De olho no Senado, Manato se alia a Pazolini e bate o pé sobre o PL: "Só saio se me expulsarem"
Eleições 2026
De olho no Senado, Manato se alia a Pazolini e bate o pé sobre o PL: "Só saio se me expulsarem"
Ex-deputado federal foi candidato ao governo do ES em 2022 sem apoio do prefeito de Vitória, mas as coisas mudaram: "Estamos juntos".
Publicado em 04 de Abril de 2025 às 12:53
Públicado em
04 abr 2025 às 12:53
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
O ex-deputado federal Carlos Manato durante debate na TV Gazeta, nas eleições de 2022Crédito: Carlos Alberto Silva
O ex-deputado federal Carlos Manato (PL) disputou o governo do Espírito Santo em 2022 e conquistou um capital político respeitável ao chegar ao segundo turno, ainda que tenha sido derrotado por Renato Casagrande (PSB).
O contexto daquela eleição, contaminada pelo debate da política nacional, ajudou o ex-parlamentar, que entoou os mantras bolsonaristas na campanha. Depois do pleito, Manato atuou pouco politicamente, com declarações de apoio pontuais nas eleições de 2024.
Agora, ele está de volta. Quer ser candidato ao Senado no ano que vem e movimenta-se para isso. Aliou-se ao prefeito de Vitória, Lorenzo Pazolini (Republicanos), e articula-se com lideranças do interior do estado.
Mas há vários poréns no caminho de Manato. Para começar, a relação dele com a cúpula do PL, leia-se senador Magno Malta, presidente estadual do partido, é péssima, para não dizer inexistente.
A aliança entre Manato e Pazolini também não contou com o aval do partido.
No PL, Manato não vai conseguir ser candidato ao Senado. Aliás, Magno considera que o ex-deputado, na prática, nem integra os quadros da sigla.
O presidente estadual do PL não pretende expulsá-lo, mas espera que ele peça desfiliação.
"Qualquer filiado ao PL que tenha optado por apoiar outra candidatura a prefeito em 2024 está automaticamente fora do partido. Em alguns casos, temos até respaldo para expulsão", afirmou o senador, em nota enviada à coluna.
"Mas preferimos que essas pessoas saiam por conta própria, já que, na prática, não fazem mais parte do nosso quadro"
Magno Malta - Senador e presidente estadual do PL
Manato, entretanto, bateu o pé e disse que só sai do PL se for expulso:
"Todo mundo sabe que tive problemas administrativos com Magno Malta, mas até março de 2026, estou lá. Só saio se me mandarem embora. Não estou preocupado com filiação agora".
A menção a março de 2026 não foi feita à toa. É que quem quiser disputar as eleições do ano que vem tem que estar filiado ao partido pelo qual vai concorrer até o início de abril do ano que vem.
Ou seja, Manato vai ter que arrumar uma sigla que lhe dê espaço para disputar, mas tem um prazo para isso, estabelecido pela legislação.
Para além da datas do calendário eleitoral, contudo, há o tempo da política. O ex-deputado tem que encontrar um abrigo que lhe garanta legenda para concorrer antes que outras lideranças ocupem esse espaço.
E já são muitos os que se movimentam para disputar o Senado.
A ideia do PL nacional, abonada pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, é lançar apenas um candidato "do campo conservador" ao Senado em cada estado, apesar de duas vagas estarem em disputa.
No Espírito Santo, o partido ensaia lançar uma das filha de Magno, Maguinha Malta, embora também tenha como opções o deputado estadual Wellington Callegari e o deputado federal Gilvan da Federal.
"Os conservadores têm que tomar muito cuidado para não entregar as duas vagas para os progressistas. É preciso observar o projeto nacional, não só o estadual. Mas será que as pessoas aqui vão ter essa consciência? Estou fazendo a minha parte", afirmou Manato.
MANATINI
Enquanto isso, há outro grupo político, mais voltado à centro-direita, com planos ambiciosos no estado.
A chapa teria uma vaga de vice e duas de candidatos ao Senado para oferecer a aliados. E é aí que Manato quer entrar.
O PL até se reaproximou do partido do prefeito recentemente, mas não há uma parceria consolidada. Magno, por exemplo, não endossou a ida do ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho para o primeiro escalão de Pazolini.
Manato, por sua vez, abraçou de vez o projeto Pazolini: "Com certeza. E vou me dedicar (à pré-campanha do prefeito de Vitória ao Palácio Anchieta). Tenho falado sobre isso. A quem me pergunta, eu falo que estamos juntos".
Soraya deve ser candidata a deputada federal, assim como Coronel Ramalho. A expectativa é que os dois se filiem ao Republicanos.
Erick Musso, Soraya Manato, Lorenzo Pazolini, Carlos Manato e Cris Samorini, em marçoCrédito: Instagram/@lorenzopazolini
Em 2022, Pazolini não apoiou Manato na corrida pelo governo do Espírito Santo. Aliás, não declarou voto em nenhum dos candidatos.
Na preparação para disputar em 2026, contudo, o prefeito de Vitória está fazendo concessões políticas e estreitando laços que antes ignorava.
Quem comanda a articulação de Pazolini é o presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, secretário municipal de Governo.
Foi com Erick que Manato tratou para viabilizar a aliança com o prefeito de Vitória.
Resta saber se vai conseguir emplacar como um dos candidatos ao Senado do grupo, mas está trabalhando para isso.
O ex-deputado diz que pode até acompanhar Pazolini em agendas pelo interior, atuando como cabo eleitoral do prefeito. "Se a minha presença agregar algum valor, se eie me chamar, eu vou", contou.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.