Disputa pela presidência da Câmara de Vitória tem dois candidatos, foto polêmica e até dossiê
Poder Legislativo
Disputa pela presidência da Câmara de Vitória tem dois candidatos, foto polêmica e até dossiê
Anderson Goggi (PP) conta com a bênção do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), mas André Brandino (Podemos) também está no páreo
Publicado em 12 de Dezembro de 2024 às 13:52
Públicado em
12 dez 2024 às 13:52
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
A Câmara de Vitória, a partir de janeiro, vai ser composta por 21 vereadores. Eles é que vão escolher o novo presidente da CasaCrédito: Ricardo Medeiros
Até recentemente, estava tudo certo para o vereador reeleito Anderson Goggi (PP) ser alçado ao posto de presidente da Câmara de Vitória no dia 1º de janeiro, sem enfrentar nenhum adversário. Ele conta com o apoio do prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos), o que, via de regra, é crucial para quem quer comandar a Casa.
Mas outro nome surgiu, o de André Brandino (Podemos). Agora, os dois medem forças em busca dos votos dos colegas. O grupo de Brandino tem cinco integrantes: Aloísio Varejão (PSB), Dalto Neves (SD), Luiz Paulo Amorim (PV) e Maurício Leite (PRD), além do próprio Brandino.
"Sou pré-candidato. Somos cinco e estamos conversando com outros nove", afirmou o vereador do Podemos à coluna, nesta quinta-feira (12).
Essa "novidade" ocorreu em meio à insatisfação de parte dos parlamentares, entre eleitos e reeleitos, com uma tentativa de vereadores governistas, entre eles Goggi, de alterar o regimento interno da Câmara e a Lei Orgânica Municipal retirando prerrogativas do Legislativo e dando mais poderes ao Executivo.
Inicialmente, a ideia era que o prefeito prestasse contas à Câmara apenas uma vez por ano. Hoje, isso deve ocorrer, obrigatoriamente, a cada seis meses. Mas a coisa tomou outras proporções.
Apareceu, por exemplo, a sugestão de permitir a reeleição para a presidência da Casa dentro da mesma legislatura, o que daria a Goggi e a Pazolini a chance de manter a parceria pelo dobro do tempo.
Aí o caldo entornou. Isso insuflou o "grupo dos cinco", que tenta arregimentar mais integrantes.
"Sou da base do prefeito, aliado de primeira hora. Não somos oposição, mas nossa candidatura é pela independência da Câmara, respeitando o Executivo", defendeu André Brandino.
Um "dossiê" apócrifo com críticas a Goggi começou a circular.
Enquanto isso, Goggi e aliados de Pazolini reagiram. O prefeito exonerou, no último dia dez, 31 ocupantes cargos comissionados, pessoas ligadas a André Brandino e aos vereadores que o apoiam.
O presidente estadual do Republicanos, Erick Musso, que é um interlocutor informal de Pazolini, está no circuito. De acordo com o que a coluna apurou, ele veio de Aracruz, seu reduto, para Vitória nesta quinta especialmente para lidar com a questão e articula o apoio de parlamentares a Goggi.
O vereador do PP já se reuniu com vereadores pela manhã e promove outra rodada de conversas à tarde.
A expectativa é que ele divulgue em breve uma lista de apoiadores com 14 ou até 16 nomes.
Para ser eleito presidente da Câmara é preciso ao menos 11 votos.
A coluna tentou contato com Anderson Goggi, mas não houve retorno até a publicação deste texto.
Ele recebeu a bênção de Pazolini para comandar o Legislativo há um certo tempo. É vereador da base e filiado ao PP, partido que é o principal aliado do Republicanos em Vitória.
No ano passado, chegou a ser cotado para virar secretário municipal, o que não se concretizou.
Ao discursar, Anderson Goggi frequentemente usa o bordão "pega a visão".
Renato Casagrande e o grupo do vereador André BrandinoCrédito: Reprodução
Pessoas próximas a Pazolini e a Goggi veem a digital do Palácio Anchieta por trás do "grupo dos cinco".
André Brandino nega e diz que houve um mal entendido.
"Nós (os cinco) nos reunimos num restaurante que fica perto da casa da mãe do governador. Coincidentemente, era aniversário dela nesse dia e o governador estava lá. Ele nos viu e nos cumprimentou, tiramos uma foto juntos, foi só isso", contou.
"É algo normal, também não temos que ficar dando satisfação. Alguns viram essa foto e estão deduzindo... Mas não tem movimentação do Palácio em relação à minha chapa", completou Brandino.
A Mesa Diretora da Câmara é composta por sete membros. Para registrar uma chapa, portanto, basta Brandino conseguir seis apoiadores que se disponham a disputar os cargos e ver como a banda vai tocar até o dia 1º.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.