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Atos antidemocráticos

E Armandinho Fontoura, hein? Três meses depois, segue preso

Vereador de Vitória, afastado do mandato, está em um presídio de Viana, preventivamente, por determinação do STF. Ele é acusado de atacar as instituições democráticas e integrar uma milícia digital

Publicado em 18 de Março de 2023 às 02:10

Públicado em 

18 mar 2023 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos)
Vereador de Vitória Armandinho Fontoura (Podemos) Crédito: Câmara de Vitória
No dia 15 de dezembro do ano passado, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão no Espírito Santo em meio a uma megaoperação contra atos antidemocráticos no país. As ordens partiram do Supremo Tribunal Federal (STF). O vereador de Vitória Armandinho Fontoura, então filiado ao Podemos, foi um dos alvos.
Ele não foi encontrado em casa e tampouco na Câmara de Vitória. A polícia sai cedo às ruas. Na tarde daquele mesmo dia, Armandinho, que já era chamado de foragido à boca miúda, embora, oficialmente, não fosse assim considerado, entregou-se na sede da PF, em Vila Velha.
Levado para o complexo prisional de Viana, o vereador não ganhou a liberdade até hoje, passados três meses do início da prisão preventiva. Nesse prazo, o Código de Processo Penal determina que deve haver a revisão da medida. Não quer dizer que ele teria que ser solto.
O magistrado ou o tribunal que decretou a prisão têm que avaliar se a imposição ainda é necessária. A resposta pode ser sim ou não. Ainda não houve nenhuma manifestação do relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, quanto a isso.
A coluna apurou que a defesa do vereador já solicitou a revisão.
A ausência de avaliação da necessidade da prisão no prazo correto não é uma exclusividade de Armandinho. Diversos presos preventivos no Brasil, principalmente os que têm menor poder aquisitivo, passam pela mesma situação. 
"VAGABUNDOS" E MILÍCIA DIGITAL
Foi o Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES) que acionou o Supremo, no âmbito do Inquérito das Fake News, e apontou que o parlamentar atacava ministros da Corte e integrava uma "milícia privada digital", algo que "ultrapassa regular exercício da liberdade de expressão, em tom que se presta a incitar a subversão da ordem e incentivo à quebra da normalidade institucional e democrática".
Em resumo, Armandinho fez discursos na Câmara de Vitória chamando ministros do STF de "vagabundos" e exortou que fosse imposto "um limite a eles". Também atacava, verbalmente, autoridades locais.
Já a "milícia digital", de acordo com a Procuradoria-Geral de Justiça, tinha o objetivo de espalhar desinformação a partir de um site registrado em Cachoeiro de Itapemirim e via redes sociais, no mesmo sentido.
Um modus operandi comum era acionar o próprio MPES, por meio da ouvidoria da instituição, com representações, "denúncias", sabidamente falsas.
Qualquer pessoa pode entrar em contato com a ouvidoria. Essas notícias de fato são, pela praxe, encaminhadas a um promotor de Justiça que avalia se há elementos para o início de uma investigação ou se devem ser prontamente arquivadas.
O que era divulgado pela "milícia", entretanto, é que já havia uma investigação em curso. Os alvos eram, via de regra, políticos e/ou autoridades adversários do grupo.
AMEAÇAS
O vereador, que havia sido eleito para presidir a Câmara de Vitória, sofreu muitos reveses após a prisão. Ele já era alvo de investigações no Espírito Santo por outras questões. 
Para começar, como estava na cadeia no dia da posse da Mesa Diretora, Armandinho perdeu a presidência. Outra eleição foi feita e Leandro Piquet (Republicanos) assumiu o comando da Casa.
Moraes não suspendeu os direitos políticos de Armando, mas não autorizou que ele saísse da prisão para assumir o cargo.
No dia 1º de janeiro de 2023, o vereador preso foi afastado do mandato por decisão da Justiça Estadual, no âmbito de uma ação por improbidade administrativa. 
"Entendo que o afastamento do réu do exercício do mandato visa impedir que faça-se uso do mandato e de todo seu capital político para atentar contra o Estado Democrático de Direito e às suas Instituições", escreveu a juíza Giselle Onigkeit, que atuava no plantão Judiciário.
Além disso, Armandinho também foi acusado, na mesma ação, de tentar intimidar uma juíza e um promotor de Justiça. 
Ele foi alvo de uma ação penal na Justiça Estadual, pelos mesmos fatos, que também determinou o afastamento do vereador do cargo por tempo indeterminado.
Armandinho ainda é investigado por supostamente ter praticado "rachid", ou "rachadinha", que é o "hábito" de ficar com parte dos salários dos próprios servidores, pagos com dinheiro público.
Hoje, o vereador afastado não integra mais os quadros do Podemos.
Ele está na Penitenciária de Segurança Média II, em Viana. O dono do site no centro da "milícia digital" apontada pelo MPES também está preso, preventivamente, lá.
Depois do dia 8 de janeiro, em que apoiadores do ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) incitaram um golpe de Estado e invadiram as sedes do Congresso Nacional, do STF e o Palácio do Planalto, o cerco aos atos antidemocráticos ganhou força.
Politicamente, foi ruim para Armandinho. Todo o país viu, na prática, no que resultam discursos que incitam ataques às instituições.
Nesta sexta-feira (17), a PF deflagrou mais uma fase da Operação Lesa Pátria, que mira nas pessoas que participaram e/ou financiaram tais atos. 
Não há prazo para que o vereador de Vitória deixe a cadeia. Após o afastamento do mandato, a Justiça Estadual determinou que o suplente dele, Chico Hosken (Podemos), assumisse a cadeira.
SEM SALÁRIO
Em janeiro, a Câmara de Vitória suspendeu o pagamento do salário de Armandinho Fontoura, por ordem da Justiça Estadual. Um vereador da Capital recebe R$ 8.966,27 brutos por mês.
O QUE DIZ A DEFESA
Procurada, a defesa de Armandinho, representada pelo advogado Carlos Zaganelli, disse que não iria se manifestar pelo fato de os processos tramitarem em segredo de Justiça.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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