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Eleições 2022

Em ano pré-eleitoral, Magno Malta e Bolsonaro voltam a ser unha e carne

Ex-senador derrotado em 2018 nunca renegou o presidente da República, mas apenas nos últimos meses, após intervenção do pastor Silas Malafaia, passou a frequentar aviões e agendas ao lado de Bolsonaro

Publicado em 04 de Novembro de 2021 às 02:10

Públicado em 

04 nov 2021 às 02:10
Letícia Gonçalves

Colunista

Letícia Gonçalves

lgoncalves@redegazeta.com.br

Jair Bolsonaro e Magno Malta na cerimônia de Entrega da Ordem da Machadinha em Santa Catarina
Jair Bolsonaro e Magno Malta na cerimônia de Entrega da Ordem da Machadinha em Santa Catarina Crédito: Alan Santos/PR
O ex-senador Magno Malta (PL) poderia ter sido quase tudo em 2018 e acabou sem nada: não se tornou vice-presidente da República, já que não aceitou o convite do então candidato à presidência Jair Bolsonaro (então filiado ao PSL); não se reelegeu no Senado, não virou ministro e não conseguiu um cargo comissionado sequer no governo federal, embora tenha havido movimentações para tal.
O ocaso do ex-parlamentar poderia significar ruptura ou afastamento em relação a Bolsonaro. A primeira hipótese não se confirmou.
Nas redes sociais, Magno sempre manteve o apreço pelo presidente, reverberando pautas bolsonaristas, principalmente as que são caras aos evangélicos, nicho eleitoral no qual o ex-senador é mais forte.
Apenas mais recentemente, no entanto, Bolsonaro passou a andar com Magno Malta a tiracolo, como ocorria em 2018. Ao comemorar a vitória naquele ano, foi ao lado do então parlamentar que ele orou.
Magno agora é figura fácil em agendas do presidente, ainda que não ocupe nenhum cargo no governo federal e, logo, não tenha assuntos oficiais a tratar nesses eventos.
Bolsonaro flerta com o PL, o Partido Liberal, que antes se chamava PR, Partido Republicano. O presidente da República está sem sigla e recebeu convite do presidente nacional da legenda, Valdemar da Costa Neto, condenado e preso por participação no mensalão.
O PL integra o Centrão, grupo de partidos fisiológicos que, via de regra, apoia o governo que estiver aí em troca de verbas em negociações pouco republicanas.
No Espírito Santo, o PL é presidido por Magno Malta.
De acordo com o jornal O Globo, a reaproximação entre Bolsonaro e Magno foi patrocinada pelo pastor Silas Malafaia, da igreja Assembleia de Deus Vitória em Cristo. O presidente, pelo telefone do pastor, fez uma chamada de vídeo com o ex-senador. Sem falar do passado, convidou Malta para ir ao Planalto.
"Como sempre aconteceu, orei com ele, demos um abraço e mais nada que isso. Falamos do momento do Brasil, das lutas e das dificuldades", disse Magno ao Globo. "Naquele momento nós passamos a nos falar, nos encontrar, fazer a mesma coisa que eu sempre fiz antes. Se eu puder ser útil em algum momento, conversar, falar, dar algum palpite que seja interessante e orar junto, eu estou próximo", complementou..
A coluna também tentou falar com Magno, sem sucesso.

"BRILHANTE IDEIA"

Em um vídeo postado no Facebook no dia 26 de outubro, o ex-senador aparece em um avião ao lado de Bolsonaro, que credita a Magno a ideia de dividir o campus da Ufes de Alegre em dois:
"A ideia veio do Magno Malta, levei ao ministro da Educação e ele prontamente acolheu. Seis universidades agora serão divididas e uma delas é aí no nosso...(pausa, intervalo em que é lembrado por Magno: "estado...") estado do Espirito Santo. Um abraço a todos, parabéns ao estado e parabéns ao Magno Malta pela brilhante ideia".
O quão brilhante é a ideia é uma questão controversa. Além de Magno, outros políticos locais, como prefeitos de cidades do Sul do estado e até o governador Renato Casagrande (PSB), simpatizam com a iniciativa, "desde que não fragilize a Ufes".
É justamente isso, no entanto, que o reitor da Ufes, Paulo Vargas, avalia que vai ocorrer se os "puxadinhos" nas universidades, como Bolsonaro chamou, tornarem-se realidade.
Em todo o país, seriam criados 2.912 cargos para comandar as novas instituições que, na prática, já funcionam. O inchaço da máquina pública virá com um aumento de gastos que pode chegar a R$ 500 milhões por ano, de acordo com estimativas do Ministério da Economia.
Voltando a Magno Malta, com ou sem universidade, ele faz escola no bolsonarismo. Ataca diuturnamente o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, contra o qual o presidente da República já parou de proferir ataques públicos.
A reaproximação de Bolsonaro e Magno rendeu várias viagens ao ex-senador. Ele acompanhou o presidente na visita que este fez ao Espírito Santo, e ainda foi ao Rio Grande do Sul, a Santa Catarina e a São Paulo.

"QUE FALTA FAZ O MAGNO NO SENADO"

Magno esteve com o presidente também na Primeira Consagração Pública de Pastores do Estado do Amazonas, em 27 de outubro. No discurso, Bolsonaro disse o seguinte:
"Aqui o Magno Malta, por opção dele não foi o meu vice-presidente, que falta faz o Magno Malta lá no Senado Federal, quem aqui se lembra, pensando no passado, do PLC 122 que tanta dor de cabeça deu para todos os senhores. Quem resolveu esse problema no Senado juntamente com mais alguns parlamentares, foi o Magno Malta, imaginem prender um pastor ou um padre porque ele não quis realizar um casamento fora daquilo que diz na bíblia?".
O projeto de lei mencionado por Bolsonaro criminalizava a homofobia, como já ocorre com preconceitos de cor e gênero. A proposta acabou arquivada em 2015. Por omissão do Legislativo, o Supremo Tribunal Federal (STF) equiparou a homofobia ao crime de racismo em 2019.
De lá pra cá não se tem notícia de pastor ou padre presos, como imaginou Bolsonaro.
Como este ano é pré-eleitoral, partidos e possíveis candidatos estão em franca movimentação. Magno é cotado para disputar o senado em 2022.
Em 2018, duas vagas estavam em disputa. Magno, inicialmente, era um franco favorito. Mas o desejo de mudança provocou a ascensão de dois novatos: Fabiano Contarato (Rede) e Marcos do Val (Podemos).
Do Val faz as vezes de Magno Malta em determinadas ocasiões. É um defensor de Bolsonaro no Senado. Contarato, por outro lado, é um crítico ferrenho do governo federal, embora tenha votado a favor de diversos projetos enviados ao Legislativo pelo Executivo.
Em 2018, Contarato recebeu 1.117.036 votos; Do Val, 863.359 e Magno, 611.284.
No ano que vem, há apenas uma vaga a ser disputada para o Senado no Espírito Santo, hoje ocupada por Rose de Freitas (MDB).

Letícia Gonçalves

Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.

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