada no último dia 8 e agora é de R$ 809,32.
O salário de um juiz substituto é de R$ 37.660,94 brutos; o de um juiz de Direito, R$ 39.753,22 e o de um desembargador, R$ 41.845,49. Eles também recebem auxílio-alimentação, de R$ 2.646, e auxílio-saúde, cujo valor varia mensalmente.
Os auxílios são consideradas verbas indenizatórias e, ao contrário dos subsídios, os salários em si, não sofrem desconto de Imposto de Renda e Previdência.
O TJES ainda não enviou à Assembleia Legislativa projeto para alterar as taxas cobradas por cartórios de imóveis no Espírito Santo. O Pleno da Corte aprovou, no final do ano passado, uma nova tabela, o que faria com que os compradores de imóveis pagassem valores menores para registrar o bem.
O texto precisava do aval do CNJ antes de ser encaminhado ao Legislativo estadual. O prazo para o Conselho se manifestar, entretanto, já passou e, neste caso, o TJES poderia mandar o projeto para a Assembleia mesmo assim.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.