Manato e Contarato têm, cada um, 11% das intenções de voto estimuladas. Casagrande tem 42%. A distância do primeiro para os segundos colocados é enorme (31 pontos percentuais), mas mesmo assim o desempenho de Contarato e Manato chama a atenção.
O petista tem uma pré-candidatura pouco consolidada, uma vez que o PT pode abrir mão de lancá-lo ao Palácio Anchieta em prol da aliança com o PSB, que já está selada nacionalmente, mas ainda envolve contrapartidas nos estados.
O PT local tem todo interesse na candidatura de Contarato, que poderia ajudar a eleger deputados estaduais e federais e ainda dar um palanque exclusivo para o ex-presidente Lula no estado. Se, ao fim e ao cabo, a decisão Executiva nacional for pela retirada do nome dele do jogo, o percentual de intenções de voto de Contarato deve ajudar os petistas a reivindicarem espaços na chapa do socialista ou no eventual governo após a reeleição.
Ocorre que Casagrande se equilibra entre diversos apoiadores, entre eles políticos e partidos de centro-direita, que têm aversão ao PT, até como discurso para os eleitores. Dar vaga de vice ou de Senado aos petistas poderia implodir tudo. Casagrande também não se mostra muito disposto a apoiar Lula publicamente na corrida pela Presidência da República.
Talvez também seja cedo para o PT precificar Contarato. O percentual de intenção de votos dele pode oscilar nas próximas pesquisas.
E temos ainda Carlos Manato, tão bem posicionado quanto Contarato e igualmente distante, percentualmente, do governador. O ex-deputado disputou o Palácio Anchieta em 2018 e não fez feio, ficou em segundo lugar, apesar de não ter ido ao segundo turno, já que Casagrande venceu logo no primeiro.
Manato é um dileto apoiador do presidente da República,
Jair Bolsonaro (PL). Poderia se imaginar que o presidente estaria nas graças do povo do Espírito Santo, um estado majoritariamente conservador e que deu, proporcionalmente, mais votos a Bolsonaro em 2018 do que a média nacional.
Atrelar-se à figura a Bolsonaro, ao menos por enquanto, não parece bom negócio para Manato. Por outro lado, se o presidente se recuperar, isso pode beneficiar o pré-candidato bolsonarista ao Palácio Anchieta.
É curioso que muito se fala do sentimento antipetista que há no estado, o que é reconhecido inclusive por petistas. Ainda assim, um petista está em segundo lugar na corrida pelo governo e outro lidera as intençõs para presidente.
Voltando a Manato, ele tem um forte discurso de oposição a Casagrande, é um candidato viável da direita, mas tem que ficar de olho em outros adversários que não o socialista, uma vez que tem gente pontuando promissoramente, como o ex-prefeito da Serra,
Audifax Barcelos (Rede).
No limite da margem de erro, que é de quatro pontos percentuais para mais ou para menos, o redista está tecnicamente empatado com Contarato e Manato.
Quem se beneficia com a pulverização das candidaturas de centro-direita é Casagrande. Além de Manato, temos o ex-prefeito de Linhares Guerino Zanon (PSD), com 5%, o presidente da Assembleia Legislativa, Erick Musso (Republicanos), com 3%, o deputado federal Felipe Rigoni (União Brasil), com 2%, e Aridelmo Teixeira (Novo) com 1%. Aliás, Audifax, apesar de filiado a um partido de esquerda, dificilmente poderia ser enquadrado nesse espectro político.
Já sem Contarato na disputa a tendência é que os votos da centro-esquerda sejam revertidos para Casagrande, não para Manato. Há chance ainda de o percentual do petista ser pulverizado nas demais pré-candidaturas de oposição, ainda que seja difícil imaginar um eleitor petista optando por Guerino, Rigoni ou Erick.