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Assembleia Legislativa

Deputado aliado de Casagrande ataca coronel que chefia a Casa Militar

Marcelo Santos (Podemos)  diz que coronel Aguiar está ao lado dos colegas de patente que assinaram carta "incitando greve"

Publicado em 08 de Dezembro de 2021 às 09:52

Públicado em 

08 dez 2021 às 09:52
Letícia Gonçalves

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Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Governador Renato Casagrande e coronel Aguiar, chefe da Casa Militar, em visita às instalações reformadas da secretaria
Governador Renato Casagrande e coronel Aguiar, chefe da Casa Militar, em visita às instalações reformadas da secretaria, nesta terça-feira (7) Crédito: Divulgação/Casa Militar
Aliado de primeira hora do governador Renato Casagrande (PSB), o deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) usou a tribuna da Assembleia Legislativa para, já no início da sessão desta quarta-feira (8), atacar o secretário chefe da Casa Militar do governo estadual, coronel Jocarly Martins de Aguiar Júnior.
Para Marcelo, o coronel Aguiar está ao lado dos colegas de patente que assinaram uma carta, um documento timbrado, ao secretário de estado da Segurança Pública, Alexandre Ramalho. 
Na missiva, os oficiais reclamam de falta de diálogo por parte do comandante-geral, coronel Douglas Caus, e fazem menção indireta a uma possível nova paralisação da PM, a exemplo do que ocorreu em 2017, diante do que consideram um clima de insatisfação generalizado na tropa. Tal insatisfação estaria ancorada em pleitos salariais. 
Entre eles, aliás, está o abate-teto, um desconto, aplicado nos contracheques dos coronéis para que não recebam mais do que o próprio governador, um impedimento legal.
"Eu queria chamar a atenção do governador, a quem admiro, quero perguntar qual é a função do chefe da Casa Militar. Será que ele está dormindo em berço esplêndido e não viu esse movimento dos coronéis para alertar o governador?", bradou Marcelo Santos.
"Eu acho que o coronel Aguiar, que está lá como chefe da Casa Militar, faz parte disso. Acorda, governador, acorda!", continuou. 
Deputado estadual Marcelo Santos (Podemos)
Deputado estadual Marcelo Santos (Podemos) Crédito: Ellen Campanharo/Ales
"Coronel Aguiar é um parceiro dos outros (coronéis) e não do senhor. E o que ele vem fazendo na Casa Militar é o que diz no Hino Nacional, dormindo em berço esplêndido enquanto alguns coronéis fazem uma 'rebelião' e ele os recebe de tapete vermelho, branco, azul, amarelo", complementou.
A carta foi assinada por 15 dos 20 coronéis da ativa da Polícia Militar do Espírito Santo. "Movimentação de alguns coronéis da Polícia Militar fazendo um motim, fazendo um movimento incitando greve", resumiu Marcelo Santos.
O coronel Aguiar não está entre os signatários do texto. 
Quem acabou desmoralizado no episódio foi o comandante-geral. As reivindicações ou ponderações do Alto Comando deveriam ter sido enviadas a ele e não diretamente ao secretário de Segurança, que também é coronel. 
"A Polícia Militar merece o nosso respeito. Soldado, cabo, sargento, subtenente, os majores, os capitães de polícia. Mas não podemos ter um chefe da Casa Militar que joga contra o governo enquanto a gente se acaba aqui no plenário para defender o governo do estado, defender o governador, que é um homem sério", discursou, ainda, Marcelo Santos.
"O chefe da Casa Militar trabalha de forma diferente. Na Polícia Civil também tem gente assim e, a partir de agora, vou começar a dar nome aos bois, e às vacas também"
Marcelo Santos (Podemos) - Deputado estadual
Casagrande minimizou a carta dos coronéis, avaliou que não há risco de nova greve da PM e afirmou que os militares devem reconhecer os esforços do governo na área da segurança pública.
O governador não parece compartilhar o descontentamento de Marcelo Santos com o coronel Aguiar. Nesta terça-feira (7) mesmo, Casagrande prestigiou o chefe da Casa Militar, visitou as instalações reformadas da secretaria, que funciona no segundo andar do Palácio da Fonte Grande, em Vitória.
A coluna tentou contato com o coronel Aguiar, por meio da Superintendência Estadual de Comunicação, mas não obteve retorno.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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