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Eleições 2024

Eleição em Guarapari: as cartas na mesa e um suspense no ar

O cenário da corrida pela prefeitura da cidade está praticamente definido. Falta apenas uma decisão

Publicado em 31 de Julho de 2024 às 11:27

Públicado em 

31 jul 2024 às 11:27
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Prefeitura de Guarapari
Sede da Prefeitura de Guarapari. O eleito vai administrar a cidade a partir de janeiro de 2025 Crédito: Ricardo Medeiros
O cenário da disputa eleitoral em Guarapari em 2024 está quase definido. Um dos poucos suspenses é em relação ao destino do MDB, que tinha a pré-candidatura a prefeito do presidente da Câmara, Wendel Lima. Wendel desistiu de concorrer ao comando do Executivo municipal e, agora, o partido avalia em qual palanque subir.
Mas os principais concorrentes já estão com todas as cartas na mesa. Alguns dos naipes chamam a atenção.
O deputado estadual Zé Preto (PP), em 2022, fez campanha para Carlos Manato (PL) ao governo do Espírito Santo, com críticas pesadíssimas contra Renato Casagrande (PSB) — na época, Zé Preto era vereador e filiado ao PL. Após eleger-se para a Assembleia Legislativa, porém, ele passou a integrar a base aliada ao Palácio Anchieta.
A coligação de Zé Preto, no pleito de 2024, conta com siglas e figuras muito alinhadas a Casagrande, como o próprio PSB e o ex-deputado federal Ted Conti, que desistiu de disputar a eleição para prefeito.
O deputado estadual Tyago Hoffmann, um dos parlamentares mais próximos ao chefe do Executivo estadual e que é de Guarapari, também está ao lado do candidato do PP.
Zé Preto tem o maior número de partidos aliados entre os concorrentes à Prefeitura de Guarapari: Podemos, PSB, PRD, PSD, DC, PDT e PP.
Isso é relevante porque lá tem horário eleitoral. Quanto mais partidos, ou quanto maior o peso desses partidos, maior o tempo que o candidato tem para fazer campanha no rádio e na TV.
A participação do próprio Casagrande no pleito, contudo, é improvável, uma vez que outros atores políticos da cidade também têm ligação com o Palácio Anchieta, ainda que com laços menos visíveis.
O nome da coligação de Zé Preto é "Dialogar para Avançar". E, em entrevista à coluna nesta quarta-feira (31), a palavra que ele mais usou para criticar a atual administração municipal, capitaneada pelo prefeito Edson Magalhães (PSDB), foi "isolamento". 
"Guarapari está isolada, temos que sair do isolamento"
Zé Preto (PP) - Deputado estadual
Zé Preto já foi aliado do próprio Edson, mas depois tornou-se opositor. Ele avalia que os problemas da cidade devem-se ao fato de o prefeito não dialogar com deputados estaduais e federais e com o próprio governo estadual.
"Posicionamento de campanha não tem a ver com posicionamento de mandato. É importante a participação do governador para Guarapari sair do isolamento. Edson Magalhães é o único prefeito do Espírito Santo que nunca foi à Assembleia pedir ajuda aos deputados estaduais, nem aos federais. Nunca me ligou", alfinetou.
"O que adianta construir hospital e não ter como tocar o hospital depois? Ele acha que Guarapari vai resolver tudo sozinho."
O discurso é bem similar ao que Ted Conti fazia quando ainda era pré-candidato a prefeito.
Gedson Merizio e Zé Preto em convenção
Gedson Merizio e Zé Preto na convenção do PP de Guarapari Crédito: Divulgação
Zé Preto agora quer atrair o MDB, outra sigla casagrandista.
O partido é presidido, no estado, pelo vice-governador Ricardo Ferraço. Os Ferraço, incluindo o deputado estadual Theodorico, têm uma ligação histórica com Edson Magalhães.
Não seria surpresa se os emedebistas subissem, portanto, no palanque do candidato apoiado por Edson, o ex-secretário municipal de Obras Emanuel Vieira (União Brasil).
Cabe a Emanuel, e ao próprio Edson, defender o legado da atual administração contra as críticas dos adversários.
A coluna tentou falar com o candidato do União Brasil, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.
Ainda que "tirado da cartola" por Edson, com o apoio da máquina, ele pode crescer durante o processo eleitoral. Basta o prefeito se engajar, bastante, na campanha.
Mas Wendel Lima, que preside o MDB de Guarapari, fez questão de frisar que, apesar da influência dos Ferraço na sigla, a decisão sobre quem endossar como candidato a prefeito vai ser da Executiva municipal. 
Ou seja, não dá para cravar que os emedebistas vão ficar com Emanuel. O martelo deve ser batido até sexta-feira (2). A convenção do MDB vai ser realizada no sábado (3) de manhã.
Outro concorrente competitivo é o vereador Rodrigo Borges (Republicanos). Partidariamente, ele não reúne, numericamente, muitos apoios.
A chapa é puro-sangue, com a vice Tatiana Perim, ex-presidente da Apae. Além do Republicanos, ele conta, até agora, com Novo e PMB.
Como cabos eleitorais, tem os correligionários Amaro Neto e Messias Donato, deputados federais.
"Sou o único opositor de verdade ao prefeito. Zé Preto é uma dissidência desse grupo"
Rodrigo Borges (Republicanos) - Vereador
Sabendo que o deputado estadual é o principal nome que precisa derrotar, o vereador voltou a carga ao candidato do PP:
"Avalio que não vou enfrentar a máquina estadual porque o governador não vai caminhar, pessoalmente, na campanha aqui. Os aliados dele, sim. Mas minha candidatura é de oposição ao grupo do atual prefeito. Temos uma posição consolidada, pois somos a verdadeira oposição".
"A cidade está passando por um abandono. Os serviços essenciais deixam a desejar, saúde, limpeza pública. O turismo está abandonado, a economia não é diversificada, o transporte público vive um problema grave", elencou Rodrigo Borges.
Quem também está no páreo é o PL, antigo partido de Zé Preto.
"Chegamos a oferecer a vaga de vice para o PL, mas eles decidiram lançar candidatura própria", contou Borges.
Fim de semana teve convenções do União Brasil e do Republicanos em Guarapari
Convenções do União Brasil e do Republicanos em Guarapari Crédito: Reprodução
O pré-candidato do PL é o deputado estadual Danilo Bahiense. A pré-campanha dele foi bem mais discreta que as dos demais concorrentes.
Na quinta-feira (1º), Bahiense vai ser confirmado em convenção. "Começamos a fazer um trabalho de formiguinha e nossas intenções de voto estão crescendo", afirmou o parlamentar.
Delegado aposentado da Polícia Civil, ele tem laços com Guarapari, mas o domicílio eleitoral de Danilo Bahiense nem sempre foi lá. 
O deputado pode enfrentar certa resistência se os eleitores forem mais bairristas e optarem por nomes mais presentes no dia a dia da cidade.
Uma das armas dele, metaforicamente falando, é o tema da segurança pública:
"Estamos com um problema seríssimo na segurança pública, que é, na minha visão, muito fácil de resolver"
Danilo Bahiense (PL) - Deputado estadual
"As guardas municipais fazem uma diferença muito grande, onde existem, como em Vitória, Vila Velha. Até Viana, que é um município menor, ter guarda. E Guarapari não tem", avaliou.
O candidato do PL também pode apelar ao bolsonarismo, que é forte em Guarapari.
O PT, principal antagonista do Partido Liberal, também tem candidato a prefeito, o ex-vereador Oylas Pereira. 
O Partido dos Trabalhadores, historicamente, participa da disputa pela prefeitura de Guarapari, mas raramente alcança percentuais de voto consideráveis. 
Está isolado, até agora, sem apoio de outros partidos, além dos que compõem a federação Brasil da Esperança, PV e PCdoB.
Mas o PL também está sozinho. 
Artur Pereira (PRTB) e José Amaral (PSOL) estão no páreo e vão ser confirmados como candidatos a prefeito em convenções a serem realizadas entre sábado (3) e segunda-feira (5).

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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