O empresário Caio Faria Donatelli foi do céu ao inferno, ou de homenageado a presidiário, em poucos dias. Na noite do último sábado (25), ele recebeu da Câmara de
São Mateus o título de cidadão honorário mateeense e ganhou não apenas uma plaquinha.
O valor, como o repórter Vinicius Zagoto mostrou, bancou o aluguel do cerimonial, que recebeu 400 convidados, e o cardápio. A festança foi realizada para comemorar os 477 anos de São Mateus.
De acordo com investigações da Polícia Federal no âmbito da Operação Minucius, "surgiram informes que a empresa pagou um percentual de 10% a 20% do valor do contrato, como propina, para o prefeito Daniel Santana Babosa".
"Surgiram informes" não chega a ser um forte indício de ilicitude, convenhamos. Mas a operação apreendeu documentos, valores em espécie, e a apuração continua.
Daniel da Açaí (sem partido), como é mais conhecido,
acabou preso. Caio Faria Donatelli,
também. As prisões são temporárias, por cinco dias, e podem ser prorrogadas.
O prefeito é mantido no Quartel do Comando-Geral do Corpo de Bombeiros, em Vitória. Donatelli, de acordo com a Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), que administra o sistema prisional, está no Centro de Detenção Provisória de Viana 2.
"Destaca-se o volume de pagamentos que a MULTIFACE possui com a Prefeitura de São Mateus/ES, que corresponde, atualmente, à quantia de R$ 26.603.703,86, conforme elementos informativos obtidos no site do Portal da Transparência da PMSM, bem como tomam destaque notícias de envolvimento desta empresa em fraudes envolvendo verbas públicas, inclusive com investigação através de CPI na Câmara de Vereadores de São Mateus/ES", registrou o delegado da Marcos Patrick Santos Cazelli, da Delegacia da Polícia Federal em São Mateus, no inquérito.
Além de Daniel da Açaí e do administrador da Multiface, cinco pessoas foram presas, temporariamente, na Minucius.
Advogado de Daniel da Açaí, Altamiro Thadeu Frontino Sobreiro afirmou que "o prefeito buscará o exercício das medidas judiciais cabíveis para esclarecimento dos fatos e restabelecimento de sua liberdade. A prisão cautelar não se encontra compatível com as regras da Constituição da República e da legislação".
Quanto a Caio Donatelli, os advogados Jayme Henrique e Ludgero Liberato ingressaram no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2) com um pedido de revogação da prisão provisória.
A medida é "fundada no argumento de que com o cumprimento dos mandados de busca e apreensão, visando a coleta de diversas provas para o processo penal, a prisão se torna desnecessária e até injusta, já que os fundamentos da decretação têm por objetivo impedir que o réu interfira na coleta de provas ou mesmo dificulte sua produção".