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Curtas políticas

Da pergunta sem resposta ao f*da-se: os bastidores da visita de Bolsonaro ao ES

Na sessão solene em que o ex-presidente foi homenageado, na Assembleia Legislativa, alguns apoiadores ganharam destaque

Publicado em 11 de Novembro de 2023 às 10:00

Públicado em 

11 nov 2023 às 10:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Faixa de apoiadores de Jair Bolsonaro em frente à Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Faixa de apoiadores de Jair Bolsonaro em frente à Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Letícia Gonçalves
Enquanto o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) visitava o Espírito Santo, nesta quinta (9) e sexta-feira (10), mais trechos da delação do tenente-coronel do Exército Mauro Cid vieram à tona. 
O senador Magno Malta (PL), responsável pela agenda do ex-mandatário em terras capixabas, por exemplo, foi citado pelo militar como uma das pessoas que incentivaram Bolsonaro a dar um golpe de Estado.
A coluna conseguiu perguntar ao ex-presidente, na saída do plenário da Assembleia Legislativa do Espírito Santo, o que ele tinha a dizer sobre as declarações do ex-ajudante de ordens. Foi um questionamento rápido, em meio aos fãs que queriam tirar fotos com Bolsonaro.
Ele ouviu e, em silêncio, saiu do local.
F*DA-SE
O ex-presidente foi à Assembleia para ser homenageado. Na calçada da Casa de leis, após o evento, eis que um grupo de simpatizantes exibia uma faixa com os seguintes dizeres: "F*da-se. Eu apoio Bolsonaro".
O F*da-se, como se pode notar na foto exibida no início desta coluna, foi estilizado com a bandeira do Brasil.
RELEVANTES SERVIÇOS
Bolsonaro recebeu, das mãos de deputados estaduais, o título de cidadão espírito-santense. De acordo com a lei estadual 7.832/2004, a honraria é destinada a personalidade "que tenha prestado relevantes serviços e incontestável benefício ao estado".
ANOTADO
A sessão solene foi proposta por Capitão Assumção e Danilo Bahiense, ambos do PL. Ao discursar, Bolsonaro agradeceu Bahiense, mas teve que olhar uma "cola" na mão para citar o nome dele.
“Pelo semblante dele, parece ser um bom parlamentar”, avaliou o ex-presidente.
O deputado estadual foi mais generoso nos elogios. Disse que Jair Bolsonaro é "o melhor presidente da história deste país".
PERSEGUIÇÃO
Na solenidade, Bolsonaro foi tratado pelos apoiadores como alguém que é "perseguido". Discurso similar, ora, ora, ao dos defensores de Lula (PT) quando este estava acossado por processos e condenações judiciais.
COMUNISTA, EU?
Outra curiosidade é que o senador Magno Malta afirmou que o governo Lula é "comunista". Mas então Magno é um ex-comunista? Afinal, ele apoiou os governos anteriores de Lula e, por um tempo, a gestão de Dilma Rousseff (PT).
TESTE DE DNA
Aliás, Magno, como fez na campanha eleitoral do ano passado, chamou para si a paternidade das obras do Contorno do Mestre Álvaro, na Serra: "Tem muito pai e muita mãe, mas o pai sou eu mesmo".
LONGE DE DEUS
Bolsonaro decidiu citar algo que ele disse ser bíblico: “Quanto mais rico é o homem, mais longe de Deus ele está”.
Por que ele quis ficar com joias e relógios de luxo presenteados ao Estado brasileiro então? 
O senador Magno Malta e o ex-presidente da República Jair Bolsonaro
O senador Magno Malta e o ex-presidente da República Jair Bolsonaro Crédito: Lucas S. Costa/Ales
FÃ-CLUBE
Antes de Bolsonaro chegar à Assembleia, alguns apoiadores já o aguardavam em frente à sede do Legislativo estadual. Nenhuma multidão que faria Vitória "tremer", como deputados estaduais bolsonaristas chegaram a convocar nas redes sociais, mas havia, sim, uma quantidade expressiva de pessoas.
O plenário da Assembleia e as galerias da Casa ficaram lotados.
Apoiadores de Jair Bolsonaro na galeria da Assembleia Legislativa do Espírito Santo
Apoiadoras de Jair Bolsonaro na galeria da Assembleia Legislativa do Espírito Santo Crédito: Mara Lima/Ales

UÉ?!

Entre os deputados estaduais que compuseram a mesa na sessão solene em homenagem a Bolsonaro, estava Adilson Espíndula, do PDT.
Ele não é um político de esquerda, embora esteja filiado ao partido de Sérgio Vidigal.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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