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"Desindicação" de Edmar Camata para a PRF abre precedente no governo Lula

Policial que atua no governo do ES foi anunciado pelo futuro ministro da Justiça, Flávio Dino, como diretor-geral da corporação. Mas, por ter elogiado a Lava Jato no passado, o convite foi desfeito nesta quarta-feira (21)

Publicado em 21 de Dezembro de 2022 às 18:27

Públicado em 

21 dez 2022 às 18:27
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Edmar Camata
Edmar Camata, secretário de Controle e Transparência do Espírito Santo Crédito: Secont/Divulgação
A indicação de Edmar Camata, policial rodoviário federal lotado no Espírito Santo e secretário de Controle e Transparência do governo Renato Casagrande (PSB) como diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal (PRF) durou menos de 24 horas. O nome dele foi anunciado na terça-feira (20) pelo futuro ministro da Justiça, Flávio Dino (PSB), e substituído nesta quarta (21).
Camata foi derrubado por publicações que ele mesmo havia feito nos últimos anos nas redes sociais em defesa da Operação Lava Jato e da prisão do agora presidente da República eleito Lula (PT).
Petistas e apoiadores mais aguerridos do presidente, entre eles advogados de réus na Lava Jato, insurgiram-se contra a escolha de Dino pelo secretário de Casagrande.
A ideia era que Camata, que tem posicionamento político ponderado e cujo nome agrada às associações de classe da PRF, pudesse "distensionar o ambiente", como o próprio indicado pretendia.
A coluna até apostou que ele seria mantido no posto, apesar das críticas. O contrário seria Dino se desdizer. Mas foi o que ele fez.
Para explicar a mudança de postura, o futuro ministro afirmou que, em meio à polêmica, Camata não teria condições de gerir a PRF. O futuro titular do Ministério da Justiça garantiu que a decisão de voltar atrás partiu dele mesmo e que "vai ser melhor" para Camata assim.
A questão é: a equipe de transição, ou a que assessora Dino, não tinha informações suficientes sobre o indicado antes de escolher o novo diretor-geral da PRF?
Dino disse em entrevista coletiva à imprensa que tinha conhecimento sobre o posicionamento político de Camata, mas não sobre o teor das postagens. 
"O fato, hoje, é que Lula está preso. Também estão presos Cabral, Cunha, Geddel, Vaccari, André Vargas, Henrique Alves, Palocci, Gim Argelo… todos presos. Todos inocentes? Todos sem provas? Lula não foi o primeiro. Ao contrário, sua prisão foi cercada de precauções, para muitos, desnecessárias", escreveu Camata, em 2018.
Os prints vieram à tona. O secretário até deletou a conta no Twitter e abriu uma nova. Tarde demais.
"Em relação a posições dele pretéritas sobre Lava Jato, Sergio Moro, Dallagnol, sim, claro, mas volto a dizer, não é um critério, mas aí a questão é que houve uma postagem particular e outras, enfim. Realmente, não é um julgamento sobre o que ele achava em 2017 e 2018, porque realmente não é um critério, a meu ver, determinante, mas em face da polêmica ele no futuro não reuniria condições para se dedicar como nós gostaríamos", justificou Dino, nesta quarta.
O que o futuro ministro tentou dizer foi que o problema não foram os posicionamentos de Camata e sim que os outros indicados para compor a cúpula do ministério reagiram mal a eles. 
O futuro ministro não respondeu quando questionado sobre situações semelhantes.
A senadora Simone Tebet (MDB-MS), que também foi crítica aos governos do PT, mas tornou-se um apoio importante a Lula no segundo turno, seria, assim, barrada na equipe também?
E o senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP), que foi um notório lavajatista e hoje é aliado de Lula? Vai ser descartado?
E mais: como fica o vice-presidente eleito, Geraldo Alckmin (PSB), que, em 2017, afirmou que Lula queria "voltar à cena do crime" ao tentar retomar o poder?
Se, com a escolha de Camata, o governo fazia um aceno ao centro político, como a coluna analisou, a "desindicação" mostra que a futura gestão, ao contrário, está bem suscetível a pressões políticas que se chocam com a ideia de uma frente ampla.
A governadora do Ceará Izolda Cela (ex-PDT) já foi rifada do Ministério da Educação em favor do ex-governador Camilo Santana (PT).
O DESTINO DE CAMATA
Agora, Camata vai seguir à frente da Secont no próximo governo Casagrande, que começa em janeiro. O governador confirmou isso, via Twitter, no final da tarde desta quarta, pouco depois da "desindicação".
O secretário, em 2018, foi candidato a deputado federal pelo PSB. Saiu do partido para chefiar a pasta de Controle e Transparência, uma exigência do cargo. 
Em 2022, não disputou as eleições.
A coluna tentou contato com Edmar Camata nesta quarta-feira. Ele se manifestou apenas nas redes sociais:

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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