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Eleições 2026

Direita congestionada na disputa pelo Senado no ES

Há ao menos nove pré-candidatos "conservadores" à cadeira de senador no estado, mas nem todos vão mesmo aparecer nas urnas no ano que vem

Publicado em 10 de Outubro de 2025 às 07:54

Públicado em 

10 out 2025 às 07:54
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Plenário do Senado 
Plenário do Senado  Crédito: Andressa Anholete/Agência Senado
Ao menos nove pré-candidatos ao Senado pelo Espírito Santo identificam-se como políticos de direita ou conservadores. Dessa forma, disputam eleitores de perfil similar.
Nem todos os pré-candidatos vão mesmo participar diretamente das eleições de 2026, afinal, não basta querer, é preciso ter apoio partidário e meios para disputar uma cadeira em Brasília.
Se metade dos interessados nas vagas de senador conseguir se viabilizar, entretanto, o cenário já vai ser de muita gente para pouco espaço.
A estratégia eleitoral mais correta seria concentrar, desde já, esforços em um nome mais viável? Ou fazer todos os testes possíveis?
Como os eleitores capixabas, tradicionalmente, decidem na última hora em quem vão votar para senador, a segunda opção parece ter sido a escolhida.
"Não é movimento orquestrado, é só que todo mundo está se apresentando. Ninguém tem dúvida que um senador, ou até dois, vai ser eleito pela direita", afirmou o deputado federal Evair de Melo (PP), um dos pré-candidatos a senador.
O partido dele, porém, ainda não se posicionou de forma contundente sobre as eleições do ano que vem no estado, o que torna incerta a possibilidade de a sigla realmente lançar um nome ao Senado.
Aliás, se for o caso, o PP tem mais um possível candidato ao posto, o deputado federal Da Vitória, presidente estadual da legenda.
A situação do ex-deputado federal Carlos Manato e do deputado estadual Wellington Callegari, ambos de saída do PL, é mais complicada, já que ainda estão em busca de um partido para se filiar e concorrer.
O senador Marcos do Val (Podemos) já disse querer disputar a reeleição, mas o Podemos em nenhum momento se mostrou disposto a embarcar em tal empreitada. Do Val também teria, então, que encontrar abrigo em outra sigla.
Quem quiser disputar o pleito de 2026 tem que estar filiado a um partido no início de abril do ano que vem. Pelo rigor da lei, os "desabrigados" estão dentro do prazo, mas não no cenário político mais confortável.
"Quem já tem construção dentro do partido tem mais chances, mas alianças partiárias certamente vão diminuir os pré-candidatos", lembrou o parlamentar.
É que cada coligação pode lançar, no máximo, dois candidatos a senador em cada estado. Dessa forma, para consolidar uma parceria, um ou outro tem que abrir mão dos próprios planos, o que é normal.
Partidos e apoios são essenciais, mas o fator definitivo numa eleição, obviamente, são os votos dos eleitores.
A questão é se os capixabas seriam receptivos a tantos nomes apresentados pela direita, para além do componente ideológico.
A aposta da principal sigla desse espectro político, o PL, é a estreante Maguinha Malta, filha do senador Magno Malta.
"Seguiremos o planejamento definido por Bolsonaro: o PL terá uma candidatura própria, hoje representada pela pré-candidata Maguinha Malta, e apoiará um segundo nome, preferencialmente alinhado ao campo de centro-direita", afirmou Magno, que é presidente estadual do PL, à coluna.
Devido a ligações políticas e familiares, a questão partidária está resolvida para Maguinha, mas e o resto?
Transferência de votos não é uma ciência exata, ou seja, um eleitor de Magno não necessariamente vai optar pela filha dele.
UM CONSERVADOR COM CASAGRANDE
A coisa é tão complexa que até o grupo do governador Renato Casagrande (PSB), um homem de centro-esquerda, tem um pré-candidato ao Senado que se denomina conservador.
O prefeito de Cariacica, Euclério Sampaio (MDB), quer conquistar votos em nichos da direita, como os dos fiéis de igrejas evangélicas e de profissionais da segurança pública.
Euclério já disse que espera que os eleitores levem em conta as ações e entregas dos postulantes a cargos eletivos, não somente o alinhamento ideológico, embora também tenha esse discurso como uma de suas principais bandeiras.
O FATOR MENEGUELLI
E se o deputado estadual Sérgio Meneguelli entrar na disputa, o jogo vai ficar ainda mais eletrizante. O ex-prefeito de Colatina está filiado a um partido de centro-direita — o Republicanos —, não tem muita identidade ideológica, mas pode capturar votos de eleitores de direita inicialmente inclinados a outros pré-candidatos.
Do outro lado, o nome mais forte da centro-esquerda é o do governador Renato Casagrande, que deve renunciar ao mandato no Palácio Anchieta para concorrer a uma cadeira de senador.
O senador Fabiano Contarato (PT) também está no páreo pela reeleição. E o ex-prefeito de Vitória Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) quer o apoio do governador para participar da disputa.
Mesmo políticos conservadores, reservadamente, admitem que uma das vagas muito provavelmente vai ficar com Casagrande. Então a miríade de pré-candidatos de direita, na verdade, está disputando uma vaga, não duas.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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