Em Linhares, o jogo virou em 2024, na comparação com 2020
Eleições 2024
Em Linhares, o jogo virou em 2024, na comparação com 2020
Candidato que ficou em segundo lugar no pleito municipal anterior agora lidera a corrida
Publicado em 09 de Setembro de 2024 às 22:37
Públicado em
09 set 2024 às 22:37
Colunista
Letícia Gonçalves
lgoncalves@redegazeta.com.br
Lucas Scaramussa e Bruno MarianelliCrédito: Mara Lima/Felipe Reis
Bruno Marianelli (Republicanos) assumiu a Prefeitura de Linhares em abril de 2022, após o então prefeito, Guerino Zanon (PSD), renunciar ao cargo para disputar o governo do Espírito Santo. Guerino havia sido reeleito em 2020, com 54,4% dos votos e, desde o início da corrida eleitoral daquele ano, era considerado o favorito.
Marianelli, atual prefeito, tenta a reeleição mas em uma situação bem menos confortável que o antecessor. Apesar de contar com o apoio declarado de Guerino, a transferência de votos não é uma ciência exata.
Em 2020, o então prefeito deixou Lucas Scaramussa (na época, filiado ao DC), para trás. O adversário recebeu 29% dos votos. Agora, como mostra pesquisa Ipec realizada a pedido da Rede Gazeta, o jogo virou.
Scaramussa, eleito deputado estadual em 2022 pelo Podemos, é quem lidera a disputa em 2024, com 45% das intenções de voto. Marianelli está em segundo lugar, com 31%.
Como Linhares tem menos de 200 mil eleitores, não há segundo turno na cidade. Isso quer dizer que, mesmo com menos de 50% dos votos, se as eleições fossem hoje, o deputado estadual seria eleito.
A gestão de Marianelli é avaliada como boa ou ótima por 39% dos entrevistados, mas isso não parece ser suficiente para lhe garantir mais um mandato.
Para 23% dos eleitores, o ideal seria que se "mudasse totalmente" a administração do município e outros 23% gostariam da "total continuidade à administração atual"; 20% querem "poucas mudanças" e 29% que "muita coisa" mudasse.
Via de regra, um candidato à reeleição larga na frente sobre os concorrentes, já que, simplesmente por ocupar o cargo, tem mais visibilidade e tende a usar a máquina municipal a seu favor.
É sintomático quando nem mesmo essas vantagens surtem efeito no humor do eleitorado.
Os candidatos do PL, Maurinho Rossoni, e do PT, Galego, estão em um patamar bem abaixo de Scaramussa e Marianelli. Maurinho tem 8% e Galego, 3% das intenções de voto. Tecnicamente, estão empatados, já que a margem de erro da pesquisa é de 4 pontos percentuais, para mais ou para menos.
Ter a imagem relacionada ao ex-presidente da República Jair Bolsonaro (PL) ou ao presidente Lula (PT) não ajuda muito: 27% dos entrevistados disseram que o apoio de Bolsonaro a um candidato aumentaria a vontade de votar no tal candidato, mas 24% responderam que isso lhes daria menos vontade de votar no escolhido pelo ex-presidente.
Já para 19%, o apoio de Lula aumentaria a vontade de votar num candidato a prefeito de Linhares, mas 34% se sentiriam menos inclinados a escolher um nome ungido pelo presidente.
O PT, na cidade, ainda enfrentou o problema de ter tentado emplacar o ex-prefeito José Carlos Elias na disputa, mas a filiação dele ao partido foi barrada pela Justiça Eleitoral. Galego o substituiu meio em cima da hora.
Aliás, o petista é o mais rejeitado pelos eleitores de Linhares: 46% disseram que não votariam nele de jeito nenhum. Esse percentual, muito provavelmente, deve-se à rejeição ao Partido dos Trabalhadores e não ao candidato por si só.
Maurinho Rossoni tem a segunda maior rejeição, 25%. Marianelli é rejeitado por 20% e Scaramussa é o que tem a menor rejeição, 11%.
Ficar em último, nesse quesito, é mais uma vantagem para o deputado estadual.
Pesquisa está registrada na Justiça Eleitoral
A pesquisa Ipec sobre o cenário eleitoral em Linhares, contratada pela Rede Gazeta, foi realizada entre os dias 6 e 8 de setembro, com 600 entrevistas. O nível de confiança utilizado é de 95% e a margem de erro é de 4 pontos percentuais para mais ou para menos. Foram realizadas entrevistas pessoais por amostragem com utilização de questionário elaborado conforme os objetivos da pesquisa. As pessoas foram selecionadas para as entrevistas de acordo com as proporções na população de grupos de idade, sexo, raça/cor, instrução e atividade econômica. A pesquisa está registrada no Tribunal Regional Eleitoral do Espírito Santo (TRE-ES), sob o protocolo ES‐05842/2024.
Graduada em Jornalismo pela Universidade Federal do Espirito Santo, ingressou na Rede Gazeta em 2006, como estagiaria no Gazeta Online/ CBN Vitoria. Em 2008, passou a atuar como reporter da radio. Em 2012, migrou para a editoria de Politica de A Gazeta, tambem como reporter. Exerceu a funcao de editora-adjunta de 2020 ate 2021, quando assumiu a coluna Leticia Goncalves.