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2024

Eleição em Vila Velha: uma disputa sobre quem é mais "de direita"?

Os principais concorrentes à prefeitura da cidade são Arnaldinho Borgo (Podemos) e Coronel Ramalho (PL). Veja as estratégias da pré-campanha e a análise que a coluna faz delas

Publicado em 27 de Março de 2024 às 03:11

Públicado em 

27 mar 2024 às 03:11
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

O prefeito de Vila Velha Arnaldinho Borgo e o ex-secretário estadual de Segurança Pública Alexandre Ramalho
O prefeito de Vila Velha Arnaldinho Borgo e o ex-secretário estadual de Segurança Pública Alexandre Ramalho Crédito: Ricardo Medeiros/AG e Carlos Gimenes/Divulgação
Quando estava prestes a se filiar ao PL, partido do ex-presidente da República Jair Bolsonaro, o ex-secretário estadual de Segurança Pública Alexandre Ramalho afirmou à coluna que nunca escondeu a admiração pelo capitão reformado do Exército. Esconder ele não escondeu, mas, enquanto estava no governo Renato Casagrande (PSB), o coronel da reserva da Polícia Militar era bem mais discreto quanto a tal afeição.
Em julho de 2022, o encontrei no Aeroporto de Vitória. Ramalho estava em meio aos fãs de Bolsonaro, que dali a alguns minutos discursaria num espaço de eventos localizado na área do terminal. Foi então que perguntei se o ex-secretário era apoiador do político do PL. Como o coronel havia integrado o primeiro escalão de um governador de centro-esquerda — que criticava frequentemente o então presidente da República — achei melhor confirmar.
Ramalho, naquela ocasião, havia deixado a função na secretaria e pretendia ser candidato ao Senado pelo Podemos. Ele confirmou que era, sim, um simpatizante e eleitor de Bolsonaro e não via nisso nenhuma contradição. Disse considerar que tanto o chefe do Executivo estadual quanto o do Executivo federal eram "grandes líderes".
Assim, optou pelo voto CasaNaro, embora o PL tivese candidato ao Palácio Anchieta, o ex-deputado federal Carlos Manato.
O coronel acabou impedido, por razões que nada têm a ver com o apoio a Bolsonaro, pelo próprio partido de concorrer ao Senado. Ramalho disputou a Câmara dos Deputados, mas não foi eleito e voltou à chefia pasta de Segurança Pública.
Na função de secretário, não exaltava publicamente o nome do ex-presidente, mas as declarações que o coronel dava à imprensa e as que fazia em vídeos publicados nas redes sociais bem poderiam ser endossadas pelo político admirado por ele.
Foi assim, de vídeo em vídeo e de entrevista em entrevista, que Ramalho ganhou ainda mais visibilidade. E ele usa isso a seu favor em 2024.
Fora do governo Casagrande desde 1º de fevereiro e filiado ao PL desde o último dia 19, o coronel da reserva da PM adotou a cartilha bolsonarista tim-tim-por-tim-tim.
Não é apenas devido à liberade proporcionada por não ser mais secretário. É uma clara estratégia eleitoral.
Ramalho, mesmo em silêncio, grita a plenos pulmões slogans que poderiam assim ser traduzidos: "Eu sou o candidato da direita em Vila Velha. Eu sou bolsonarista. Eu sou fiel ao Bolsonaro. Se você é eleitor/fã do Bolsonaro, vote em mim para prefeito".
Até mensagem de feliz aniversário para o ex-presidente da República o coronel postou no Instagram esses dias.
Além da figura do ex-presidente, Ramalho tem como ativo a trajetória de policial "linha-dura".
Desta forma, ele tenta superar o atual prefeito, Arnaldinho Borgo, seu ex-colega de partido e principal adversário.
Aliados de Arnaldinho, por sua vez, em conversas com a coluna, destacam que o prefeito é de centro-direita, foi do Exército, "gosta de arma e tem arma". O fetiche por armas de fogo é um elemento corriqueiro entre bolsonaristas.
A questão é: o que interessa a um morador de Vila Velha se um candidato a prefeito é apoiado pelo Bolsonaro ou se outro "gosta de arma"?
Como isso vai impactar a limpeza urbana, a gestão das unidades de saúde e o número de vagas disponíveis em creches?
O mote da campanha em Vila Velha vai ser "quem é mais de direita?". A maior parte das pessoas nem sabe definir conceitos como esquerda e direita, que surgiram na Revolução Francesa e são modulados de tempos em tempos.
Não faz sentido decidir o resultado de um pleito municipal optando por quem é "mais Lula", "quem é mais de esquerda" ou o contrário.
Nem Lula nem Bolsonaro vão ser prefeitos.
Não é impossível, claro, que os eleitores optem por algo sem sentido. Não seria a primeira vez.
O CONTRA-ATAQUE
Outro aliado de Arnaldinho revelou à coluna que, além de lembrar os traços direitistas do prefeito, a estratégia principal vai ser apontar os feitos da gestão: "A cidade está muito mais ligada nos avanços que ocorreram nos últimos anos, com um perfil mais voltado à questão da entrega de serviços públicos. Pesquisas qualitativas mostram isso".
O prefeito controla a máquina municipal e tem o apoio explícito do governador Renato Casagrande. Aliás, grande parte das realizações que devem ser exibidas na campanha é fruto da parceria com o Palácio Anchieta.
"Ramalho é um movimento do PL, de extrema direita, falando para uma bolha, sectária, focada num nicho", sustentou um "arnaldista".
Outros defensores do prefeito, porém, admitem que a candidatura do PL tem peso. "É inegável que a entrada do Ramalho alterou o cenário. Hoje, o prefeito tem um adversário. Antes, não havia ninguém em condições de enfrentá-lo", comentou um vereador.
"O erro dele (Ramalho) foi ter entrado no PL. Desse jeito, ele só fala com os extremos", avaliou.
A lógica da pré-campanha de Ramalho indica que flertar com "os extremos", como ao declarar fidelidade ao ex-presidente da República, é algo positivo.
Em julho de 2022, o ex-secretário estadual de Segurança Pública, elencou, à coluna, o que tinha em comum com o então presidente da República: "Combina com minhas ideias de centro-direita, família e religião". De "centro", porém, o líder maior do PL não tem nada. Não vou avaliar quanto a "família" e "religião".
A cada dez palavras que o coronel da reserva da PM fala, sete soam como "Bolsonaro". Ok. Isso é uma hipérbole, não uma estatísitica.
O que quero demonstrar é que o pré-candidato do PL aposta todas as fichas em ser o candidato do ex-presidente da República e espera que isso seduza a população de Vila Velha.
Se dependesse apenas dos eleitores da cidade canela-verde, Bolsonaro teria sido reeleito em 2022, com 60,92% dos votos.
E fica na cidade, na Praia da Costa, o ponto de encontro favorito dos apoiadores dele, um posto de combustíveis de onde partiram várias manifestações em direção a Vitória, passando pela Terceira Ponte.
Há dúvida entre atores políticos de Vila Velha, contudo, se o sucesso de Bolsonaro se deu devido à "admiração" dos eleitores da cidade por ele ou pelo sentimento anti-PT, com o objetivo de derrotar o então candidato do Partido dos Trabalhadores, o hoje presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva.
A pergunta de um milhão de dólares, é: o quanto a disputa ideológica e a polarização, ou o extremismo, nacionais vão impactar o pleito municipal?
O ex-secretário estadual de Segurança Pública coronel Alexandre Ramalho (Podemos) chega para evento com o presidente da República, Jair Bolsonaro (PL), em Vitória)
Julho de 2022: o ex-secretário estadual de Segurança Pública Coronel Ramalho chega para evento com Jair Bolsonaro no Aeroporto de Vitória Crédito: Letícia Gonçalves
O ex-prefeito Max Filho (PSDB), derrotado em 2020, não vai disputar o pleito de 2024. Ele defende, entretanto, que os tucanos lancem um nome em Vila Velha, justamente para apresentar aos eleitores uma alternativa a Ramalho e Arnaldinho. Essa possibilidade, no entanto, é remota. O partido está próximo do prefeito e deve apoiar a reeleição dele.
Outro ex-prefeito, Neucimar Fraga (PP) segue a cartilha bolsonarista e até foi entusiasta da filiação de Ramalho ao PP, antes de o coronel escolher o PL. Por enquanto, Neucimar não é pré-candidato. O Progressitas deve se reunir nesta quarta-feira (27), à noite, para decidir se vai lançar candidatura própria, apoiar Arnaldinho ou Ramalho.
O presidente estadual do partido, deputado federal Da Vitória, já afirmou que o "plano A" é filiar o atual prefeito ou endossar a reeleição dele, de qualquer forma. Mas garantiu que a direção estadual do PP vai respeitar a decisão da instância municipal.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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