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Até o Palácio Anchieta

Eleições 2022: os caminhos de Fabiano Contarato

Senador do ES tem planos de disputar o governo do estado e mantém conversas com o PT. O jogo, no entanto, pode mudar

Publicado em 13 de Outubro de 2021 às 02:00

Públicado em 

13 out 2021 às 02:00
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Senador Fabiano Contarato
Senador Fabiano Contarato Crédito: Leopoldo Silva/Agência Senado
O senador Fabiano Contarato (Rede) não integra a CPI da Covid, mas tem atuação destacada no colegiado, apontando erros e omissões do governo Bolsonaro no combate à pandemia. Mais recentemente, o parlamentar do Espírito Santo teve que confrontar pessoalmente um empresário bolsonarista após este publicar uma "piada" homofóbica no Twitter.
Contarato, que já presidiu a Comissão de Meio Ambiente do Senado, frequentemente bate de frente com o governo federal quanto a este e outros temas. 
Na campanha eleitoral de 2018, o então candidato, delegado da Polícia Civil, defendia penas mais duras para quem comete crimes no trânsito, o que ainda sustenta. Ainda que tenha disputado a eleição pela Rede de Marina Silva, um partido de esquerda, alguns eleitores desavisados podem tê-lo tomado, somente por ser policial, como um apoiador de Bolsonaro.
"Todo policial tem que ter adesão ao projeto do presidente? Eu me sinto até ofendido. 'Ah, a população pensou', se pensou foi sem analisar. Eu fui eleito pela Rede. A Rede é um partido progressista ou é um partido de direita?"
Fabiano Contarato (Rede) - Senador da República
"Não sei qual a vinculação que se faz. Não tenho nenhuma identidade com o presidente da República", complementou o senador, em conversa com a coluna.
Mas engana-se quem pensa, por outro lado, que o senador se posta contra toda e qualquer iniciativa do governo federal. O próprio senador lembrou que "em quase 70% das vezes" – 66% exatamente – votou a favor das propostas enviadas pelo Executivo federal.
"O marco legal do saneamento, por exemplo. É uma pauta que muitos partidos progressistas votaram contra e eu votei a favor. Eu morei muitos anos em bairro de periferia, com esgoto a céu aberto. Então o modelo atual está dando certo?"
Em 2018, Contarato recebeu mais votos que o hoje governador Renato Casagrande (PSB). O redista foi a escolha de 1.117.036 eleitores. Casagrande recebeu 1.072.224 votos. 
Em 2022 há eleições para o governo do Estado e é este o plano que está no horizonte de Contarato. Para concretizar a ideia, no entanto, há um longo caminho à frente.
Se disputar e perder, Contarato não fica de mãos abanando, afinal, o mandato no Senado vai até 31 de janeiro de 2027. Ele pode, entretanto, ver o capital político diminuir. 
Numa comparação um tanto esdrúxula, já que estamos falando de pessoas diferentes e contextos distintos, mas somente para se ter uma ideia, Rose de Freitas, então filiada ao Podemos, concorreu ao Palácio Anchieta em 2018. 
Ela também tinha a salvaguarda de seguir no Senado – o mandato de Rose acaba apenas em 31 de janeiro de 2023 –, mas acabou em quarto lugar, com 105.754 votos. Encolheu politicamente. Em 2014, quando sagrou-se vencedora alcançando a única vaga disponível para o Senado, ela foi a opção de 776.978 eleitores. 
Contarato, desde março, está de saída da Rede. À coluna, ele diz que tem pressa para definir uma nova legenda. "Já falei publicamente que vou sair. Fica uma situação delicada eu permanecer na Rede", pontuou.
O senador do Espírito Santo já recebeu convite do próprio ex-presidente Lula para se filiar ao PT. A prioridade do Partido dos Trabalhadores, no entanto, é Lula. 
Se tiver que deixar de lançar candidatura própria ao Palácio Anchieta para pavimentar o caminho de uma aliança nacional com o PSB de Casagrande, a sigla não vai pensar duas vezes. Logo, ir para o PT não é garantia de espaço para disputar o governo.
"A minha ida para um partido não está condicionada a eu ser candidato", ressalva Contarato. "Se eu for para um partido e o partido tiver um projeto de governo e escolher o meu nome para que eu concorra a um cargo majoritário eu não vou me furtar, mas não é questão imperativa".
Assim, ele mantém conversas até com o PSB de Casagrande, que deve lançar o governador à reeleição, e com o PDT que, no estado, é aliado de primeira hora do socialista.

O ANTIPETISMO

O flerte com o PT denota, no Espírito Santo, uma certa ousadia. A coluna não tem uma pesquisa em mãos para apontar um número ou um percentual, mas é perceptível um sentimento antipetista nada desprezível em terras capixabas.
Contarato sabe disso. 
"Você está coberta de razão em relação ao antipetismo. Não é nem isso, é anti esquerda, anti partidos progressistas. E isso é muito grave. Porque são os partidos que mais defendem causas sociais, preservação ambiental, geração de emprego e renda, os direitos humanos, de negros, de mulheres", afirmou.
"Tenho ciência que no Espírito Santo essa rejeição a um partido, ao PT, é muito grande, mas não se pode condenar todo um partido pelo erro de uma pessoa ou outra. Seria cômodo eu entrar num partido mais confortável, olhando minha vida política. Não quero que isso influencie minha decisão", complementou. 
"Nunca tive medo de desafios. Em todo partido existem pessoas boas e pessoas com desvio de personalidade, na Rede, no DEM, no PP...Não posso achar razoável a população me julgar por ir para o PDT, o PT ou o PSB"

A RELAÇÃO COM A REDE

A Rede não alcançou a cláusula de desempenho em 2018, ou seja, não teve, no país, muitos votos para deputado federal. 
No Senado, tem dois representantes, por enquanto: Contarato e Randolfe Rodrigues (AP).
O senador do Espírito Santo diz que decidiu sair do partido porque precisa estar em uma legenda mais robusta para ocupar mais espaços na Casa. 
"Estou saindo da Rede por uma questão pragmática, gosto da Rede e me identifico, mas a possibilidade eu alcançar relatorias, posições dentro do Senado, depende do partido. Um partido com mais musculatura possibilitaria isso", resumiu.
Contarato afirma ainda que tem boa relação com o ex-prefeito da Serra Audifax Barcelos, porta-voz da Rede no estado, e que não há rusgas com redistas. 
De certa forma, para Audifax é até melhor a saída de Contarato do partido. O ex-prefeito da Serra é pré-candidato ao Palácio Anchieta. Assim, não se cria uma celeuma interna.

PSB, PDT E PT

As conversas de Contarato com PDT, PSB e PT dão-se, principalmente, por meio das lideranças nacionais desses partidos. O senador do Espírito Santo até participou, no último dia 5, de uma live com Ciro Gomes, o presidenciável do PDT. A transmissão ao vivo, vejam só, se chama Ciro Games
No Espírito Santo, o secretário-geral do PDT, Weverson Meireles, ressalta que o assunto Contarato é discutido lá para as bandas de Brasília mesmo. 
"Ele é muito bem visto por nós. Temos por ele carinho e admiração muito grande. Não discutimos candidatura ao governo, até porque ele não colocou isso em pauta", resumiu Meireles.
O PSB, presidido no estado por Alberto Gavini, também vê com simpatia a possível filiação de Contarato. Não para disputar o governo, obviamente.
"Tivemos uma longa conversa, meses atrás. Colocamos o partido à disposição dele. O PSB o acolherá, mas ele não tomou a decisão. O PSB é um partido que quer garantir a reeleição do governador Casagrande e a saída de Bolsonaro da presidência do Brasil", afirmou Gavini. 
Quanto ao PT, a presidente estadual, Jackeline Rocha, contou que a presidente nacional, Glesi Hoffmann, deve vir ao Espírito Santo ainda em outubro para, entre outras pautas, reforçar o convite a Contarato. A candidatura ao governo, no entanto, vai depender das costuras nacionais.

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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