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Pedido de Cassação

Destino de Armandinho começa a ser definido na Câmara de Vitória

Vereador está preso preventivamente e afastado do mandato. Agora, enfrenta pedido de cassação. Corregedoria se reuniu nesta segunda-feira (3). Na quarta (5), uma decisão crucial vai ser tomada

Publicado em 03 de Abril de 2023 às 10:14

Públicado em 

03 abr 2023 às 10:14
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos)
Vereador de Vitória Armandinho Fontoura Crédito: Câmara de Vitória
A Corregedoria da Câmara de Vitória, formada por cinco vereadores, se reuniu na tarde desta segunda-feira (3) e deu início à tramitação da representação por quebra de decoro apresentada contra Armandinho Fontoura (sem partido). O parlamentar é alvo de pedido de cassação do mandato. 
Ele está preso preventivamente, por ordem do Supremo Tribunal Federal, desde o dia 15 de dezembro. E afastado do mandato, por determinação da Justiça Estadual, desde 1º de janeiro.
Um morador de Vitória, que foi candidato a vereador em 2020 pelo PSB, apresentou formalmente o pedido de cassação, constante na representação.
Cabe ao corregedor-geral, Leonardo Monjardim (Patriota), decidir se a solicitação pode ser admitida, ou seja, se deve ser analisada pelo órgão. Monjardim tem cinco dias úteis, a partir desta segunda, para emitir um posicionamento.
"Pretendo dar um parecer até quarta-feira. Se a representação for admitida, vou enviar um ofício ao Armandinho, que vai ter dez dias úteis para apresentar defesa", contou o corregedor à coluna na manhã desta segunda.
Os membros da Corregedoria foram formalmente informados sobre a representação por quebra de decoro.
E o corregedor convocou nova reunião, para as 16h de quarta-feira (5), quando vai apresentar o posicionamento a favor ou contra a admissibilidade da representação.
Na mesma data, se Monjardim decidir dar prosseguimento ao caso, um relator vai ser sorteado entre os membros da Corregedoria.
OS MEMBROS DA CORREGEDORIA (BIÊNIO 2023/2024):
  • Leonardo Monjardim (Patriota) – corregedor-geral
  • Davi Esmael (PSD)
  • Luiz Emanuel Zouain (sem partido)
  • Karla Coser (PT)
  • André Brandino (PSC)
A coluna, ao conversar com parlamentares na semana passada, apurou que, hoje, o clima não é de cassação e sim de aplicação de uma penalidade mais branda a Armandinho. A ver.
O vereador se apresenta como conservador, do mesmo espectro político do vereador afastado.
É autor, por exemplo, do projeto que queria implantar o programa Escola sem Partido nas escolas de ensino fundamental de Vitória, proposta que foi rejeitada pela Câmara.
Mas não adota a mesma verve de Armandinho Fontoura. Acredita que os parlamentares não devem ser agressivos uns com os outros, apesar de divergências ideológicas.
O corregedor é ex-jogador de basquete. Será que vai querer fazer uma cesta política? 
Na reunião da corregedoria desta segunda, Monjardim frisou que o juízo de admissibilidade vai ser feito observando apenas se a representação contra o vereador afastado cumpre os requisitos técnicos para tramitar no colegiado.
E afirmou que não pretende "enterrar" o assunto, o que sinaliza que Armandinho vai, sim, responder a um processo disciplinar.
"(Há) pessoas querendo insinuar que isso vai ser enterrado na Corregedoria. De forma nenhuma! "
Leonardo Monjardim (Patriota) - Vereador e corregedor-geral da Câmara de Vitória
A ACUSAÇÃO
A representação por quebra de decoro, como a coluna mostrou, elenca episódios protagonizados por Armandinho em plenário, como ataques a autoridades públicas e a instituições, a imputação, sem provas, de que o ministro do Supremo Alexandre de Moraes teria uma biografia marcada pelo "envolvimento com o crime" e a voz de prisão dada a um homem que assistia a sessão da Câmara da galeria da Casa e bateu boca com o vereador.
São sete itens a serem analisados, cinco deles relacionados ao inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal, o mesmo que levou o vereador à prisão.
Davi Esmael, na reunião da Corregedoria desta segunda, pediu que Monjardim solicite acesso aos autos que tramitam no Supremo sob sigilo antes de decidir sobre a admissibilidade da representação. 
O corregedor-geral respondeu que tem um prazo para emitir o parecer (logo, não poderia esperar pela resposta do STF), que não avalia, neste momento, se Armandinho "é inocente ou réu" e que o relator "sendo sorteado, vai poder pedir acesso às informações processuais".
Davi insistiu que o juízo de admissibilidade não poderia ser feito sem a análise das peças sigilosas e sem que a Corregedoria ouça o morador de Vitória que acusou o vereador afastado de quebra de decoro. 
"Que (o corregedor) traga o autor da denúncia, para que a gente possa inquiri-lo", afirmou o parlamentar do PSD. Para o corregedor-geral, Davi Esmael atuou como "advogado de defesa" de Armandinho e não como membro da Corregedoria.
A Câmara de Vitória aprovou, em plenário, o Código de Ética e Decoro Parlamentar na última terça-feira (28). A representação contra Armandinho havia sido protocolada na sexta (24).
O código, que até então não existia – processos disciplinares contra vereadores eram regidos apenas de acordo com o Regimento Interno da Câmara de Vitória – foi redigido pela então vereadora Camila Valadão (PSOL) e proposto pela Mesa Diretora, na época presidida por Davi Esmael, em agosto 2022.
O atual presidente da Casa, Leandro Piquet (Republicanos), pautou o projeto de resolução agora, por, segundo ele, não ter tido a oportunidade de fazê-lo antes, uma vez que assumiu o comando do Legislativo em 1º de fevereiro e aguardou até que novos vereadores – que assumiram mandatos no lugar de parlamentares eleitos deputados estaduais – se ambientassem. 
Mas não foi coincidência.
O novo código, na avaliação de Piquet e de outros vereadores, não pode ser usado para enquadrar Armandinho no que se refere ao mérito das acusações, para definir se ele quebrou ou não o decoro, mas o novo rito descrito na norma deve ser aplicado.
Isso torna o processo disciplinar mais célere. E dá mais responsabilidade ao corregedor-geral.
A defesa de Armandinho Fontoura, certamente, vai se insurgir contra esse entendimento. Faz parte do jogo.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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